Mistério

2082 Palavras
Lindsay mostrou a tabuleta para Rachid, mas o objeto mais parecia um tijolo velho. O egípcio resmungou e saiu de perto da jovem sem dar muita importância para o que ela falou, mesmo assim Lindsay seguiu seu propósito. Rachid ordenou que o sarcófago fosse retirado da tumba e levado para estudos no laboratório de arqueologia de Karnak, mas no momento em que os homens foram removê-lo algo estranho aconteceu. As paredes e tudo o que havia ao redor começaram a tremer deixando todos apavorados, alguns fugiram gritando que se tratava da maldição. Como era quase de noite, Rachid decidiu não forçar a retirada do sarcófago temendo um desabamento, Bartley com sua experiência percebeu que se tratava de uma armadilha, algo nunca visto, mas era comum nas tumbas dos Faraós. ― O que quer que estavam tentando proteger, fizeram bem feito. Mas amanhã vamos localizar a armadilha e desmontá-la, assim poderemos remover o sarcófago em segurança. ― disse Rachid dando a ordem para que todos retornassem ao acampamento. Ele falou em árabe. No trajeto de volta Lindsay e Sean conversavam, ela não soltava a tabuleta e sabia que naquele artefato havia alguma resposta. ― Eu nunca iria imaginar que existia uma armadilha ali. Como pode uma coisa dessas? ― ela perguntava olhando o Sol que se punha no horizonte. ― É muito raro encontrar coisas assim. Mas talvez não seja exatamente uma armadilha e sim por conta da estrutura que é antiga demais. Aconteceu exatamente igual com o pai da Candy, mas nós tivemos mais sorte do que ele. ― Sean respondeu, ele sempre olhava se o motorista estava prestando atenção na estrada. Lindsay olhou de volta para Sean com um singelo sorriso, ela sempre achou engraçado o fato de seu ex-professor ter medo de andar de carro. Já no acampamento ela não descansou, levou a tabuleta até uma bacia com água e começou a lavar com muito cuidado. Lindsay percebeu que o artefato era feito de argila, mas parecia haver outra mistura ali, uma mistura que ela não conseguiu identificar de imediato. A tabuleta tinha a cor marrom com escritas em relevo, algo sofisticado para a antiguidade, porém quando ela terminou a limpeza e olhou para o que estava escrito, não acreditou no que viu. ― Mas o que significa isso? Que símbolos são esses? ― ela se perguntava enquanto olhava mais de perto. ― Será que o tempo danificou a superfície da tabuleta? Lindsay pegou o artefato e foi até a tenda de Brandan, como era especialista em idiomas antigos, ela pensou que talvez ele pudesse ajuda-la, mas o pobre homem já estava dormindo, mesmo assim ela o acordou. ― Qual é Lindsay, olha a hora! ― reclamou resmungando. ― Já passa da meia noite e você vem me acordar assim? ― perguntou chateado. ― Desculpa doutor McCool, mas o assunto é urgente. ― ela sentando ao seu lado sobre a cama. ― Lembra-se da tabuleta que eu encontrei? ― Como esquecer? Rachid ficou uma fera por você ter desobedecido a ele. ― Brandan desferiu uma gargalhada. ― Mas o que tem ela? ― perguntou coçando a nuca. ― Ele ficou uma fera foi? Tadinho! ― comentou com ironia. ― Mas vamos ao que interessa! Me responde uma coisa, você já viu esses símbolos antes? Lindsay mostrou a tabuleta para Brandan que ficou assustado. ― Credo Lindsay! Que brincadeira é essa? Cadê a tabuleta que você encontrou? ― perguntou desconfiado pensando ser uma brincadeira da jovem. ― É essa daqui! E é isso que quero que você veja. Eu nunca vi esses símbolos antes! ― ela respondeu com confiança. Brandan pensou por alguns segundos, em seguida pegou a tabuleta e começou a examiná-la, mas isso fez com que ele ficasse ainda mais perplexo. ― Bem, eu reconheço pelo menos dois símbolos aqui. Esse e esse. ― ele apontou para um símbolo semelhante a um triângulo caído, este estava no canto esquerdo da extremidade superior. Já o segundo que Brandan identificou era semelhante a um traço na vertical sendo cortado por três traços na horizontal, mas este outro estava na extremidade inferior à direita. ― Esses dois são