Na manhã seguinte, o sol invadiu o quarto de gabbie com uma intensidade quase ofensiva. A luz atravessava as persianas como se não respeitasse o sono de ninguém, especialmente de uma recém-chegada em plena adaptação à nova vida. Ela se remexeu, enfiando o rosto no travesseiro por mais alguns segundos, mas logo desistiu de lutar contra o calor que já fazia a pele grudar no lençol.
Ela esticou o braço, pegando o celular com um bocejo preguiçoso. Ainda com os olhos semicerrados, desbloqueou a tela. Entre notificações do clima e atualizações de redes sociais, uma mensagem chamou sua atenção. Um nome em especial.
**Eiden.**
A notificação simples dizia:
**Eiden: “Oi, bom dia, novata. Dormiu bem?”**
Ela piscou algumas vezes, despertando de vez. Não esperava por isso, mas a mensagem arrancou um sorriso involuntário. Era cedo — ou ao menos parecia — e já havia algo ali que fazia o estômago revirar de leve.
**Gabbie: “Mais ou menos... ainda tô tentando entender onde tô pisando.”**
Enquanto esperava a resposta, ela se levantou e caminhou descalça até a janela. A vista do quarto dava para um jardim interno onde algumas borboletas pairavam sobre flores coloridas. O canto dos pássaros se misturava ao som distante de carros e, mais ao longe, às ondas do mar. A cidade era diferente de tudo o que ela conhecia. Menor, mais lenta. Mas tinha uma vibe... viva.
O celular vibrou de novo.
**Eiden: “Se quiser, posso ser seu guia oficial. Cobro só uma água de coco gelada.”**
Gabbie riu. Aquilo era bobo, mas de um jeito bom. O tipo de mensagem que você não espera, mas que te lembra que alguém, do outro lado da tela, estava realmente interessado em conversar.
Antes que pudesse responder, ouviu a voz da mãe chamando da cozinha:
— Gabbie! Sua prima vai passar aqui depois do almoço. Disse que quer te mostrar a cidade. Vai ser bom pra você.
— Tá... — respondeu, mesmo sem saber se estava animada.
No fundo, sentia um leve alívio. Bia era um furacão de energia positiva, alguém que transformava qualquer lugar em uma pista de dança. Talvez sair com ela fosse o empurrão que Gabbie precisava.
Depois do almoço, Bia chegou como se fosse parte da trilha sonora de um clipe de verão. Short jeans, top colorido, chinelo no pé e uma gargalhada que anunciava sua presença antes mesmo de bater na porta.
— Garota, olha esse bronze! Ou melhor, a falta dele! — brincou, entrando sem cerimônia.
— É o tom natural da minha pele, obrigada. — Gabbie revirou os olhos, mas sorriu.
— Vamos mudar isso hoje. Tem festa na praia mais tarde. Vai ter música, gente bonita, comida boa... e, claro, uma chance de ouro pra você se soltar um pouco.
— Festa? Hoje?
— Hoje! Vai negar uma experiência de verão? Tá maluca?
Bia parecia sempre saber o que fazer. E Gabbie, mesmo hesitante, se deixou levar. Elas passaram a tarde andando pelo calçadão, experimentando picolés de frutas exóticas, observando turistas e rindo de situações aleatórias. A leveza de Bia era contagiante, e aos poucos Gabbie sentia o peso no peito ficar mais leve.
No fim da tarde, de volta ao apartamento, Gabbie se trancou no quarto e abriu o armário improvisado. Escolheu um vestido branco de tecido leve que dançava com o vento. Prendeu o cabelo em um coque solto, deixando algumas mechas caírem naturalmente, e passou um gloss nos lábios. Nada exagerado — apenas o suficiente para se sentir confortável e bonita.
No carro, a caminho da festa, Bia colocou uma playlist animada. As duas cantaram trechos m*l decorados, riram e tiraram selfies com a cidade iluminada ao fundo. Era a primeira vez, desde a mudança, que Gabbie sentia que talvez aquilo tudo não fosse tão r**m assim.
Ao chegarem à praia, o cenário parecia saído de um filme. Tochas cravadas na areia iluminavam o caminho até o centro da festa. Luzes coloridas estavam penduradas entre coqueiros, criando um teto de estrelas artificiais sobre o som vibrante que saia de uma caixa potente. Pessoas riam, dançavam descalças, algumas mergulhavam no mar iluminado pela lua.
— É aqui que a mágica acontece — disse Bia, abrindo os braços como se fosse a dona da festa.
— Eu nem sei por onde começar...
— Começa respirando fundo e se permitindo. Vamos! — Bia puxou Gabbie pela mão, atravessando a multidão.
Mas, antes que pudessem dar muitos passos, Gabbie parou. Sentiu como se o tempo tivesse desacelerado. Do outro lado da fogueira, em pé, conversando com alguns amigos, estava ele.
Eiden.
Ele usava uma camiseta branca, calça de moletom leve e boné virado para trás. O sorriso era o mesmo da foto — só que ao vivo, era ainda mais desarmante. Quando seus olhos se encontraram com os dela, houve um segundo de reconhecimento. Como se, em meio àquela multidão, só os dois existissem.
— É ele? — sussurrou Bia no ouvido da prima.
Gabbie apenas assentiu, sem tirar os olhos dele.
Eiden se aproximou com passos calmos, os olhos fixos nela.
— Então a novata resolveu aparecer — disse ele, sorrindo.
— Resolvi ver se essa cidade era tudo isso que você prometeu — respondeu Gabbie, tentando parecer confiante, apesar das borboletas no estômago.
— E aí? Tá valendo a pena?
Ela olhou ao redor. O céu estrelado, o som da música, a brisa do mar... e aquele sorriso.
— Tá começando a parecer que sim.