Cobra narrando Eu tentei não ficar olhando muito pra Maya lá embaixo. Juro que tentei. Troquei ideia com uns aliados, dei volta no camarote, conferi rádio, observei a movimentação da pista, fiz reposição de droga, tudo no automático. Corpo no corre, cabeça fingindo foco. Mas meus olhos sempre voltavam pra ela. Era impossível não achar a Maya naquela roupa vermelha. Ela não precisava fazer esforço nenhum. A saia colava no corpo do jeito certo, e cada movimento parecia acompanhar a batida da música, como se o som tivesse sido feito pra ela dançar daquele jeito. Aquela b***a se movendo em sincronia com o grave era uma provocação silenciosa que me deixava louco. Eu desviava o olhar à força, como quem foge de um perigo conhecido. Só que quanto mais eu evitava, mais sentia o sangue ferver. A m

