Surge com uma gávea em alto mar a atenção, despontando no horizonte, o zénite, sob um céu nem tanto claro nem tanto azul, e tudo chama à atenção, pois um grito de alerta ou de socorro, a uma outra nave, pode valer a mais, alguns dobrões de ouro.
Um leão dos mares pode até fraquejar e deixar passar uma medonha alegoria, por medo dos monstros marinhos que observam e espreitam. Uma luta a mais pode significar um m****o a menos, mas um velho bucaneiro revista, e resiste a tudo; menos ao amor e ao calor de uma bela senhorita, oportunamente num passageiro porto, a doce parada, tão desejada e aviada pela ligeira e vil manobra de um caolho timoneiro.
Zombando da sorte nas vias tão infinitas e tormentas, a quantos roteiros pode-se levar um flutuante? Arando o mar sem a pretensão de ser mais do que um futuro náufrago ou brindar-se uma real patente de corso. Escorbuto, febre verde, nada, nunca poderia explicar a sensação do r***o às velas, dos tontos ventos, corrigindo o ócio de uma antiga calmaria... Qualquer vivente andarilho de proa ou pior, de prancha, sentirá nas águas tão carregadas de tristezas e lágrimas, o agri sabor do último gole.
“Minha posição cardeal impera no avante r***o, o objeto do incessante desejo de glória e fortuna, que adorna o vencedor. Compelir e abordar sob o cruzado fogo, a insensata tortura de querer mais do que se pode levar...”.
Vida de ladrão dos mares é perder o que se nunca teve, é ser bravo, muitas vezes, injustiçado. A única real vitória pessoal é o poder, de viver sempre, no último capítulo dos episódios da aventureira vida.
Um passado sombrio e tenebroso, um futuro incerto e obscuro, são os espólios mais comuns de um flibusteiro. “Tomo tudo aquilo que não me é dado, porque no fundo, sabemos, que nada pertence a ninguém, todos somos ladrões e invasores do mundo. O mar que nos abraça é de todos e todos ao mar!”
Quanto ao grito da gávea, seu dono será recompensado com ouro e prata, ou com a morte, que no final, valem a mesma coisa.