Ayla narrando Eu acordei antes de abrir os olhos. Senti primeiro o cheiro, aquele perfume amadeirado do Pantera misturado com o sabão simples do lençol. Depois, a respiração dele, calma, profunda, bem ali do meu lado. Foi aí que meu corpo inteiro lembrou onde eu tava. E com quem. Quando abri os olhos devagar, dei de cara com o teto do barraco… e, virando um pouquinho, dei de cara com ele: deitado de lado, um braço por cima da cabeça, como se tivesse totalmente à vontade. Como se eu fosse alguém que dormia ali todo dia. Meu estômago deu um nó na mesma hora. — Calma, Ayla… respira… — pensei. Mas não adiantou muito não. O coração tava acelerado, martelando no peito, e eu sentia meu rosto quente, muito quente. Minha mente repetia: — Tô deitada com o Pantera… Pantera. Que que eu tô faze

