Pré-visualização gratuita Prólogo
Dare
É a noite de estreia do show da nossa primeira turnê mundial. O primeiro show foi marcado em Los Angeles, onde a banda nasceu. Todos estão nervosos, isso inclui nossos amigos e familiares que estão fazendo parte desse momento. Apesar da importância do momento, estou com o coração machucado e perdido. Tudo aconteceu tão rápido. Ela deveria está aqui agora. Comemorando, vibrando e nos apoiando. Ela deveria estar ao meu lado. A única mulher que, de fato, amei. A única que assola meus pensamentos, mesmo quando estou nos braços de outra.
— Quebre uma perna — a voz doce de Luna interrompe meu momento de martírio.
Estampo um sorriso no rosto, virando para encarar minha namorada. Luna e Angelina são completamente o oposto uma da outra. A primeira é baixa, roliça e branca. Olhos e cabelos castanhos comuns. Sempre esbanjando um sorriso que aquece o coração de qualquer um. Isso me atraiu. Senti-me aquecido por esse sorriso. Por ela. Todos me disseram que era cedo demais, que acabaria magoando Luna. Mas aqui estamos. Juntos há quase um ano. Angelina era ruiva, branca e esbelta. Os olhos verdes como duas esmeraldas. Era alegria pura. Sua gargalhada contagiava qualquer ambiente. Tão cheia de vida e...
— Terra chamando Dare — Luna chama minha atenção.
— Estou bem aqui, Houston – brinco, tentando afastar os pensamentos tristes.
— Mas não era o que estava parecendo. Seus pensamentos voaram longe. Nervoso? — Lu sempre tão delicada.
A puxo contra meu corpo, arrematando sua boca num beijo desesperador. Estou quase me afogando e preciso que ela me puxe para superfície, como faz todas as vezes que lembranças sobre Angie invadem minha cabeça.
— Ei — falo encostando minha testa na sua, isso sempre faz minha coluna reclamar, mas não me importo, minha baixinha merece pequenos sacrifícios. — Você pode me esperar aqui? Estou muito nervoso e você assistindo dos bastidores só me distrairia. — Minto.
Ela assente. Minha Luna não merece um cretino como eu. Mas, merda, o seu amor me salvou do meu amor.
— Tem certeza? — Pergunta tentando disfarçar a decepção.
— Sim — respondo a puxando ainda mais contra mim.
Luna
Ele fecha a calça após uma rapidinha no camarim. Os rapazes já haviam ido para o palco. Dare parecia nervoso, contudo, sinto que não é por causa do primeiro show da turnê. A Millenium já está há três anos nesse meio. Há pouco mais de um ano de se tornaram um fenômeno mundial e agora estavam indo desbravar o mundo com seu rock alternativo. Dare é o guitarrista principal da Banda. Bunny bate na porta avisando que faltava cinco minutos. Me aproximo para desejar boa sorte, mas ele se afasta. Hoje ele está mais distante do que o normal.
— Espere aqui, te vejo no fim do show. — Ele sai do camarim.
Ser namorada de Dare Masters não é tarefa fácil, não com a fama e o coração quebrado pela perda de dois anos atrás. Eu pensei que com o tempo ele fosse superar. Me pergunto até quando terei que esperar para que isso aconteça. Por mais que ele diga que se importa comigo, que sou sua garota, sinto que isto está longe de ser verdade. Dare sequer olha nos meus olhos quando fazemos amor, na verdade, eu faço amor e ele apenas fode, como se não suportasse olhar nos meus olhos por mais que um segundo.
Esperei pelos primeiros trinta minutos do show e ignorando seu pedido, fui para a parte dos bastidores de onde posso ver o show sem que Dare me veja. Ele estava louco de pensar que eu não participaria desse momento importante de sua carreira. Eu estaria lá mesmo que ele acreditasse no contrário.
Estavam finalizando import lives quando cheguei. Me escondi no canto para ouvir a próxima música. Maison, o vocalista, foi para o lado de Dare. Pouco à pouco, retomavam a amizade antes abalada por Angelina.
— A próximo música foi escrita por Dare para alguém muito especial. Quer falar sobre, cara?
No palco, a interação deles sempre foi impecável. Dare assentiu, se aproximou do microfone a sua frente e começou a falar:
— Essa música se chama “My heart will always belong to you”, escrevi para a única mulher que já amei e que provavelmente vou amar, Angelina, você sempre será a dona do meu coração.
E foi assim que Dare Masters deu o ponta pé inicial para destruir meu coração. Agora entendo porquê ele não queria que eu assistisse ao show. O lançamento da música do novo álbum era sobre a v***a que brincou com os dois amigos. A letra foi um punhal cravado no meu coração. Nela, Dare expressava todo o amor, a angústia e a dor que sentia pela mulher que havia pisado no seu coração e jogado seu amor no lixo.
