Descoberta

1604 Palavras
Rachid olhava para o local descoberto por Lindsay sem acreditar que aquela garota pudesse ser tão ávida a descobertas, ela havia confirmado tudo o que Sean disse a seu respeito ainda mais depois que Bartley confirmou que ela estava certa quanto ao formato com que a areia estava depositada ali. ― Bom, existem duas hipóteses. ― comentou Bartley. ― O primeiro que pode ser uma brincadeira de mau gosto por parte das pessoas que assombram os outros nesse local e segundo pode ser que haja realmente algo que valha a pena explorar por aqui. Contudo, só existe uma maneira de saber que é escavando e eu opto por começar imediatamente. Lindsay sorriu e agradeceu a Bartley pelo apoio. Rachid não teve alternavas senão autorizar que o local fosse explorado em primeira mão. ― Está bem, avisem aos operadores que tragam as máquinas para retirar o excesso de areia. ― ele falou e em seguida olhou para Lindsay. ― Você vai ficar responsável por essa escavação, vê se não estrague tudo. Ela fez menção em revidar, mas Brandan pôs a mão em seu ombro e quando ela olhou para ele, seu colega sinalizou com os olhos de que não valia a pena. Lindsay entendeu que não seria com palavras que ela iria vencer Rachid, mas sim mostrando o seu potencial. Os operadores retiraram o excesso de areia da área que seria explorada e quando terminaram já passava do meio dia, diante disso eles decidiram comer alguma coisa e retornar após o período de descanso. Lindsay estava animada com tudo aquilo, ela não via a hora de começar a escavar e descobrir os segredos e encantos daquele lugar. Enquanto comiam, Rachid lhes trouxe um mapa e o colocou sobre a mesa, era o mapa da área que indicava estar situado na região que ficava ao Leste de Orítia. ― Mas pela entrada parece que há uma tumba ali. ― comentou Tissa. ― O problema é que no mapa mostra uma vila e não um cemitério. Por que será? ― Eu explico! ― respondeu Thomas. ― Pessoal, muitos comerciantes ricos daquele tempo costumavam enterrar seus mortos em seus terrenos, isso para que nunca saíssem de lá. ― Mas essa prática não era comum no antigo Egito, senhor Thomas. ― respondeu Jamal. ― A tradição egípcia sempre exigiu que seus mortos descansassem no lugar dos mortos. Se essa tumba está situada no terreno onde se encontrava a residência da família, há sim algo muito estranho nisso tudo. Rachid observava enquanto os demais discutiam, ele não podia descartar o fato de que aquele lugar estava ficando cada vez mais misterioso, porém ainda não era algo de se levar tão ao pé da letra assim. Depois de passado o período de descanso e todos retornaram ao local da escavação, algo curioso aconteceu durante o trajeto. O acampamento ficava a uns dois minutos de distância e quando retornava Lindsay pensou ver uma figura que os observava atrás de uma duna. Ela retirou os óculos para poder enxergar melhor e teve a certeza de que alguém os observava de longe. Lindsay caminhou devagar e foi até Rachid, de cabeça baixa ela apontou com o polegar na direção da duna, Rachid a princípio ignorou a garota, mas ao olhar para onde ela apontava, ele também percebeu. Disfarçadamente Rachid foi até um dos seus seguranças e contou-lhe o que estava acontecendo, o homem chamou mais dois guardas e foram averiguar, mas chegando lá viram apenas rastros, a pessoa já havia ido embora. ― O que está havendo? ― Sean perguntou preocupado com a movimentação dos guardas. ― Acho que por enquanto nada! ― Rachid respondeu. ― A senhorita Sullivan viu um homem misterioso nos observando escondido atrás de uma duna, eu também cheguei a ver a sombra do infeliz, mas quando Said foi investigar, o safado já tinha dado no pé! ― concluiu. ― Isso pode ser r**m para nós? ― inquiriu Sean, preocupado. ― Não! Absolutamente! ― Rachid exclamou com seguridade. ― Deve ser algum ladrãozinho de antiguidades querendo se aproveitar da facilidade, pois já começamos a parte difícil. Mas com os guardas aqui tudo o que ele pode fazer é nos observar de longe. Agora vamos trabalhar! Sean confiou em Rachid, mesmo sendo um ser desprezível, o egípcio se preocupava bastante com a segurança de todos ali. Além do apoio das forças de segurança da cidade, eles também contavam com a guarda pessoal do arqueólogo. *** A escavação avançou por vários dias, tudo era feito com bastante cuidado e mostrou que a teoria de Lindsay estava correta. A terra que cobria a tumba estava muito recente nas camadas de cima e compactada nas camadas mais abaixo, porém o estranho era que as camadas externas não haviam sido depositadas ali de forma natural como nas demais localizações, mas