capítulo 95

1069 Palavras

Maya narrando Eu já tinha decidido desde cedo que aquela noite não ia ser comum. Baile não é só música alta e luz piscando no escuro, é fuga. É um respiro. É esquecer, nem que seja por algumas horas, o peso que a vida insiste em jogar nas costas da gente. E eu sabia, do fundo do peito, que a Gabriela precisava disso. Mesmo sem admitir. Mesmo fingindo que não. Eu estava no meio do caminho de casa quando vi ela vindo na minha direção. Andava devagar demais, cabeça baixa, passos curtos, aquele jeito de quem carrega o mundo inteiro pendurado nos ombros. Era sempre assim. Sempre tinha silêncio demais nela. Pensamento demais. — Gabi?! — chamei, abrindo um sorriso antes mesmo de saber se ela ia retribuir. Ela levantou o rosto, surpresa, como se tivesse sido arrancada de algum lugar longe.

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