símbolos fenícios. Os demais eu não consigo identificar, devo fazer vários estudos, mas tenho certeza de que esses dois são símbolos dos povos da Fenícia. ― concluiu olhando de volta para Lindsay. ― Mas o que essa coisa fazia dentro da tumba de um egípcio? Ah lembrei ― ela com o dedo apontado para cima ― diz nas escritas que Thomas traduziu, que essa pessoa adorava viajar. Talvez ele tenha viajado para lá e trouxe esse artefato. ― concluiu. ― Pode ser, mas esses outros símbolos não são fenícios. E não se trata de uma brincadeira, pois a escrita está em relevo. Muito... Lindsay interrompe Brandan. ― Sofisticado para povos antigos! Isso foi o que pensei, mas vamos descansar. Pode voltar para a cama, amanhã eu não irei na escavação, vou até o laboratório em Karnak para estudar esse artefato. ― disse Lindsay tomando a tabuleta das mãos de Brandan. ― Posso ir com você? Poxa, seria bem legal e esse cara pode ter descoberto uma civilização que nunca vimos! Bom é só uma teoria. ― Brandan pediu com carinho, ele também gostava muito de Lindsay e via potencial nela. ― Claro que sim! Te espero pela manhã! Tchau! ― ela se despediu dando um beijo no rosto do arqueólogo. *** No dia seguinte bem cedo Lindsay e Brandan partiram para Karnak. Chegando na universidade eles foram recebidos pelo reitor que ficou empolgado com a nova descoberta. ― Vocês sabem que tudo o que for encontrado pertence ao Egito, não sabem? ― perguntou de modo um tanto grosseiro. ― Claro que sabemos senhor. Mas por hora só queremos estudar esse achado. Onde fica o laboratório de análises de carbono? ― Lindsay sendo educada, perguntou. O reitor os levou até o laboratório, mas no corredor Lindsay teve sua atenção chamada por uma figura peculiar. Era um homem bastante alto, cabelo comprido na altura dos ombros, barba no estilo cavanhaque e vestido de forma muito elegante. Ele não parava de olhar para ela e Brandan, mas Lindsay decidiu não encafifar com aquilo e seguiu seu caminho. Eles passaram dois dias na cidade frequentando o laboratório de análises e quando chegaram ao resultado final dos estudos, a idade do artefato causou impacto em Lindsay que estava só no momento. ― Como assim? ― perguntou Lindsay. ― Esses resultados não podem estar certos. ― indagou. Brandan que havia saído para comparar um sanduíche, retornou mastigando seu prêmio quando viu a expressão de Lindsay. ― O que aconteceu? ― perguntou ele lambendo os dedos. ― Por que está com essa cara? ― Brandan olha isso! Cada vez mais eu fico perplexa com aquela tumba. Veja a idade dessa tabuleta! ― ela entregou o papel na mão de Brandan. O arqueólogo colocou o que havia sobrado do sanduíche sobre a mesa e limpando a outra mão na própria camisa, ele caminhou enquanto lia as informações contidas ali. Brandan então olhou de volta para Lindsay com os olhos arregalados. ― Isso não faz o menor sentido. Além de ser uma mistura de argila com alguma coisa que não conhecemos, aqui diz que essa tabuleta possui vinte e três mil anos! Há vinte mil anos atrás estávamos na idade do gelo, o ser humano não fazia ideia de como desenvolver uma escrita com esses padrões. ― ele levantou a cabeça. ― Lindsay o que está acontecendo aqui? Lindsay sinalizou com as mãos de que também não entendia nada daquilo, eles haviam feito uma descoberta que poderia mudar os rumos da história. Uma parte que a humanidade não conhecia e a solução do mistério poderia estar dentro do sarcófago de Nephate, era hora de irem atrás desse mistério e desvendá-lo. No mesmo dia eles retornaram para o acampamento, Rachid já estava uma pilha por que os dois demoraram mais do que o previsto. No entanto Brandan enfurecido mandou o egípcio calar a boca e ouvir o que ele e Lindsay tinham a dizer. ― Nós ficamos fora todo esse tempo para ter certeza do que descobrimos. ― disse Brandan. ― Ah é? E o que de tão extraordinário vocês encontraram? ― Rachid perguntou em tom de deboche. Lindsay se aproximou e lhe entregou o papel contendo o resultado da análise da tabuleta. Rachid