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1084 Palavras
ENTRE O CONTROLE E O CAOS A água ainda escorria do vestido de Olivia, pingava no chão de pedra, marcava o caminho, como se fosse um rastro. Um lembrete de que ela tinha tentado… desaparecer. Eros a observava em silêncio, a respiração ainda pesada, o peito subindo e descendo mais rápido do que deveria, aquilo o irritava. Não o ato dela, mas o efeito, ele nunca reagia assim. Nunca. Ver ela se afogando, e saber que foi por vontade própria, que ela tentou se matar, p***a. Era o que queria, a ver no limite, só que a dor que invade seu peito por ela tentar algo assim só por ter se casado com ele, era um incômodo enorme. A menina preferia a morte. Sabia que estava sendo c***l, ele tinha total certeza disso, mas definitivamente odiou ver ela tentando tirar sua vida. — Levanta. A voz dele saiu firme, um ordem, uma raiva inexplicável e sem espaço para discussão, Olivia não se moveu, o corpo tremia, os braços envolviam a si mesma como se pudesse impedir que se despedaçasse por dentro. — Eu não quero… — Não é uma opção. Ele se aproximou, e a puxou pelos braços. Com firmeza, mas sem brutalidade, ela tentou resistir, fraco,inútil. — Me solta… — Para de lutar. — Eu odeio você… A frase saiu entre dentes, baixa, mas carregada, Eros travou por um segundo. A mão dele apertou um pouco mais o braço dela. — Ótimo, então estou no caminho certo. — A resposta veio fria. — Continue assim. Ele a ergueu completamente, colocando-a de pé, o corpo dela vacilou, as pernas falharam. E sem perceber, ela se apoiou nele, o contato foi inevitável, o corpo dela frio, molhado, tremendo, o dele quente, sólido, imóvel. Eros sentiu. E odiou sentir. — Anda. Ele começou a caminhar, levando ela junto, dessa vez, mais devagar, como se estivesse medindo cada passo, Olivia não falava mais, não tinha força, a exaustão tinha vencido. O corpo ia no automático, A mente 3stava em pedaços. Eros simplesmente a levantou em seus braços. — O que está fazendo? Me solta. Ela bradou no mesmo instante, mas Eros ignorou. — Fica quieta. Ele diz, caminhando, passando pelo jardim, até chegar ao salão, os olhares foram direto para eles. Mas o de Amália foi o que mais foi de choque. — Eros está louco. — ela diz. — Era pra você estar se casando con ele. Sua mãe Matilda fala com desdém, olhando Eros. — Eu vou. Depois dessa vingança dele, eu vou. — Não seja burra. Elimine logo a menina. — Ele mesmo fará isso mãe. — Pois acelere o processo então. NO QUARTO A porta se abriu com força, o quarto ainda estava como antes, velas acesas, flores, a lingerie que ela usaria, o ambiente ainda preparado para uma noite que agora parecia… distorcida. Eros a levou até a cama. — Senta. Ela obedeceu, sem reagir, sem olhar, sem nada. Ele ficou de pé diante dela, observando, o cabelo dela grudado no rosto, a maquiagem borrada. Os olhos inchados, o lábio ainda levemente machucado ela parecia… Quebrada, mas não completamente, e aquilo… Aquilo incomodava. — Você não vai tentar isso de novo. Ela riu, um riso fraco, sem vida. — Você acha que eu tenho escolha em alguma coisa? Silêncio. — Eu nem tenho mais direito de morrer. A voz dela saiu vazia,Eros não respondeu. Mas o olhar dele ficou mais escuro. — Olha pra mim. Ela não olhou. — Eu disse olha pra mim. Ela levantou o rosto lentamente. Os olhos se encontraram. — Você não decide nada aqui. Ela sorriu de lado. Fraco. — Eu já percebi. — Então pare de agir como se tivesse controle. — Eu não tenho controle — ela respondeu — eu só tenho dor. A frase ficou no ar, pesada, real, Eros desviou o olhar por um segundo, erro, ele nunca desviava mas desviou. — Tira isso. Ela franziu a testa. — O quê? — O vestido. O silêncio caiu, denso, ela ficou imóvel, o olhar mudando, o medo voltando. — Não… — Está molhado. — Eu não vou… Eros deu um passo à frente. — Eu não pedi. A voz era baixas carregada, ela engoliu seco, as mãos tremendo, lentas, ela começou a desfazer os botões. Um por um. Os dedos falhando, a respiração descompassada,Eros virou o rosto. Não queria ver, mas também não queria sair, contradição, irritante.Ele passou a mão pelo cabelo. — Rápido. Ela terminou, o vestido deslizou,pesado, molhado. Ela tentava se esconder de Eros, instintivo. Eros percebeu. E aquilo… Aquilo o irritou de novo. — Para de agir como se eu fosse te atacar. Ela o encarou, os olhos cheios. — Você é exatamente o tipo de homem que eu deveria temer. Silêncio, ele não respondeu, porque no fundo… Ela não estava errada, Eros respirou fundo. — Vai se trocar. Ele virou de costas, dando espaço. Mas não saindo, Olivia hesitou, ainda tremendo. — Não quero. Ele virou. E ficou olhando. Por alguns segundos. Longos demais. — Ainda acha que manda em alguma coisa aqui? Ela não discutiu, deitou. Virada para o lado oposto, como se quisesse desaparecer, Eros caminhou até a janela, fucou ali, parado. Olhando a noite, mas não vendo nada. A mente estava cheia, barulhenta, errada. Ele lembrava dela na água, debatendo, sem ar. E aquilo… Aquilo não saía da cabeça. — Você não vai morrer. Ele disse de repente, ela não respondeu. — Não por isso, nãoquando quer. Silêncio. — Eu não vou deixar. Ela riu baixo. — Você já está me matando. As palavras atravessaram o ar, direto. Sem filtro, Eros fechou os olhos por um segundo.Aquilo não fazia parte do plano. Ele se virou, olhou para ela, pequena, encolhida, mas ainda viva, ainda resistindo. E isso… Era o que mais o perturbava. Ele caminhou até a cama, parou ao lado, observando, ela sentiu, mas não se moveu. — Você pediu pra ele te beijar. A voz dele veio baixa, perigosa, ela fechou os olhos. — Sim. — Por quê? — Porque eu não queria que você fosse o primeiro. O silêncio foi imediato, pesado, mais uma vez se sentindo incomodado, Eros inclinou levemente o rosto. — E agora? Ela abriu os olhos. Virou o rosto lentamente. — Agora eu não tenho mais escolha. Aquilo ficou no ar, como uma sentença, Eros ficou imóvel, e pela primeira vez em muito tempo… Ele não sabia exatamente o que fazer. E isso era mais perigoso do que qualquer arma.
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