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1497 Palavras
A MANHÃ DA HUMILHAÇÃO Olivia acordou no outro dia seu corpo cansado como se estivesse estado em uma batalha, era realmente terrível acordar assim. Ela olha para a aliança, aquilo era fino, sem graça, mas rainha um grande peso na sua vida agora. Estava casada, com Eros Capón, o homem mais c***l que ja viu na vida. Se levanta, vai até o banheiro, seu banho é rápido, estava com fome, precisava comer algo, iria agora cedo com todos dormindo, assim não precisaria ser humilhada por comer um pao, ou uma bolacha. Colocou uma calça clara, uma camiseta curta, mas larga, combinando com a calça, calacou seus chinelos, amarrou os cabelos, e desceu. A casa estava silenciosa, grande demais, fria demais, pingando luxo, ostentando. Mas não tinha vida, não tinha sequer um som, tudo silencioso, tudo quieto e congelante. Olivia desceu as escadas com passos leves, quase cuidadosos, como se tivesse medo de fazer barulho demais e chamar atenção indesejada. O corpo ainda doía, não fisicamente, mas por dentro, como se tivesse sido esmagada, a noite anterior ainda ecoava na mente dela. A água, o desespero, o quarto, a faca. Eros. Aquele homem que exalava masculinidade, mas que era seu algoz c***l. Ela apertou levemente os dedos ao redor do corrimão, aquele lugar era lindo, não podia negar, mas era como sua prisão. — Só comer… e voltar pro quarto. Simples e rápido. Ela sussurrava para si mesmo, queria ir sem ser vista, sem ser humilhada, pelo menos uma vez. Quando chegou à cozinha, percebeu que estava vazia, nenhum dos homens da casa, nenhuma das figuras que a olhavam como se ela fosse sujeira. Apenas funcionários, que também não a olhavam, ou melhor, a gnoravam, como sempre, como se ela não existisse, como se fosse invisível, e aquilo. Aquilo doía, mas ainda era melhor do que ser alvo direto. Olivia respirou fundo, entrou, pegou algumas frutas, um copo, serviu suco, simples, discreto, ela se sentou em uma das cadeiras, sozinha, o silêncio da cozinha era estranho. Quase reconfortante, ela levou um pedaço de fruta à boca, devagar, como se estivesse reaprendendo a fazer algo básico, comer, viver, respirar, por alguns segundos, parecia normal. Quase. Até a porta se abrir, o som foi seco. Pesado, Olivia congelou, não precisava olhar para saber, mas olhou, Domingo Capón, atrás dele dois homens mais velhos, imponentes, com o mesmo olhar frio, mesma postura, mesma presença de poder. Olivia não os conhecia, mas não precisava, eles eram importantes, muito importantes, o ar mudou, ficou mais pesado, mais perigoso. Domingo entrou devagar, observando, o olhar caiu direto sobre ela, sentada, comendo, como se tivesse direito, o desprezo veio imediato, cru, visível. Domingos só conseguia olhar para ela, e lembrar de sua familia morta, o ódio o dominava, aquela vários representava a dor que sente até hoje, e que nunca vai parar. — Olha só… — a voz dele saiu baixa — a convidada resolveu aparecer. Olivia não respondeu, mas o corpo ficou tenso. — Ou devo dizer… a v***a da casa. As palavras foram como um tapa, ela engoliu seco, tentando manter o controle. — Eu só estou comendo. — Você não come aqui. Domingo caminhou até ela, parou diante da mesa, plhou para o prato, e então, empurrou, a fruta caiu no chão, o copo virou, o suco espalhou, Olivia se levantou. — Por quê você faz isso? A voz saiu trêmula, mas firme, erro, Domingo sorriu, um sorriso feio, c***l. — Porque posso e porque sua família merece. Ele se inclinou levemente. — Porque você não é nada. O olhar dele escureceu. — Uma qualquer. — Eu sou esposa do seu filho. Olivia fala como se Eros fosse seu protetor, mas sabia bem que ele queria seu m*l tanto quanto o pai, mas mesmo assim tentou. — Não. — a resposta veio rápida, cortante — Você é a desgraça que ele trouxe pra dentro da minha casa. O silêncio caiu, pesado, os dois homens observavam, em silêncio, avaliando. — E ainda por cima… — continuou Domingo — nem pura você é. Olivia travou. — O quê? — Achou que eu não saberia? Ele riu. — Achou que poderia enganar? — Eu não estou entendendo— — Cala a boca! v********a. A voz dele ecoou na cozinha. Os funcionários desapareceram discretamente. Ninguém queria estar ali. — Esses homens — ele apontou para os dois atrás dele — vieram testemunhar a v***a que meu filho casou. Olivia