Isabela narrando Assim que eu cheguei no baile com o John, eu já senti aquele aperto conhecido no peito, como se meu corpo soubesse antes de mim que a noite não ia acabar bem. A música estava alta, o chão vibrava com o grave, luzes coloridas cortavam o ar e tinha gente pra todo lado, rindo, dançando, vivendo. Todo mundo parecia livre. Menos eu. A gente nem deu uma volta direito. Entramos e seguimos direto pra onde ele sempre fica com os amigos. Eu já conhecia aquele caminho de cor. Era sempre o mesmo canto, meio afastado da pista, onde eles montavam a rodinha, colocavam o narguilé no centro e passavam bebida de mão em mão como se o dia seguinte não existisse. Foi ali que ele me colocou sentada, quase empurrando, como quem deixa um objeto no lugar certo pra não atrapalhar. — Fica aí — el