leu e também arregalou os olhos. Sean não se aguentou de curiosidade e tomou o papel das mãos de Rachid, ele também teve a mesma reação. Então foi um efeito dominó, todos tomaram o papal das mãos dos que iam lendo e todos igualmente reagiram. ― Isso é impossível. ― Sean quebrando o ciclo. ― Isso muda completamente a história como ela foi contada! ― Concordo! E nem tem como contestar a autenticidade do artefato, já que nós o vimos ser retirado da base do sarcófago. ― confirmou Rachid. ― E por falar em sarcófago, ― Lindsay entrando na conversa ― temos de examiná-lo, pois Brandan e eu suspeitamos de que as respostas estejam dentro dele. ― Ainda não conseguimos localizar as armadilhas, é praticamente impossível removê-lo sem causar danos aos arredores. Vamos ver o que os militares podem fazer, por que nossos maquinários são ineficazes para essa operação! ― respondeu Rachid, um tanto desolado. Thomas pensou um pouco e logo teve uma ideia. ― Acho que se o morto quer descansar ali, vamos realizar o desejo dele! Vamos examinar dentro da tumba. ― sugeriu. ― Que ótima ideia Tom, por que ninguém pensou nisso antes? ― Lindsay olhando para Rachid. ― Sim a ideia é boa. ― Sean comentou. ― Mas devemos ter cuidado, pois o mesmo que aconteceu quando tentamos retirar o sarcófago da tumba, pode acontecer se tentarmos abri-lo. ― Sean tem razão. ― foi à vez de Rachid comentar. ― Podemos fazer o que o Thomas disse, mas que seja feito com a máxima segurança. Eu estou responsável por todos vocês aqui e não vou deixar que ninguém, nenhum de vocês sofra algum dano estando sob minha responsabilidade! Vou mandar buscar alguém que tenha conhecimento nessa área para que possa abrir o sarcófago, até lá eu não quero ninguém dentro daquela tumba. Todos concordaram e Rachid saiu da tenda de reuniões indo para a sua. Chegando lá Jamal estava a sua espera, ele contou ao seu assistente que o mistério estava se tornando cada vez maior e que daquele dia em diante iria ser mais tolerante com Lindsay, pois foi pela intrepidez dela que eles conseguiram encontrar o que poderia ser o maior achado da história. Jamal não contestou, mas ficou desconfiado se o que Rachid disse era apenas pelo talento da irlandesa ou se tinha algo mais. *** No dia seguinte a equipe foi escavar do lado de fora da tumba, pois viram que não era seguro entra lá dentro. Lindsay havia chamado Candy para ajudá-la, pois há cerca de duzentos metros da tumba eles localizaram o que poderia ser a casa de Nephate. Eles encontraram muitos objetos como xícaras, taças feitas de argila e alguns pratos, tudo com valor histórico. Rachid foi até ela para ver como as duas estavam se saindo, foi quando o egípcio começou a agir como se estivesse farejando algo. ― O que foi? ― Lindsay perguntou. ― Está acontecendo alguma coisa? ― Esse cheiro! Parece perfume. É você quem está usando? ― ele perguntou a Lindsay. ― Não! ― ela respondeu achando estranho. Candy ouviu do que estavam falando e toda sorridente disse que o perfume era o que ela estava usando e perguntou se ambos haviam gostado do aroma. Rachid olhou para Lindsay cheio de fúria, em seguida voltou-se para Candy e caminhou em sua direção. ― Retardada! ― ele gritou olhando para Candy, a garota se tremeu toda. ― Será que não te ensinaram que não se deve usar perfumes durante as escavações? Suma daqui e não apareça mais na minha frente entendeu! O olhar de Candy para Rachid era o mesmo de um animalzinho indefeso e coagido por um predador, além mais o homem ficou parado em sua frente fazendo menção de agredi-la. Lindsay vendo aquilo, não se conteve e levantando-se rapidamente, se dirigiu ao egípcio de forma ostensiva, virando-o para si, nesse momento Thomas que estava há alguns metros de distância foi para junto dos três, pois viu que aquela discussão não terminaria bem se não tivesse interferência. ― Escuta aqui, qual é o seu problema, hein? ― Lindsay perguntou-lhe virando-o de frente para ela.
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