Ele deu mais um passo. A sala pequena pareceu encolher. A televisão murmurava alguma coisa irrelevante ao fundo, luz azulada piscando nas paredes claras, mas Sophie não ouvia nada. Estava parada, os pés fincados no chão frio, os olhos presos nele como se qualquer movimento pudesse quebrar algo frágil demais para existir. Nicholas estava perto demais agora. Ela reparou no quanto ele era bonito. Não bonito de revista ou de filme, mas daquele jeito silencioso que se impõe sem pedir licença. Os olhos, de um azul quase cinza, tinham a profundidade calma de quem observa mais do que fala. Os cabelos lisos estavam bagunçados, alguns fios caindo sobre a testa, desalinhados de um jeito que não combinava em nada com a palavra príncipe. A boca parecia seca; ele passou a língua pelos lábios num gest

