Nanda Narrando
O susto é ainda pior quando vejo o MB indo para cima do Felipe. Fico completamente sem entender o que está acontecendo.
Meu Deus, que loucura é essa?
O que o MB está pensando?
Minha mente buga de verdade. Parece que tudo aconteceu rápido demais e, ao mesmo tempo, devagar. Eu só consigo ficar parada, tentando entender aquela situação absurda na minha frente.
Quando o MB finalmente sai do quarto, eu espero alguns segundos antes de correr até a porta e trancá-la. Meu coração está disparado, minhas mãos tremem e sinto uma vontade enorme de desaparecer.
Vou direto para o banheiro, tranco a porta e, assim que fico sozinha, começo a chorar.
Choro de um jeito que nem consigo controlar.
Eu me sinto suja.
Tão suja quanto me senti quando o Roberto abusou de mim.
Fecho os olhos e tento respirar, mas as lembranças vêm como um filme que eu não consigo desligar. É como se meu corpo ainda carregasse tudo aquilo, mesmo depois de tanto tempo.
E agora o MB...
Ele não deveria ter feito aquilo.
Minha irmã não merecia ser traída. Eu sei que o MB fica com outras mulheres, sei que isso não é novidade para ninguém, mas comigo é diferente.
Eu sou irmã da esposa dele.
Eu moro na mesma casa.
Eu confio nele.
E, acima de tudo, eu mereço respeito.
Não importa o que ele sente ou pensa. Eu não sou obrigada a aceitar nada que eu não queira.
Passo as mãos pelo rosto, tentando secar as lágrimas, mas elas continuam caindo.
De repente, escuto batidas na porta.
Viviane: Nanda, abre aqui, por favor — fala do outro lado.
Meu coração aperta.
Nanda: Eu não quero falar — respondo triste, tentando controlar a voz.
Viviane: aqui, senão eu vou arrombar — ela fala, aparentemente sincera.
Respiro fundo.
— Tá bom...
Seco as lágrimas rapidamente e me levanto. Abro a porta devagar, respirando fundo antes de encarar os olhos da minha irmã.
Viviane me olha por alguns segundos e imediatamente percebe que tem alguma coisa errada.
Viviane: O que aquele monstro fez com você? — pergunta, me olhando com preocupação.
Engulo em seco.
Eu queria contar.
Queria falar tudo.
Queria finalmente tirar esse peso enorme de dentro de mim.
Mas não consigo.
Nanda: Ele não fez nada. Só reclamou porque, depois de tudo o que aconteceu comigo, eu preciso ter mais cuidado. Só isso — minto.
A mentira sai com dificuldade.
Viviane continua me olhando, como se estivesse tentando descobrir se estou falando a verdade.
Viviane: Ele é louco. Você já está melhor e merece ser feliz. Se você se sente preparada, você pode, sim, ficar com alguém. Ele não é nada seu para mandar em você. _ Ela fala negando com a cabeça, claramente indignada.
Sinto meus olhos se encherem de lágrimas novamente.
Nanda: Do mesmo jeito que falei para ele, eu vou falar para você... Eu não quero ninguém, Viviane. Eu não me sinto preparada. Ainda tenho medo de ser machucada. _ Minha voz falha no final.
Sempre acontece isso quando toco nesse assunto.
É como se falar sobre o que aconteceu abrisse uma ferida que nunca conseguiu cicatrizar completamente.
Viviane muda a expressão. Em vez de insistir, se aproxima de mim.
Viviane: bom, Nanda. Eu não vou te pressionar. Vou para o meu quarto e, qualquer coisa, você me chama. _ Ela beija minha testa e sai.
Fico parada no mesmo lugar, olhando para a porta depois que ela se fecha.
Sinto um vazio enorme dentro do peito.
É inacreditável tudo o que estou passando.
Eu poderia simplesmente ir embora daqui.
Talvez fosse melhor.
Mas eu iria morar onde?
