Arthur Allbertilli
Vejo os portões quase que enorme, atrás vejo a enorme casa onde está situado o orfanato que Alec é o responsável, antes era de seu marido, Igor, sinto minhas pernas bambas, minhas mãos suam, mas Zander a aperta com força, me passando confiança, o que nesse momento eu preciso e muito.
— Vai ficar tudo bem, você vai apenas conversar. — Zander diz, apertando com ainda mais força minha mão que está na sua. — Eu vou estar com você, mesmo de longe. Assinto, indo em direção ao portão, o abrindo, dou de cara com várias crianças correndo pelo local, tinha de quase todas as idades, uma mulher vem em nossa direção com um sorriso gentil em seu rosto.
— O que desejam? Vieram para uma visita? sejam bem-vindos. — Limpo a garganta.
— Queremos falar com o Alec, ele se encontra? — Zander toma a frente.
— Oh, claro, me sigam por favor.
Ela anda na frente e entramos pela grande porta do orfanato, o lugar era grande, tinhas várias portas e uma enorme escada que levava ao segundo andar, seguimos pelo corredor da porta de entrada e chegamos na porta no final, a mulher bate e escuto a voz de Alec pedindo que ela entre, continua a mesma coisa, só que mais madura e rouca.
— Tem dois rapazes querendo vê-lo.
— Peça que entrem, por favor.
Tomo uma respiração e entro dentro do cômodo quando a mulher nos dar espaço, Zander sempre ao meu lado. Quando meus olhos se encontram com os seus, meu corpo paralisa, vejo um lampejo de medo, mas depois os olhos assumem uma expressão séria e de tranquilidade.
— Arthur? — Ele passa o olhar no homem ao meu lado. — E você seria? — Ele dirige um sorriso gentil.
— Zander, amigo do Arthur. — Ele tira seus olhos dos de Zander e foca em nossas mãos unidas.
— Entendi. Depois de muito tempo você voltou. — Ele parece longe quando volta a falar. — Alguém me falou que nunca mais eu precisaria ver você, e olhe onde estamos, você novamente na minha frente.
Fico sem saber o que falar. Quem disse a ele que nunca mais ele voltaria a me ver?
— Sei que não posso e nem devo me intrometer nisso, mas apenas peço que ouça o que ele tem que falar, vocês devem conversar. — Zander parece disposto a me proteger e tomar meu lado.
— Se não sabe, ele foi o responsável por eu ser expulso de casa, por perder toda minha vida. Não quero e nem devo mudar sua visão sobre ele, mas tem coisas que não podemos simplesmente esquecer.
— Não sabia sobre ser expulso, não quero diminuir sua dor, você foi o único que sofreu com esse lado horrível de Arthur, mas eu tive o prazer de conhecer o novo ele, de conhecer seus arrependimentos, seus medos e traumas, esse novo Arthur é digno de suas poucas horas para uma conversa franca, para só então deixarem isso no passado. — Alec olha para Zander com aparente admiração.
— Entendo seu lado, irei ouvi-lo Arthur. — Ele fala, apontando a cadeira vazia em frente a sua mesa.
— Eu vou esperar lá fora.
— Fique. — Quase me coloco de joelhos a sua frente para implorar que ele fique comigo.
— Vocês precisam desse tempo sozinhos. — Quando ele termina sua fala ouvimos uma batida na porta, Alec pede que entre, e não vou negar que sentir medo da reação de Igor quando ele passou pela porta e me encarou, quando finalmente reconhecimento caiu sobre sua face, ele logo andou para o lado do marido, onde me olhou com ódio em seus olhos.
— O que faz aqui? Já não basta tudo que ouviu e ainda tem a cara de p*u de aparecer aqui? — Ela fala cheio de uma raiva m*l contida. Ale segura os ombros do marido, fazendo ele desviar seus olhos dos meus, o que agradeço, me tremi da cabeça aos pés com sua raiva, não tenho vergonha de admitir que sou um medroso. Zander aperta minha mão em conforto enquanto seguimos de plateia para os dois que conversam baixo.
— Irei falar com ele, enterrar de vez meu passado, aprendi muitas coisas com ele, mas agora quero focar apenas em você, na nossa família, preciso deixar qualquer vestígio desse passado no lugar onde ele pertence, e farei falando com Arthur, tem coisas que ele precisa saber para assim segui com sua vida também.
— Amor, apenas não quero que isso reabra velhas feridas. — Igor se pronuncia.
— Elas sempre poderão ser reabertas enquanto houver uma das partes que não está bem costurada. Você vai ficar lá fora, me esperando, eu vou ficar bem. — Igor dar um suspiro em derrota.
— Tudo bem meu amor, você sabe o que faz, sabe que estarei de braços abertos te esperando, certo?
— Eu sei sim. — Alec lhe dar um beijo casto nos lábios do marido, que a contragosto passa por nós, pedindo para Zander o siga, mas não antes de mostrar todo seu desagrado por mim em um olhar de arrepiar, quando passa por mim.
Zander sorri para mim e deixa um beijo em minha bochecha.
— Vai ficar tudo bem. — Era o que eu precisava ouvir dele para enfim soltar sua mão e deixar ele sair da sala. Estava nervoso quando finalmente estávamos a sós, me sentia perdido dentro daquelas paredes, estava transpirando e a ponto desmaiar, tenho certeza. Os olhos de Alec focam nos meus.
— Sente-se.
Faço o que ele pede ainda em silencio.
— O que quer comigo, Arthur?
Engulo em seco e com dificuldade começo a falar.