olhou para eles, o coração disparando. — Testemunhar o quê? Domingo se aproximou mais. Muito perto. — Que meu filho se casou com uma mulher imoral. O sangue dela ferveu. — Isso é mentira! — É? Ele inclinou a cabeça. — Então por que não sangrou? O silêncio explodiu, Olivia ficou pálida. — Eu… — O que foi? — ele provocou — perdeu a voz? Meu filho ja me contou que é uma v***a, que não era pura para se casar com alguem como meu filho, o Don Capón, futuro capo dei capi. Ela apertou os punhos, com o estômago embrulhado pelas palavras horrendas. — Eu sou virgem. Os homens trocaram olhares. Domingo riu. — Patético. — Eu estou dizendo a verdade! — Então prove. — Eu não tenho que provar nada! — Tem sim. A voz dele ficou mais fria, mais perigosa. — Porque você envergonhou o nome Capón. Olivia deu um passo para trás. — Eu não fiz nada! — Você nasceu. Silêncio brutal. — Filha de assassino. — Eu não pedi para estar aqui, fui forçada — Nós tivemos que te aceitar, mas a partir do momento que a cúpula souber que não é a menininha inocente que imaginam, seu destino e do seu pai será definido. As palavras pesaram, ela respirou fundo, tentando não chorar. — Não preciso ouvir você seu asqueroso. Ele deu mais um passo, a mão levantando. — Eu vou te ensinara ter respeito— Antes que pudesse terminar, uma voz cortou o ar. — Não toca nela. Silêncio, todos se viraram. Eros. Parado na entrada, olhar escuro, perigoso, impenetrável. — Só eu toco nela. O clima mudou, instantaneamente, Domingo estreitou os olhos. — Você chegou cedo. — O suficiente. Eros entrou, lassos lentos, controlados, o olhar passou por Olivia, rápido, mas suficiente para ver, o prato no chão, o corpo dela tenso, os olhos vermelhos. E algo dentro dele… endureceu mais. Ele parou diante do pai. — Terminou? — Ainda não. — Então termina. A voz dele era calma, mas havia algo por baixo. Algo perigoso, Domingo cruzou os braços. — Estamos apenas esclarecendo uma coisa. — Já esclareci. — Não pra eles. Os dois homens observavam em silêncio, esperando, Eros não respondeu, por alguns segundos. Então… Ele esticou o braço, e jogou, o tecido caiu no chão, diante dos homens. O lençol manchado com sangue. O silêncio foi absoluto, pesado, definitivo. — Ela era pura. A voz de Eros foi firme, sem dúvida sem espaço para questionamento. — Vocês se enganaram. Os homens olharam, depois assentiram, sem palavra, sem questionamento, sem discussão, aquilo bastava,eles se viraram, e saíram, simples assim. O poder de Eros era suficiente, a verdade dele era suficiente, a porta se fechou, e o silêncio voltou, mas agora, era diferente, Domingo olhava para o lençol, depois para Eros, depois para Olivia. — Interessante. A voz saiu baixa, mas carregada. — Muito interessante. Eros não respondeu. — Você protegeu ela. — Não. Só contei a verdade. —Não. O olhar do pai escureceu. — Você fez uma escolha. — Não tem escolha, eu não poderia mentir para capo dei capi, ela ainda era pura. Os dois se encararam, tensão pura, até que Domingo riu baixo. — Ela ainda vai sofrer, isso não importa. Dante vai pagar por tudo que fez. Ele se virou, e saiu. Deixando os dois sozinhos, Olivia estava imóvel, ainda tentando processar, ainda tentando entender, Eros virou o rosto, oolhar encontrou o dela, por alguns segundos, longos demais, intensos demais. Ele geralmente odiava que o olhassem nos olhos, a expressão das pessoas sempre mudavam quando encaravam sua cicatriz, seu olho morto, mesmo tentando disfarçar, sempre era olhar de nojo. Mas ela, essa garota, o olhava como se a cicatriz não existisse, como se ele não fosse asqueroso. E isso era… p***a, isso devia ser nada, ela é só uma vingança. Ela tenta se convencer. — Limpa isso. A voz veio seca, apontando para o chão. — Não fui eu quem fiz isso. — Não perguntei. — Não vou limpar. — Não esta em posição de questionar qualquer coisa menina. — Me deixa em paz. — Devia é ser grata, eu praticamente impedi sua morte. — Impediu apenas para que tivesse mais tempo de me humilhar. Eros olha para aquele rosto tão perfeito, aquele nariz arrebitado, empinado, a boca rosada, carnuda, apetitosa, e aqueles olhos… Eram de uma beleza impressionante. — Atrevida. E ele saiu, como se nada tivesse acontecido, como o dono do mundo. Como se fosse o rei de tudo, inclusive dela.
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