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1289 Palavras
O PREÇO DO CONTROLE Eros saiu da mansão sem olhar para trás, mas a imagem dela continuava ali, grudada, irritante, persistente, extremamente linda. O modo como Olivia o encarava… sem desviar, sem repulsa, sem medo do rosto marcado. Ele odiava quando olhavam. Odeia desde sempre, o olho morto sempre foi motivo de desconforto, as pessoas fingiam não perceber, mas percebiam, e por mais que tentassem disfarçar, olhavam com nojo, repulsa, e isso o irritava. Mesmo que não ligasse tanto, irritava, porque ele não tinha paciência, se olhasse demais era o fim. O leve recuo, o desvio rápido, o constrangimento m*l disfarçado, ele via tudo, sempre viu. Mas ela não. Olivia olhava diretamente, como se a cicatriz fosse apenas parte dele, como se não fosse algo grotesco, como se ele, não fosse grotesco. E aquilo o desmontava, lidava com o olhar de nojo de repulsa, mas o olhar firme dela, como se ele não fosse um monstro desfigurado, era como se ela tivesse a chave para desmontar ele todo por dentro. Ele entrou no carro sem dizer uma palavra, o motorista apenas assentiu e arrancou, a cidade de Madrid se estendia elegante e indiferente do lado de fora do vidro escurecido. Luxo, história, poder, exatamente o tipo de cenário que combinava com o nome Capón, mas sua mente estava longe dali. Estava em um par de olhos de cores diferentes, em um rosto teimoso, em uma menina que deveria odiá-lo, mas que não abaixava a cabeça. Aquilo era um problema grande demais, ele precisava recuperar o controle, e rápido. A casa dos Montoya era tão luxuosa quanto a mansão Capón, mais tradicional, mais… política, a família Montoya era uma das mais influentes da cúpula espanhola. Aliados antigos, mas Eros não confiava totalmente, nunca confiava, confiança era fraqueza, Eros entrou no escritório de Juan Montoya sem anunciar, como sempre fazia, o homem levantou da cadeira imediatamente. Sorrindo, mas o sorriso não chegava aos olhos. — Capón. — Montoya. O aperto de mão foi firme, testando força, testando limites, sempre. — O carregamento chegou intacto — disse Juan — maior operação que já fizemos juntos. — E espero que a última vez que precise confirmar isso pessoalmente. Juan riu baixo, Eros Capón era um aliado valioso, mas perigoso demais para pensar em fazer qualquer besteira. — Ainda não confia em mim? — Confiança não faz parte dos meus negócios. O homem assentiu, esperava essa resposta, eles sentaram, q mapa da rota estava aberto sobre a mesa, armas, dinheiro, influência, tudo aquilo era rotina para Eros, tudo simples, previsível, controlável. Diferente de Olivia. Eros xinga a si mesmo em pensamento por já estar pensando nela novamente, aquela garota de olhos perfeitos, estava mesmo dominando sua mente. Juan cruzou os dedos sobre a mesa. — Seu casamento causou… comentários. Eros não respondeu. — A filha de Dante… — Cuidado. A palavra saiu baixa, mas perigosa, Juan ergueu as mãos levemente. — Apenas observação política. — Então observe em silêncio. O clima ficou tenso por um segundo. Juan mudou de assunto, inteligente. — Depois que a situação com Dante terminar… imagino que resolverá o restante. Eros estreitou levemente os olhos. — O restante? — O divórcio. Silêncio, pesado daqueles que Eros não gosta nenhum pouco. — Para casar com Amália, minha filha, sua melhor amiga desde a infância. O erro foi dito, Juan percebeu tarde demais, porque o olhar de Eros mudou, frio, afiado, letal. Aquela cicatriz repulsiva em seu rosto, ficou ainda mais pavorosa que o normal. — Eu não lembro de ter te dado liberdade para comentar minha vida pessoal. A voz saiu baixa, controlada, mas perigosa, Juan limpou a garganta. — Foi apenas uma suposição… — Não suponha nada