Capítulo 111-2

766 Palavras

Karine voltou a falar, mais alterada. — Você não tem direito de falar assim comigo! — Tenho — respondi sem elevar a voz — porque eu não tô vivendo uma mentira. O ambiente parecia prestes a explodir. Mas dessa vez eu não ia recuar. Porque eu passei tempo demais sem saber quem eu era. E agora que eu sabia ninguém ia tirar isso de mim. Quando ela levantou a mão pra me dar uma bofetada, o tempo pareceu desacelerar por um segundo, como se tudo ao redor tivesse sido puxado pra dentro de um silêncio pesado antes do impacto, e eu não recuei, não desviei, fiquei ali, firme, encarando, porque depois de tudo que eu tinha descoberto, depois de tudo que eu tinha vivido, eu não ia baixar a cabeça pra ninguém, muito menos pra ela. Mas a mão não chegou até mim. A voz veio antes. Forte. Cortando

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