Gabriela narrando Eu não tive escolha. Dom e o Morte decidiram que eu ia morar lá, e, pela primeira vez na minha vida, isso não me deu vontade de fugir. Não me senti invadida, nem diminuída. Me senti… cuidada. Amparada de um jeito que eu já tinha esquecido que existia. No fim do dia, a Maya me deu alta. Mas não foi simples. Teve sermão, teve olhar sério, teve lista de recomendações que parecia não ter fim. Repouso. Hidratação. Nada de bebida. Alimentação regrada. Acompanhamento. Eu concordei com tudo, sem discutir. Prometi que não ia beber. E prometi de verdade. Eu não tentei me matar. Isso nunca passou pela minha cabeça. O que eu tentei foi calar uma dor que rasga a alma por dentro. Aquela dor que não faz barulho, mas não dá trégua. A dor de perder um filho, de ter sido traída da pior