esse segredo só poderia ser desvendado quando eles entrassem na tumba. E foi exatamente isso que fizeram, a coisa estava tão empolgante que Rachid deixou o primeiro local e se juntou a equipe de Lindsay. Então eles abriram a tumba misteriosa. ― Eu não fico empolgado assim desde que descobrimos a tumba de um Faraó perto de Abull Simbel. ― falou Rachid com euforia. ― Vamos ver o que essa pessoa esconde aí dentro. Primeiro eles viram um corredor longo que parecia leva-los para baixo, eles tiveram de usar lanternas para chegar até o final. Por conta de estar fechada por vários milênios, a tumba tinha um cheiro de mofo muito forte fazendo Thomas espirrar feito louco, mesmo assim ele prosseguiu. O corredor os levou até uma câmara, provavelmente o local onde estava o sarcófago da pessoa que foi sepultada ali e quando mirou sua lanterna para o centro da câmara, Lindsay observou o sarcófago. Eles se aproximaram com cuidado, pois poderia haver alguma armadilha, mas para sua sorte não tinha nenhuma. Rachid lumiou o sarcófago e percebeu que no mesmo não havia inscrição alguma, porém Lindsay observou que do lado direito da parte superior estavam algumas poucas inscrições. ― Vejam isso aqui! ― ela chamando a atenção de todos. ― Tem algo escrito, mas falta uma parte desse símbolo aqui que se parece com um pássaro. ― Não podemos afirmar! ― respondeu Sean. ― Mas pelo que vejo fala de um homem que foi assassinado, mas não houve justiça! Poxa, coitado! ― concluiu. — Isso deve explicar o motivo de ter sido enterrado no quintal de sua casa. — replicou Thomas. ― Algo comum da época, mas na maioria dos casos só não havia justiça quando não se encontrava o assassino, ou a pessoa que matou deveria ser muito poderosa. ― respondeu Rachid. ― Não é muito diferente dos dias atuais. ― Lindsay comentou. ― Agora vejam isso! Parece que ele se chamava alguma coisa Phate. É o símbolo que falta, o que completa o nome do morto. Mas... pessoal. ― ela falou enquanto se levantava. ― Se essa tumba está fechada desde quando ele foi enterrado, por que não tem peças preciosas aqui? Alguém chegou antes de nós? E onde estão as urnas com os órgãos dele? Rachid colocou a mão no queixo e ficou pensativo quanto ao que Lindsay comentou, enquanto os outros examinavam as paredes ele ficou observando, pois, aquela tumba jamais havia sido violada antes e ao que tudo indicava, a pessoa ali era alguém bem sucedido. Mas Thomas chamou a atenção de todos ao observar uma inscrição na parede que ficava na cabeceira do sarcófago, ele chamou Brandan para traduzir. ― Isso é incrível. ― disse Brandan. ― Diz aqui que esse homem era um comerciante da vila Orítia e que gostava de aventuras, seu nome era Nephate e parece que ele não foi mumificado como faziam os antigos, ele foi enterrado completo. ― Brandan olhou para os outros, intrigado. ― Por isso não vimos às urnas com seus órgãos ao lado do sarcófago. Que estranho! Rachid estava encantado com tudo aquilo, mas olhou em seu relógio e comentou com Sean que estava na hora de retornar, pois logo ia anoitecer. Eles ficaram tão envolvidos na tumba que não viram a hora passar. Thomas e Candy aproveitaram para tirar fotos das paredes e Lindsay fez algumas anotações, mas antes de deixar o local, Lindsay olhou para a base do sarcófago e viu que ali havia algo saindo. Ela então foi averiguar e percebeu que se tratava da ponta de uma pedra, a jovem pegou a lanterna para verificar mais de perto. Rachid viu que Lindsay estava concentrada naquele local específico e a advertiu que já era hora de sair. ― Espera só mais um pouquinho que eu já vou. Preciso retirar essa coisa aqui. ― ela respondeu sem olhar para Rachid. O egípcio furioso bufou e foi até Sean para que ele pudesse convencer Lindsay de que não podiam ficar mais ali por causa de saqueadores. ― Lindsay, o Rachid tem razão dessa vez. Não podemos ficar mais, os seguranças estão aqui, porém não sabemos que tipo de armamentos esses caras têm e você já os viu por diversas vezes nos observando. ― Sean falou enquanto Lindsay seguia cavando. ― Pronto, já terminei. Agora podemos ir. ― ela abriu um sorriso, Sean balançou a cabeça e a seguiu. Do lado de fora o Sol já estava a se pôr quando Lindsay passou por Rachid sem dar muita atenção para ele. Ela foi diretamente até Brandan e mostro-lhe o artefato encontrado, o primeiro que eles tiveram acesso, mas sabiam que dentro do sarcófago poderia haver muito mais coisas interessantes. Rachid foi até ela perguntar o motivo de sua empolgação. ― Achei uma tabuleta, mas está suja. Deve ter algo nela!
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