— Eu sei que não mereço seu perdão Alec, eu destruir sua vida, fiz dela um inferno, eu simplesmente poderia colocar a culpa nos meus pais e no ambiente em que cresci, na educação que eu tive, não vou falar da minha infância, não quero isso, mas quero que acima de tudo, não me odeie, não por mim, mas por você, pode dizer que é pela minha própria consciência, mas quero que você seja feliz sem levar em seu peito a dor, a raiva e o ódio por mim, eu vou poder seguir em frente somente quando ter a certeza de que você está vivendo bem e feliz. Não sei o que passou depois de tudo aquilo, mas sinto que foi r**m, deve ter sido um peso enorme. — Meus olhos ardiam pelo choro preso. — Me perdoe Alec, me perdoe e só assim eu poderei me perdoar, pois se você o fizer, acredito que ainda possa dar um jeito em mim mesmo e ter esperanças em futuro melhor para nós dois, sei que não vai esquecer, mas peço que viva livre da dor e da mágoa.
Desvio meus olhos do seu e espero por suas palavras.
— Eu vivi por muito tempo te odiando, — sinto um aperto em meu peito. — Eu odeie você por ter sido expulso de casa, mas depois percebi que o culpado também foram meus pais, eles deviam me apoiar e me darem suporte, me amarem, mas não o fizeram, eles têm culpa por isso, você agiu errado, eu sofri muito, muito mesmo, vivi coisas que não desejo a ninguém.
— Desculpe. — Falo já não aguentando, algumas lágrimas descem pelo meu rosto. Olho para Alec e ele se encontra do mesmo jeito, seus olhos parecem perdidos, como que se estive longe, lembrando de cada detalhe do que passou.
— Eu te perdoei a muito tempo, Arthur, quando me encontrei entre a vida e a morte, eu o perdoei, vi que não valia a pena nutrir tais sentimentos, eu queria viver em paz, e começaria perdoando aqueles que tanto me fizeram m*l, como falou, vai ser impossível esquecer, você fez parte de um momento importante e doloroso em minha vida, nunca serei capaz de esquecer. — Ele me olha, parecendo pensar se deve seguir ou não com suas palavras. — Olha, não pense que o que vou dizer é para lhe infringir dor, nunca faria isso com algo tão importante, não usaria disso para fazer vingança, vou lhe contar, pois ele fazia parte de você, não é justo que eu esconda isso. — Ele tem um sorriso amoroso quando me fala. — Tivemos um filho, Arthur, um menino lindo.
Meu coração parece que parou por alguns segundos, a criança que eu sonhei, ela realmente existe, um filho, eu tenho um filho.
— Como assim? — Minha voz sai falha, Alec sorri, agora um sorriso triste, carregado de aceitação.
— Ele não está entre nós. — Meu peito dói, meu cérebro dizendo que foi culpa minha, certamente foi culpa minha. — Não Arthur. — Estou paralisado quando as lágrimas descem por meu rosto. Sinto mãos em meus braços e logo estou sentado no sofá da sala de Alec, ele está ao meu lado, segurando com força minhas mãos, ele chora junto comigo, nesse momento não passamos de dois homens que perderam seu filho, uma parte tão brilhante de nós mesmo, eu nem mesmo pude ver seu rosto, seu primeiro sorriso, não tive nada disso. — Não se culpe, meus pais fizeram isso, meu pai me fez perder nosso bebê. Está tudo bem, você não teve culpa, não disso.
— Eu... — Não consigo falar, o soluço sai forte. — Eu sonhei com uma criança. — Minha voz não passa de um sussurro. — Era uma menina. — Meus olhos turvos pelas lágrimas ainda conseguem enxergar seu pequeno sorriso amoroso.
— Eu o vi também, era um menino lindo e forte. — Sorrimos apesar de nossas faces com lágrimas.
— Eu não sei como seguir agora, não sei o que fazer, estou tão perdido.
— Tudo bem, vejo que agora você tem finalmente alguém ao seu lado que está cuidando de você. — Ele limpa algumas lágrimas que ainda cai. — Não se martirize muito por isso, viva seu luto, mas sem culpa, ele está em lugar melhor, está bem.
— Eu não mereço nada disso, não mereço nada que venha de você, mesmo assim você enxuga minhas lágrimas.
— Todos merecemos uma segunda chance, você está tendo a sua, não a desperdice.
— Obrigado por tudo Alec, sinto que posso seguir em frente.
— Você pode sim, eu estou bem agora, tenho Igor em minha vida, ele me ama, cuida de mim, me deu uma família linda, pode viver tranquilo Arthur, como você falou, não vamos esquecer, mas vamos viver, sem magoas. Se essa for a última vez que nos vemos, espero que seja tão feliz quanto eu.
— Você é realmente maravilhoso, você e Igor são um casal lindo, fico feliz que tenha ele em sua vida.
Com um abraço nos despedimos, sai de lá com minha alma limpa, apesar de ter chorado bastante em casa pesando no meu filho, ele estaria tão grandinho hoje, eu o amo, amei mesmo antes de saber de sua existência, passei o dia todo no colo de Zander, ele escutou e acalentou meu choro, me abraçou e escutou sobre meu bebê.
Espero de todo coração que Alec tenha uma vida cheia de alegria, que ele esqueça o significado de ter uma vida triste, peço apenas isso para seguir em paz com meu Zander.
Que não tenha ficado nenhuma pendência em aberto, pois não pretendo voltar a ver Alec, ele merece uma vida feliz sem mim por perto.