Com a Larissa?
Ela iria perguntar por que eu não quero mais ficar aqui.
E o que eu responderia?
Que eu não consigo olhar para o marido da minha própria irmã sem lembrar do que aconteceu?
Que eu estou com medo?
Que eu gostei do maldito beijo?
Que, pela primeira vez, estou começando a enxergar o MB de uma forma completamente diferente?
Não sei.
Tudo parece complicado demais.
Volto para a cama e começo a chorar novamente.
Choro como se o mundo estivesse acabando.
Abraço o travesseiro contra o peito e tento me convencer de que amanhã vai ser diferente, mas, naquele momento, não consigo acreditar nisso.
Minha mente está cansada.
Meu corpo também.
O dia foi agitado demais e eu sinto que não tenho mais forças para pensar.
Depois de algum tempo, acabo pegando no sono.
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No dia seguinte...
Acordo sentindo braços fortes ao redor da minha cintura.
Por alguns segundos, ainda estou sonolenta e não consigo entender onde estou.
Então sinto alguém mexendo no meu cabelo.
Abro os olhos e tomo um susto.
É o MB.
Ele está deitado atrás de mim, cheirando meu cabelo como se aquilo fosse a coisa mais normal do mundo.
Meu coração dispara.
Nanda: Você está louco? O que você está fazendo aqui? — pergunto assustada, me afastando dele.
MB me olha tranquilamente.
MB: Vim dormir com você. Qual o problema nisso? _ pergunta sinico
Fico sem acreditar no que estou ouvindo.
Nanda: MB, você está louco. Me deixa em paz, por favor. Não tem lógica você estar agindo assim comigo.
Nego com a cabeça, tentando manter a calma.
Ele me encara por alguns segundos.
MB: Eu nem vou te falar por que estou louco. Só sei que, nem que seja a última coisa que eu faça na vida, eu ainda vou ter você para mim _ fala autoritário
Meu sangue ferve.
Como ele pode falar isso?
Como pode agir como se eu fosse alguma coisa que ele simplesmente pudesse decidir ter?
Antes de pensar melhor, levanto a mão e dou um tapa forte no rosto dele.
Nanda: Me respeite! Eu não vou ficar com você. Eu não sou obrigada a isso! — falo, apontando o dedo para ele.
MB fica alguns segundos em silêncio, aparentemente surpreso.
Então sua expressão muda.
MB: Não falei nada demais. E não bata na minha cara. Você não é minha mãe.
Ele devolve o tapa na mesma intensidade.
Meu rosto arde imediatamente.
Fico paralisada.
Não é apenas a dor física.
É tudo.
O medo.
A humilhação.
A sensação de estar presa novamente em uma situação da qual não consigo escapar.
MB se levanta e sai do quarto sem olhar para trás.
Assim que ele fecha a porta, corro até ela e a tranco.
Encosto minhas costas na madeira e começo a respirar rápido.
Não.
Eu não vou conseguir.
Não vou conseguir olhar para a cara da Viviane depois disso.
Não sei o que fazer.
Não sei para onde ir.
Só sei que quero ficar sozinha.
Vou até a cama completamente perdida, tentando fazer minha cabeça parar de pensar em tudo ao mesmo tempo.
Minha vontade é desaparecer daquela casa, daquela situação e, principalmente, dessa sensação horrível de estar suja e sem saída.
Tento me acalmar, mas minha mente não para.
As lágrimas voltam.
Pego um remédio para dormir, querendo apenas apagar por algumas horas e fugir de tudo aquilo dentro da minha cabeça.
Deito novamente.
Em pouco tempo, o cansaço vence.
Meus olhos ficam pesados e tudo ao meu redor começa a desaparecer.
A última coisa que penso antes de apagar é que eu só queria que aquela dor dentro de mim parasse.
Eu só queria, por algumas horas, não sentir absolutamente nada.
Além de tudo não consigo esqueci do maldito beijo.
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