ENTRE O CONTROLE E O CAOS
A água ainda escorria do vestido de Olivia, pingava no chão de pedra, marcava o caminho, como se fosse um rastro. Um lembrete de que ela tinha tentado… desaparecer.
Eros a observava em silêncio, a respiração ainda pesada, o peito subindo e descendo mais rápido do que deveria, aquilo o irritava.
Não o ato dela, mas o efeito, ele nunca reagia assim. Nunca.
Ver ela se afogando, e saber que foi por vontade própria, que ela tentou se matar, p***a. Era o que queria, a ver no limite, só que a dor que invade seu peito por ela tentar algo assim só por ter se casado com ele, era um incômodo enorme.
A menina preferia a morte.
Sabia que estava sendo c***l, ele tinha total certeza disso, mas definitivamente odiou ver ela tentando tirar sua vida.
— Levanta.
A voz dele saiu firme, um ordem, uma raiva inexplicável e sem espaço para discussão, Olivia não se moveu, o corpo tremia, os braços envolviam a si mesma como se pudesse impedir que se despedaçasse por dentro.
— Eu não quero…
— Não é uma opção.
Ele se aproximou, e a puxou pelos braços.
Com firmeza, mas sem brutalidade, ela tentou resistir, fraco,inútil.
— Me solta…
— Para de lutar.
— Eu odeio você…
A frase saiu entre dentes, baixa, mas carregada, Eros travou por um segundo.
A mão dele apertou um pouco mais o braço dela.
— Ótimo, então estou no caminho certo. — A resposta veio fria. — Continue assim.
Ele a ergueu completamente, colocando-a de pé, o corpo dela vacilou, as pernas falharam.
E sem perceber, ela se apoiou nele, o contato foi inevitável, o corpo dela frio, molhado, tremendo, o dele quente, sólido, imóvel. Eros sentiu. E odiou sentir.
— Anda.
Ele começou a caminhar, levando ela junto, dessa vez, mais devagar, como se estivesse medindo cada passo, Olivia não falava mais, não tinha força, a exaustão tinha vencido.
O corpo ia no automático, A mente 3stava em pedaços.
Eros simplesmente a levantou em seus braços.
— O que está fazendo? Me solta.
Ela bradou no mesmo instante, mas Eros ignorou.
— Fica quieta.
Ele diz, caminhando, passando pelo jardim, até chegar ao salão, os olhares foram direto para eles.
Mas o de Amália foi o que mais foi de choque.
— Eros está louco. — ela diz.
— Era pra você estar se casando con ele.
Sua mãe Matilda fala com desdém, olhando Eros.
— Eu vou. Depois dessa vingança dele, eu vou.
— Não seja burra. Elimine logo a menina.
— Ele mesmo fará isso mãe.
— Pois acelere o processo então.
NO QUARTO
A porta se abriu com força, o quarto ainda estava como antes, velas acesas, flores, a lingerie que ela usaria, o ambiente ainda preparado para uma noite que agora parecia… distorcida. Eros a levou até a cama.
— Senta.
Ela obedeceu, sem reagir, sem olhar, sem nada.
Ele ficou de pé diante dela, observando, o cabelo dela grudado no rosto, a maquiagem borrada.
Os olhos inchados, o lábio ainda levemente machucado ela parecia… Quebrada, mas não completamente, e aquilo… Aquilo incomodava.
— Você não vai tentar isso de novo.
Ela riu, um riso fraco, sem vida.
— Você acha que eu tenho escolha em alguma coisa?
Silêncio.
— Eu nem tenho mais direito de morrer.
A voz dela saiu vazia,Eros não respondeu.
Mas o olhar dele ficou mais escuro.
— Olha pra mim.
Ela não olhou.
— Eu disse olha pra mim.
Ela levantou o rosto lentamente.
Os olhos se encontraram.
— Você não decide nada aqui.
Ela sorriu de lado.
Fraco.
— Eu já percebi.
— Então pare de agir como se tivesse controle.
— Eu não tenho controle — ela respondeu — eu só tenho dor.
A frase ficou no ar, pesada, real, Eros desviou o olhar por um segundo, erro, ele nunca desviava mas desviou.
— Tira isso.
Ela franziu a testa.
— O quê?
— O vestido.
O silêncio caiu, denso, ela ficou imóvel, o olhar mudando, o medo voltando.
— Não…
— Está molhado.
— Eu não vou…
Eros deu um passo à frente.
— Eu não pedi.
A voz era baixas carregada, ela engoliu seco, as mãos tremendo, lentas, ela começou a desfazer os botões. Um por um. Os dedos falhando, a respiração descompassada,Eros virou o rosto.
Não queria ver, mas também não queria sair, contradição, irritante.Ele passou a mão pelo cabelo.
— Rápido.
Ela terminou, o vestido deslizou,pesado, molhado.
Ela tentava se esconder de Eros, instintivo.
Eros percebeu. E aquilo… Aquilo o irritou de novo.
— Para de agir como se eu fosse te atacar.
Ela o encarou, os olhos cheios.
— Você é exatamente o tipo de homem que eu deveria temer.
Silêncio, ele não respondeu, porque no fundo…
Ela não estava errada, Eros respirou fundo.
— Vai se trocar.
Ele virou de costas, dando espaço.
Mas não saindo, Olivia hesitou, ainda tremendo.
— Não quero.
Ele virou. E ficou olhando. Por alguns segundos. Longos demais.
— Ainda acha que manda em alguma coisa aqui?
Ela não discutiu, deitou. Virada para o lado oposto, como se quisesse desaparecer, Eros caminhou até a janela, fucou ali, parado.
Olhando a noite, mas não vendo nada.
A mente estava cheia, barulhenta, errada.
Ele lembrava dela na água, debatendo, sem ar.
E aquilo… Aquilo não saía da cabeça.
— Você não vai morrer.
Ele disse de repente, ela não respondeu.
— Não por isso, nãoquando quer.
Silêncio.
— Eu não vou deixar.
Ela riu baixo.
— Você já está me matando.
As palavras atravessaram o ar, direto.
Sem filtro, Eros fechou os olhos por um segundo.Aquilo não fazia parte do plano.
Ele se virou, olhou para ela, pequena, encolhida, mas ainda viva, ainda resistindo.
E isso…
Era o que mais o perturbava.
Ele caminhou até a cama, parou ao lado, observando, ela sentiu, mas não se moveu.
— Você pediu pra ele te beijar.
A voz dele veio baixa, perigosa, ela fechou os olhos.
— Sim.
— Por quê?
— Porque eu não queria que você fosse o primeiro.
O silêncio foi imediato, pesado, mais uma vez se sentindo incomodado, Eros inclinou levemente o rosto.
— E agora?
Ela abriu os olhos.
Virou o rosto lentamente.
— Agora eu não tenho mais escolha.
Aquilo ficou no ar, como uma sentença, Eros ficou imóvel, e pela primeira vez em muito tempo… Ele não sabia exatamente o que fazer. E isso era mais perigoso do que qualquer arma.