Helena:
Esses dias têm sido cansativos e trabalhosos, já era nesse sábado a recepção e eu estava resolvendo tudo que a Zoe não podia fazer em meu lugar.
Quinta-feira volto para casa e acabo pegando no sono de tão cansada que estava. Acordo na manhã seguinte deitada no sofá, Gean dormia sentado, senti pena por ele dormir de mau jeito e me ceder seu lugar.
Espreguiço e vou até a cozinha, queria solicitar um café especial para nós, principalmente para ele por ser cavaleiro.
— Bom dia! — falo feliz.
— Bom dia, senhora. Está animada.
— Hoje sim. Poderia fazer um café especial?
— Sim. Teremos visitas?
— Não, é só para agradecer ao Gean por ser cavaleiro e me ceder seu lugar.
— Ele é um fofo, se me permite dizer, ficou ao seu lado por muito tempo, com medo de a senhora cair. Buscou a senhora no carro, a cobriu, fez carinho por muitos minutos. Ele é um menino de ouro.
— E por que ele não foi dormir no quarto?
— Quis dormir perto da senhora, te vigiando.
— Ele é um menino bom.
Me sento e a encaro por minutos, enquanto a mesma fazia o café. Após pronto e enquanto ela arrumava a bandeja, eu vou chamar o Gean para o quarto.
Após subirmos, eu tomar banho e vestir uma lingerie bonita e ele quase dormir, tomamos café e depois tivemos relações. Em pouco tempo, ele me irrita e eu vou tomar banho. Após segundos debaixo do chuveiro, sinto o esperma dele descer de mim, grito irritada, indo até ele.
— Você gozou em mim!
— Não tenho certeza — diz sonso.
— Você gozou em mim! Eu vi, senti!
— Me desculpa, não foi a intenção, mas você estava gostosa demais, não consegui segurar — diz, se sentando.
— E agora, se eu engravidar de você sem saúde suficiente para me dar um bebê saudável?
— Fica tranquila, de mim você não engravida tão cedo.
— Por quê? — olho confusa.
— Tenho e faço o possível para ter baixa produção de espermatozoides, para não engravidar nesse momento, dessa forma.
— Quer que seja na inseminação ou você está boicotando para viver perto de mim?
O mesmo me olha ofendido.
— Não quero viver a vida toda às suas custas, quero crescer assim como me prometeu e disse que eu também podia. Quero que engravide e tenha seu bebê, mas que venha saudável-levanta irritado.
Fico quieta por segundos, tentando formular uma frase menos agressiva.
— Pelo visto, me acha um inútil, um mau-caráter.
— Claro que não — falo baixo.
— Mas, da forma que disse, parece que sim.
— Achei estranho não querer me engravidar logo.
— Vai querer um bebê fraco, que pode falecer a qualquer momento?
— Mesmo não estando tão saudável, ainda pode me dar um bebê e ele vir mais saudável que nós dois.
— Mas pode ser que não venha… não quero arriscar. Mas se quiser, eu paro hoje tudo que faço e te dou seu filho.
O mesmo estava muito incomodado, sua expressão de raiva era nítida, o que não combinava com seu rosto pacífico. Puxo seu rosto para perto, segurando seu pescoço. O mesmo estava confuso, então beijo sua boca, nossas línguas brigavam sedentas por espaço.
Fecho meus olhos e sinto por fim a sensação boa que não sentia há anos, eram os sentimentos mostrando que eu gostava desse garoto, gostava de seu toque, beijo, corpo.
O mesmo me puxa para cima e eu agarro minhas pernas em seu quadril. Ele me leva até a parede e me prensa lá, solta minha boca e beija meu pescoço, além de abocanhar meus s***s.
— Chega de sexo — falo num gemido.
— Tudo bem.
Voltamos a nos beijar, até que ele se desvencilhou de mim, me pôs de pé no chão, me deu um selinho e saiu do meu quarto, me deixando ali, estática.
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Dias passaram e ele falava o básico comigo, não tentava se aproximar intimamente e se mantinha distante de mim. Isso estava me irritando, ainda mais após descobrir que gosto dele.
Já era sábado e fui passar a manhã na espreguiçadeira, estava tomando um solzinho, queria ficar menos branca para a recepção mais tarde.
— Senhora? — chega um dos trabalhadores.
— Oi?
— Terminamos de reformar o quarto de hóspedes.
— Mostre para o Gean, logo irei dar uma olhada.
— Sim, senhora.
Ele se vai e, após minutos, é minha vez, entro em casa e caminho até o quarto de hóspedes que fica perto do meu. A porta estava entreaberta, bato duas vezes e logo a abro.
— Está lindo — digo, olhando detalhe por detalhe.
— Verdade — diz Gean entusiasmado, olhando também tudo.
— Que bom que você gostou… esse agora é seu quarto.
— Obrigado — ele me olha — está bem?
— Sim, e você?
— Bem… desculpa.
— Pelo quê?
— Ficar mais sério que o normal, tenho sido quem não sou e olha que não sou muito orgulhoso, mas…
— Mas o que disse te feriu — falo pensativa, o cortando.
— É, mas passou.
— Não o suficiente, mas tudo bem, admito que usei um tom r**m. Mas não somos todos perfeitos.
— Entendo.
— Bom, vou terminar de tomar meu sol — me viro para sair dali.
— Que tal estrear o quarto comigo hoje? — olho com a sobrancelha arqueada — sei que a cama é pequena e não se sentirá tão confortável quanto na sua, mas queria me acostumar e nada melhor que estar perto de você.
— Tudo bem, durmo aqui sem problemas.
— Obrigado — sorriu ameno.
— E não esqueça de escolher a melhor roupa que tiver — falo saindo.
— Para dormir? — questiona confuso.
— Não, para a recepção. Não te avisei?
Ele fecha os olhos e tenta lembrar de algo, até que solta um “Ataaaaa”
— Desculpa, esqueci.
— Tudo bem, entendo, você anda trabalhando muito.
— Como sabe?
— Alguns lugares têm câmera, te vejo fazendo o trabalho dos empregados.
— Desculpa, eu não sabia que não podia.
— Não tem problema, ajudar e ocupar a mente, mas imagino que eles queiram trabalhar. Se tirar o trabalho deles, como vão sustentar suas famílias?
— Posso fazer e você pagá-los mesmo assim.
— Não quero ser chata, mas sou a favor da meritocracia, se você trabalha no lugar deles, você ganha e eles não.
— Se eu ganhar, eu dou a eles.
Sorrio, incrédula e, logo após, molho os lábios com a ponta da língua.
— Você é realmente um rapaz peculiar…
— Somos parecidos, só que de jeitos diferentes.
— Talvez.
Ultrapassou a porta.
— Esteja pronto até às 20:00.
— Sim, senhora — bate continência.
Volto para espreguiçadeira.