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2408 Palavras
Dulce Primeiro dia sem a tentação Uckermann. Aquilo ainda não havia entrado em minha cabeça e eu me perguntei durante toda a madrugada o porquê de eu me incomodar tanto. Não era como se eu estivesse brava ou apenas chateada. Eu fiquei mesmo muito triste por não poder mais toca-lo, beijar sua boca e senti-lo dentro de mim. Eu gostava daquilo e iria me fazer muita falta, mais do que imaginei que faria.  Assim que ele deixou o meu apartamento, eu me arrumei para ir até o estúdio. Conheceria a fotógrafa que ficaria no lugar dele e estava pouco animada para aquilo. Apesar de amar a temporada de primavera, era mais divertido trabalhar com Christopher. Principalmente quando eu dava em cima dele na frente de todos, o que fazia seu rosto ficar vermelho de vergonha, em uma timidez muito fofa.  Adentrei no estúdio e notei a correria, as camareiras passando com os figurinos, modelos cercadas de maquiadores, os tantos flash's e vozes de dezenas de pessoas que se misturavam umas nas outras. Eu só queria chegar ao camarim e me vestir antes de me perder naquela bagunça.  Apressei o passo e vi de costas, uma morena que tirava foto e guiava três modelos no cenário florido. Sua voz era firme, porém doce. Como ela era a única que eu não reconheci, deduzi que fosse Maite Perroni. Antes de me apresentar formalmente, eu continuei meu caminho para o camarim. Vesti meu primeiro figurino. Uma roupa laranja bem praiana, um short e um cropped justos. Em meu cabelo, uma flor na lateral da mesma cor da roupa. Coloquei algumas bijuterias bem coloridas e depois que a maquiadora terminou de me arrumar, eu fui até o cenário onde tirariam as minhas fotos.  Maitê não falou comigo, não se apresentou e nem me deu um simples "olá". Ela apenas começou a dar ordens como um general, enquanto eu fazia diferentes poses. Alguns diriam que ela estava sendo apenas profissional demais, mas eu a achei grossa. Pois é, Christopher, sua substituta era mesmo uma vaca.  A sessão durou pouco mais de duas horas e nem entre os intervalos ela trocou palavras comigo. A mulher m*l me olhava, era como se eu fizesse parte do cenário atrás de mim. E quando finalmente acabamos, eu corri para pegar o meu celular, pensando em ligar para Christopher.  Antes de ir até a minha agenda, eu abri as redes sociais e vi que ele tinha publicado um story com a sua lenta, baixinha e sem graça assistente. Bufei olhando os dois sorrindo em frente à uma passarela vazia, sendo preparada para o evento que aconteceria mais tarde. As bochechas dela se destacavam de tão avermelhadas. Ela não conseguia se aguentar perto dele e isso era patético.  — Tudo bem? — ouvi uma voz perguntar atrás de mim e franzi a testa ao perceber que era a Maitê.  — Sim. — fui direta e não perguntei se ela estava bem também. Eu não tinha interesse em prolongar qualquer conversa com ela.  — Não nos apresentamos formalmente. Já sabemos os nomes uma da outra, mas vamos fingir que não. Sou a Maitê. — estendeu-me sua mão e eu devo ter demorado uns cinco segundos até erguer a minha.  — Dulce Maria.  — Realmente você faz jus ao que dizem de você.  — Como assim? — arqueei a sobrancelha.  — É muito talentosa, foi fácil tirar fotos de você e, além disso... — olhou-me de cima a baixo. — Tem uma presença bem intimidadora.  — Eu intimidei você? — sorri de canto.  — Você tentou. — sorriu da mesma forma que eu. — Não me leve a m*l, eu não sou grossa, apenas gosto de trabalhar primeiro e conversar depois. Entende?  — Claro! Trabalho em primeiro lugar. — assenti com a cabeça.  — Sabe, não conheço ninguém na cidade, tem planos para hoje à noite?  — Está me convidando para um encontro? — brinquei, fingindo estar chocada.  — Você bem que iria querer. — riu.  — Estou livre para hoje.  — Ótimo! — ela tirou uma caneta do bolso, puxou minha mão e começou a anotar um número. — Me manda o seu endereço, eu passo pra te pegar às 21:00. Espero que goste de boates.  — Eu adoro. — sorri. — Até mais!  — Até. Fica bonita pra mim, gatinha. — deu uma piscadela e eu ri enquanto a via se afastar.  Em casa, já na hora do almoço, eu pensei em preparar algo ou pedir comida, mas eu havia comido demais no café da manhã e aquilo certamente faria uma diferença em meus quadris. Além do mais, eu não estava com tanta fome assim. Aguentaria até a noite.  