sobre mim. Nunca. O silêncio ficou constrangedor, o homem riu sem graça. — Claro… claro… foi um erro que não cometerei mais. A porta se abriu, sem aviso, Amália entrou, Eros percebeu imediatamente, ela estava furiosa, os olhos brilhando, o corpo rígido. A postura de quem já vinha acumulando ódio há horas. — Preciso falar com você. Eros nem sequer virou completamente. — Depois. — Agora. O tom dela cortou o ar, Juan levantou-se rapidamente. — Acho que devo deixar vocês… Inteligente novamente, ele saiu, fechando a porta, o silêncio ficou pesado, Amália caminhou até a mesa, os saltos ecoando no chão de madeira escura. — Ela era virgem. Não era pergunta, era acusação, Eros finalmente levantou o olhar. — Como você sabe disso? — Todos sabem. Ela fala alterada, mas não verdade, ela estava lá escondida. O maxilar dele tensionou. — Isso não é assunto seu. — Você dormiu com ela? A pergunta veio carregada de raiva. Ciúme. Orgulho ferido. — Ela é minha esposa. Resposta simples, direta, mas que atinge Amália como um punhal, Amália riu. Um riso nervoso, instável. — Você disse que ela era vingança. — E é. — Então por que tocou nela? Você disse que não a tocaria, que só a humilharia dize do a todos que não era “pura”. — Amália, não se intromete nisso. Silêncio, Eros se levantou, devagar, imponente, dominante. — Eu nunca prometi nada a você. A frase caiu pesada, ela ficou imóvel. — Nunca. Amália apertou os punhos, era verdade, mas no fundo sempre acreditou que eles casariam. — Você disse que ela não significava nada. — E não significa. — Eros falou aquilo mais para si mesmo do que para ela. — Então por que todos agora sabem que ela era pura? A cúpula não vai deixar matar ela. O olhar dela estava cheio de veneno. — Porque eu não minto para a cúpula. — Você protegeu ela, a filha do assassino da sua mãe e sua irmã. — Ela não é ele. As palvras de Eros saíram antes mesmo de ele pensar, Amália o olha em total choque, ele falou isso mesmo. Depois de anos ouvindo ele falar de tudo que faria para se vingar de Dante, da familia do Dante, agora é fala isso. — Você a poupou. — Não confunda as coisas. A voz dele ficou mais fria. Mais perigosa. — Você ainda recebe para fazer o que eu mandei. Eu te pago para provocar ela, não para discutir minha vida. Amália piscou. O orgulho ferido latejando. — Eu não sou sua funcionária. — Recebe como se fosse. Silêncio, doloroso, ela se sentia humilhada, mas não abaixaria a cabeça, teria o que esperou por anos. — Continue provocando ela. — Você quer que eu continue humilhando sua esposa? — Eu quero que continue fazendo o que foi combinado. Ele se aproximou um passo. — E se ultrapassar seus limites… A ameaça ficou implícita. Mas clara. — O acordo acaba. Amália sentiu, o aviso era real, ele não estava brincando. — Você está mudando. — Não estou. — Está sim, e nem conhece ela tempo suficiente para mudar. Ela se aproximou,o olhar intenso. — Você nunca mentiu por mulher nenhuma. — Eu não menti. — Você nunca se importou com inocência de ninguém. E você m*l me toca, não tocaria nela, eu sei, você mentiu. Silêncio. — Não menti e aceite isso. Ele respondeu frio, mas nem ele acreditou completamente, Amália percebeu, e odiou ainda mais. Porque pela primeira vez… Ela não tinha certeza do lugar dela. E isso… Era inaceitável. — Não esqueça quem esteve ao seu lado todos esses anos. — Não esqueça qual é o seu lugar. As palavras foram uma lâmina, Amália engoliu o orgulho, por enquanto. — Isso não acabou. — Não acabou porque nunca começou Amália Ele respondeu, Já voltando a olhar os documentos, encerrando a conversa, encerrando ela. Mas a verdade… Era que a guerra dentro dele… Estava apenas começando, e não era por ela e sim por Olivia.
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