capitulo 105

1024 Palavras

Isabela narrando Eu ainda tava sentindo o gosto de sangue na boca quando tudo ficou quieto demais. Não aquele silêncio bom, de paz. Era um silêncio pesado, que parecia grudar na pele, entrar pelo nariz, apertar o peito. Minha cabeça doía, o corpo inteiro doía, mas nada doía mais do que a confusão dentro de mim. Eu tava viva. E isso, por algum motivo, parecia errado. Fiquei sentada no sofá, abraçando minhas pernas, sentindo o cobertor pesado em cima dos ombros. Cada vez que eu fechava os olhos, eu via o rosto dele. O olhar cheio de ódio, a mão levantada, a voz gritando que eu era dele, que ninguém mais ia me querer, que eu merecia aquilo. Abri os olhos rápido, assustada, respirando fundo. Meu irmão tava ali. Perto demais. Parado demais. Como se tivesse medo de se mexer e eu desaparece

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