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1038 Palavras
O FUNDO DO ABISMO O silêncio da mansão era ensurdecedor, Olivia não sabia como chegou até ali, seus pés simplesmente a levaram, corredores escuros, escadas, portas abertas, luzes fracas. Ela andava como um fantasma, o vestido ainda estava nela, pesado, molhado de lágrimas invisíveis, o corpo doía, mas não era físico, era algo mais fundo, mais c***l, mais… irreversível. Ela parou, arespiração falhando, o peito apertado como se mãos invisíveis estivessem esmagando seu coração. — Acabou… — murmurou. A palavra saiu baixa, quase inaudível, mas real. Acabou. Aquela noite tinha levado tudo, a dignidade, a esperança, o futuro, ela não era mais Olivia Dante, era um símbolo, uma vingança, uma coisa para se destruir. Ela odiava Eros, ela odiava tudo que ele fazia, mas o que realmente doía, era quando ele esfregava Amália na sua cara. Nem ela entendia o porque aquilo a incomodava tanto. Mas odiava a sensação, e sabia que seria muito pior agora que era esposa dele. Sabia que Eros iria humilhá-la a cada segundo, que sua vida nessa casa seria ainda pior. Ela encostou a mão no peito, sentindo o coração bater rápido, descompassado, dolorido. — Eu não quero mais… Pai eu não voh aguentar esperar por você. A voz quebrou, e então veio, a exaustão, uma exaustão que não era física, era da alma. Como se tudo dentro dela tivesse sido arrancado e só restasse vazio. Ela continuou andando, sem pensar, sem direção, até que chegou à área externa, a noite estava fria, silenciosa, a piscina refletia o céu escuro como um espelho profundo. Calmo, imóvel, convidativo, ela parou na beira, olhou para a água, e pela primeira vez desde que tudo começou. Ela não sentiu medo, sentiu paz. — É só… parar. Simples assim, parar de sentir, parar de existir, oarar de doer, ela deu um passo à frente, a água estava próxima, escura, profunda. Ela fechou os olhos, a imagem da mãe veio, o sorriso, a voz. "Azeitona…" Uma lágrima escorreu. — Me desculpa… E então… Ela se deixou cair. O corpo entrou na água com um som abafado, frio, imediato, o mundo ficou distante, silencioso, pesado, ela afundou. O vestido puxando para baixo, o cabelo espalhando ao redor como sombra, os olhos abertos. Ela queria que fosse o fim, a piscina era profunda, Olivia nunca aprendeu a nadar, e não foi por falta de aulas, ela simplesmente tinha pânico de piscina, desde que viu uma amiga sua de infância se afogando, ela tentando salvar a me ina se afogou junto. Desde então pegou trauma de piscina e nunca entrou, mas agora. Queria que uma fosse seu fim, que uma piscina cessante a dor que lhe invadia, que a morte a levasse de Eros coração c***l. Ficou sem ver, sem reagir, sem lutar, acabou, mas o corpo, o corpo não aceita, a falta de ar veio. Primeiro leve, depois urgente, depois desesperadora, opeito queimou, os pulmões imploraram, e então o instinto tomou conta, ela se mexeu, de repente. Desesperada, as mãos tentando subir, as pernas chutando, o vestido atrapalhando, a água pesando, ela não sabia nadar direito, nunca precisou, o pânico veio forte, violento, ela tentou subir. Mas não sabia como, o ar não vinha, o peito doía, os olhos ardiam, e agora, ela queria viver, não ela em si, mas seu corpo. Desesperadamente mas era tarde, muito tarde. Eros ainda a procurava, o corpo tenso, mente em alerta, irritação já havia virado algo mais perigoso, ele procura Santiago com o olhar se ele estiver com Olivia, não sabe qual sera sua reação. Mas em pouco tempo, o encontra com o olhar, ele sentado em uma das mesas, com o copo de uísque e uma expressão dura no rosto. Não sabia explicar o porque do alívio de ver ele ali, sem Olivia, era algo que não e tendia mesmo. Ele cruzou o jardim, olhou para os lados, nada, então, o som, um barulho na água, ele virou o rosto, e viu. A superfície da piscina se mexendo, violenta, irregular, então viu ela, se debatendo, afundando tentando subir e falhando. O mundo parou por um segundo. Eros não pensou, ele correu, e pulou. A água explodiu ao redor dele, fria, profunda. Mas ele não sentiu, ele nadou direto, rápido, preciso, alcançou ela, o corpo dela já estava pesado, descoordenado, as mãos ainda se mexiam. Fracas, desesperadas, ele segurou, puxou, ela tentou se agarrar, mas não tinha força. Eros passou o braço firme ao redor dela, e a trouxe para cima, a cabeça dela emergiu, mas ela não respirava direito. Ele a puxou até a borda, saiu da água com ela nos braços, colocou no chão. — Olivia! Nenhuma resposta, o corpo dela tremia, os olhos semi fechados, ele virou o rosto dela de lado. A água começou a sair, mas não o suficiente ele pressionou o peito dela, uma vez, duas, três. — Respira! Mais pressão, mais força, a água finalmente saiu, ela tossiu, violento, dolorido, o corpo se contorceu, o ar entrou, desesperado, irregular, ela virou de lado, tossindo, chorando, quebrando. Eros ficou ali, observando, molhado, respiração pesada, o coração batendo forte demais, ela tentou falar, mas só conseguiu tossir. — Devia me deixar morrer! Ela grita e a voz saiu quebrada, misturada com choro, raiva, dor. — Devia me deixar morrer! Eros congelou por um segundo, o olhar escureceu, d então ele se aproximou, ajoelhando diante dela, segurando o rosto dela com força, firme. — Eu decido quando você vai morrer. A voz dele era baixa, fria, perigosa. — Não você, pequena esposa. Ela tentou se afastar, mas não conseguiu. — Eu não aguento! — ela gritou — Eu não aguento mais! E aquilo… Aquilo atravessou algo dentro dele, mas ele não mostrou, nunca mostrava. — Aguenta sim, esse é só o começo. — Eu não quero! — Não importa o que você quer. O silêncio caiu, pesado, brutal, ele soltou o rosto dela devagar, mas não se afastou. — Você é minha agora. As palavras foram ditas com calma, mas carregavam algo mais profundo, mais sombrio, mais definitivo, enaquela noite, enquanto a água ainda escorria do vestido dela… Olivia Dante entendeu. Ela não tinha mais escolha, e o homem que a salvou… Era o mesmo que estava destruindo ela.
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