Fiquei pronta antes do horário marcado. Eu usava uma saia preta e um cropped também preto. Um salto alto, maquiagem forte e os cabelos soltos descendo até a minha cintura. Estava pronta para matar e talvez, caçar também. Seria estranho sair para uma noitada e não ter ninguém para t*****r no fim da noite.  Maitê chegou ao meu prédio e depois de fazer várias graças me dando cantadas irônicas, nós entramos em seu carro e seguimos para uma das boates mais bem frequentadas da cidade. Várias personalidades da mídia estavam ali naquela noite e eu me vi sentindo um fogo interno ao ver tantos homens bonitos.  — Acho que sair sozinha daqui será como assinar o próprio fracasso. — Maitê disse olhando em volta. — Quanto homem bonito! — suspirou. — Como você chega nos homens daqui? — Eu sou bonita, são eles que chegam em mim. — dei de ombros.  — Ui! Ok, vossa alteza. — deu um gole em sua bebida. — E se você quiser um homem que não veio até você?  — Isso nunca aconteceu.  — Ah, fala sério! — cerrou os olhos para mim.  — Mas é sério. Na real, eu não fico reparando muito neles, só até eles falarem comigo.  — E por que você não repara?  — Porque eu não preciso me preocupar em terminar uma noite sozinha.  — Ou você se acha demais, ou tem mel no meio das pernas. Os caras certos sempre dão em cima de você?  — Às vezes você só descobre que é o cara errado quando já está debaixo dele. — nós duas rimos. — Mas sempre tive o... — parei de falar. — Enfim, não importa.  — Um P.A.? — sorriu.  — Como sabe que é um P.A.? — Já tive alguns.  — Alguns? Uau!  — É que os sentimentos acabam se misturando e quando vejo que a outra pessoa está se apaixonando, eu caio fora. Não é muito inteligente f********o casual com alguém que está apaixonado por você. — eu mirei o chão e pigarreei duas vezes. Maitê notou o meu incômodo e abriu um sorriso divertido. — Não, você não fez isso!  — Ele é o meu melhor amigo! — falei em tom de defesa. — Mas acabou, então não faz diferença. — passei o dedo pela borda do meu copo, incapaz de encara-la.  — E por quanto tempo você ficou com ele mesmo sabendo que ele gostava de você?  — Dois anos... — aquilo saiu quase como um sussurro.  — Fala direito, eu não ouvi. — chegou mais perto de mim. — Dois anos. — suspirei.  — Você é louca! Isso deve ter te dado muita dor de cabeça.  — Não, na verdade era eu quem dava dor de cabeça a ele. E é por isso que ele resolveu acabar com o nosso acordo s****l.  — Foi ele quem largou você? Nossa, você deve ser o d***o.  — Dizem que sim. — sorri fraco. — Mas ainda somos amigos e está tudo bem. Ele é a pessoa mais importante da minha vida e eu quero que ele esteja bem.  — Amigos são mais importantes do que P.A's. — eu assenti concordando. — Acho que você pode arranjar outro p*u amigo rapidinho. — deu outra olhada em volta. — O cardápio é bem diversificado. — passou a língua entre os lábios quando um cara passou perto de nós.  — Você é mesmo uma vaca, mas uma vaca das minhas. — ergui o corpo para um brinde e ela riu enquanto nossos copos tilintavam.  — Tem um homem com a cara toda ferrada caminhando na nossa direção e ele está olhando pra você. — ela disse olhando por cima do meu ombro.  — Que? — olhei para trás e bufei ao avistar Thomas vindo até nós.  — Dul! — ele sorriu cinicamente para mim. — Você é nova. — falou secando Maitê de cima a baixo.  — Maitê Perroni. — ela ergueu a mão para que ele beijasse e assim ele fez. — Se meteu em confusão? — perguntou referindo-se aos tantos machucados recentes no rosto dele, além da tipoia em seu braço.  — Foi um presentinho de um amigo meu. — dei um tapa em seu ombro e ele fez cara de dor. — Não deveria estar de repouso?  — E você não deveria ter feito o seu teste para as Angels hoje? — me alfinetou e eu fiquei séria no mesmo instante. Deu um sorriso vitorioso ao notar que havia me atingido. — Eu só queria dizer olá. Tenham uma boa noite, garotas. — e enfim ele se afastou.  — Não gostei dele. — May resmungou. — Ele é só um babaca filhinho de mamãe. — esbravejei.  — Mas conseguiu mexer com você. — me encarou. — O que ele quis dizer com essa história de teste para as Angels?  — Eu ia fazer esse teste i****a, mas desisti.  — E por que? O que deu errado?  — Nada. Foi escolha minha, ok?  — Se foi escolha sua, por que você parece tão m*l? — Meu Deus, você fala demais! Eu vou até o banheiro. — não esperei uma resposta da parte dela, apenas levantei e comecei a caminhar por entre as pessoas. No banheiro, eu respirei fundo na frente do espelho algumas vezes e quando minha raiva baixou um pouco a guarda, eu saí de lá. Maitê continuou sentada no mesmo lugar de antes, estava séria e olhando ao redor como se procurasse por alguém. Quando me viu, sua expressão relaxou e ela sorriu um pouco incerta.  — Desculpa ter feito todas aquelas perguntas. — ela estava menos energizada do que antes, com um olhar preocupado, eu diria.  — Tudo bem, você não sabe nada sobre mim. — minha voz estava mais calma agora.  — Eu gostei de você, Dulce. Parece ter muita história por trás dessa carranca firme e diabólica. — eu abri um sorriso para ela.  — Você não faz ideia...  — E aí, pretende ir pra casa com alguém hoje?  — Hum... — observei alguns homens que me encaravam, bonitos até, mas não senti nenhuma atração forte por nenhum deles. — Acho que eu vou dormir sozinha hoje. Por mais incrível que isso pareça.  — Ok, então eu também vou dormir sozinha hoje. — olhei para ela com estranheza. — Sou sua carona. Posso até ser uma vaca, mas não deixaria você pegar um táxi sozinha de madrugada.  — Eu não faria isso por você. — falei em tom de ironia, mas talvez eu não fizesse mesmo.  — Eu sei. Identifico uma v***a má assim que vejo uma.  — Claro! — balancei minha cabeça rindo.  A noite foi bem divertida. Creio que eu nunca havia rido tanto com uma amiga como ri com Maitê. Ela era engraçada, falava o que quisesse e pra quem quisesse, assim como eu. Também deu em cima de vários homens, deixando a maioria deles divertidamente tímidos. E quando eles vinham dar em cima de uma de nós, dizíamos que éramos lésbicas e estávamos juntas. Me fez bem passar aquele tempo com ela.  {...} Entrei em meu apartamento com meus sapatos na mão por volta das 03:00 da manhã. Estava um pouco tonta pelas bebidas, mas ainda tinha consciência de tudo. Senti um pouco de fome e me permiti comer uma fatia de pizza que estava na geladeira. Descobri que foi uma péssima ideia quando meu estômago embrulhou e eu corri para vomitar no banheiro.  Ainda no chão do banheiro, eu ouvi o silêncio do meu apartamento por longos minutos até decidir que não queria me sentir sozinha. Terminar uma noite como aquela sem ninguém era mais deprimente do que eu achei que seria. Ok, eu não me interessei por ninguém naquela noite, mas ainda queria contato humano, ainda queria sexo. Mas não qualquer sexo. Um sexo com alguém em quem eu pudesse confiar. Mas eu não tinha isso, não tinha mais.  Peguei o meu celular e resolvi ligar para Christopher. Ok, estava tarde e talvez ele estivesse cansado do evento, mas eu precisava ao menos ouvir a sua voz. Não estava acostumada a passar um dia inteiro sem falar com ele.  — Alô? — ele atendeu no segundo toque com a voz cansada.  — Te acordei?  — Não.  — Mas parece cansado.  — Sim... bem... aconteceu alguma coisa? Você está bem? — perguntou preocupado.  — Eu só queria ouvir a sua voz. — sorri. — Como foi o evento?  — Foi ótimo. De manhã te mando algumas fotos da Anahi. Você vai se orgulhar, ela estava radiante.  — Aposto que sim. — não via a hora de ver.  — Conheceu a Maitê?  — Sim.  — E ela é uma vaca? — riu.  — Sim, mas não de um jeito r**m. Eu adorei ela. Acabei de chegar de uma noitada com ela.  — Isso é bom! E você voltou pra casa sozinha? — eu senti o desconforto em sua voz.  — Sim.  — Ok, isso é... estranho. — riu de leve.  — Eu sei.  — Tem certeza que está tudo bem?  — Está. A noite foi realmente legal, eu só não queria ir dormir sem ouvir a sua voz.  — É bom ouvir você também. — ficamos um tempo em silêncio, eu ouvia a sua respiração do outro lado da linha e esse som me trouxe um sentimento de paz que eu não queria que acabasse.  — Eu vou deixar você descansar agora. Boa noite.  — Boa noite, Dul.  — Ei?  — Sim?  — Eu te amo.  — Eu também te amo.  Finalizei a ligação e fiquei um tempo olhando a tela do celular, esperando a bebida parar de me causar enjôo para que eu pudesse levantar, tomar um banho e ir dormir em minha cama, completamente sozinha pela primeira vez em muito tempo.
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