Dom narrando Eu acordei naquele dia com medo. Não foi um medo normal, tipo de pesadelo ou de escuro. Foi um medo diferente, que fica no peito e não sai. Quando abri os olhos, a primeira coisa que eu pensei foi na Gabriela. Porque eu lembrava dela fria. Gelada. Sem acordar. E toda vez que eu lembrava disso, meu coração batia rápido demais. Eu tava sentado numa cadeira do hospital, com os pés balançando no ar porque não alcançavam o chão direito. O hospital era silencioso, mas fazia barulho ao mesmo tempo. Tinha apito, gente andando, gente falando baixo, cheiro estranho que eu não gostava. Eu segurava um copo de água que já tinha esquentado fazia tempo, mas não bebia. Meu tio tava em pé, encostado na parede, com os braços cruzados. Ele parecia bravo, mas eu sabia que não era isso. Ele t

