Gabriela narrando Quando eu olhei pra ela naquele sofá, um choro doído, toda machucada, com o corpo tremendo, eu soube na hora. Soube com uma certeza que doeu no peito. Eu sabia exatamente o que a Isabela estava passando. Não porque alguém me contou. Mas porque eu já estive ali. No mesmo lugar de medo, vergonha, dor e culpa que não era minha. Meu coração apertou de um jeito que eu quase não conseguia respirar. Olhei pro Morte, que estava encostado perto da porta, postura dura, olhar atento em tudo. Ele percebeu na hora o jeito que eu fiquei. Não precisei falar muita coisa. — Deixa eu falar com ela — pedi, a voz mais baixa do que eu pretendia. — Só eu. Ele me analisou por alguns segundos, como se estivesse pesando risco, perigo, tudo. Depois assentiu devagar. — Pode ir. A gente fica a

