Maya narrando Eu acordei com o bip. Não foi aquele som distante que dá tempo de virar pro lado e fingir que não ouviu. Foi o bip insistente, urgente, cortando o silêncio do quarto como uma lâmina. Meu corpo reagiu antes mesmo da minha cabeça entender. Sentei na cama num pulo, o coração já acelerado, a mão tateando o criado-mudo até encontrar o rádio. Quando o posto chama daquele jeito, não existe opção. Não existe “só mais cinco minutos”. Emergência é emergência, e a gente aprende cedo que cada segundo conta. — Posto, aqui é a Dra. Maya — falei, a voz ainda rouca de sono. Do outro lado, a enfermeira não perdeu tempo com explicações longas. A voz dela saiu tensa, carregada de pressa. — Dra. Maya, a gente precisa de você agora. A Gabriela acabou de dar entrada. Sinais de coma alcoólico