Me afasto, puxo meu celular e mando uma mensagem para que ele leia depois do show.
Pensei que a culpa por escrever uma música para a sua ex, fosse fazê-lo ir para o hotel logo após o show. Ledo engano. Dare mandou mensagem me avisando que iria para o pós festa, para eu não o esperar acordada. Como se fosse possível dormir depois da declaração ao vivo que ele fez para a outra. Até quando aquela mulher vai estar entre nós? A simples memória dela era o suficiente para colocar um elefante branco no meio do meu relacionamento. Não sei porque isso ainda me incomoda, afinal, ela não está mais aqui. Ela nunca mais irá voltar.
A porta do quarto se abre e um Dare embriagado entra. Ele está sem camisa. Provavelmente perdeu para uma fã. Os rapazes estão sempre perdendo suas camisas para as fãs.
— Ei, você ainda está acordada. — Constata o óbvio. — Que bom, pensei que teria que acordá-la para fazer amor. — Começa a abrir a calça.
— Por que não toma um banho primeiro?
Ele sorri. O sorriso com a maldita covinha que arrebatou meu coração i****a.
— Pensei que gostasse de t*****r com seu homem suado após o show.
Era a maldita verdade. O sexo pós show era delicioso. Saber que ele poderia ter qualquer fã, mas no fim de cada show era eu com quem ele ia para cama, me fazia sentir poderosa, mas não hoje. Depois de assistir àqueles poucos minutos do show, me sinto usada, humilhada e carente. Ele subiu na cama completamente nu. Lindo, sensual e perfeito. Ele puxou o cobertor e sorriu ao me ver apenas com uma calcinha box de renda, presente dele, que tirou habilmente. Dare se põe entre minhas pernas, tomando minha boca com a sua. O beijo que começou lento e sensual acabou se tornando selvagem. Suas mãos explorando meu corpo, tocando nos lugares certos, fazendo-me gemer de prazer com sua exploração. Bastava ele me olhar para que eu ficasse pronta para recebê-lo dentro de mim. Mesmo com minha mágoa, aquela noite não seria diferente. Ele me penetrou numa única investida. Gemi contra sua boca diante da invasão bem-vinda. Nunca vou me acostumar com seu tamanho. Estamos entrelaçados, suados e gemendo. Afasto minha boca da sua, levando minhas mãos ao seu rosto lindo. Encarando seus olhos verdes, nublados e perdidos. Não levou um segundo para ele desviar o olhar, afundando seu rosto na minha nunca, gemendo.
— Dare — sussurro seu nome.
— Hum — balbucia contra minha pele, acelerando suas investidas.
— Só hoje, olhe nos meus olhos quando vir — peço numa súplica desesperada por apenas aquela noite, a noite que ele machucou meu coração, para que eu fosse mais importante do que uma memória.
A resposta dele foi investidas mais rápidas que acelerou seu g**o. Dare caiu ao meu lado em silêncio. E em silêncio, tomei a decisão que machucaria ainda mais meu coração. Porém, que salvaria um pouco do amor próprio que ainda residia em mim.
Dare
Eu deveria dizer algo. Deveria, mas não disse. Estou carregado de emoções negativas e saudades de alguém que não está aqui. Eu simplesmente deveria esquecer esse amor que machuca e que tem me destruído dia após dia. Deveria tentar amar, verdadeiramente, a mulher que está ao meu lado. Luna se levanta indo para o banheiro sem dizer uma única palavra.
Ouço o barulho do chuveiro. Espero ela sair e voltar para a cama. Eu compensaria minha falta fazendo-a gozar em minha boca. Seria o mínimo depois de tê-la negado algo tão simples, agindo como um cretino egoísta.
Fecho meus os olhos criando coragem para olhá-la e puxá-la de volta para cama. Os abro novamente ao ouvir o zíper de uma mochila sendo fechada. Sento na cama e vejo minha namorada vestida e colocando a mochila nas costas.
— Ei, o que está fazendo? — Pergunto sem entender o que está acontecendo. Geralmente ela me perdoava por gozar primeiro, pois sempre a recompensava depois.
— Não é óbvio? — Sua voz sai com rispidez excessiva.
Levanto rapidamente da cama indo até ela, impedindo que desse mais um passo para longe de mim.
— Me desculpe, volte para a cama e a compensarei pelo meu egoísmo. — Peço carinhoso.
Ela está de cabeça baixa e quando a levanta, meus olhos se encontram com o seus, dou um passo para trás ao vê-los carregados de mágoa.
— Nada que faça agora vai compensar a dor que estou sentindo. — Disse num tom gélido.
— Eu a machuquei? Sinto muito, não foi minha inten...
— Não Dare, fisicamente estou bem, mas não posso continuar com isso, não depois de hoje, não depois de ter a certeza que nunca vai me amar porque você está preso a Angelina para sempre. Já fazem dois anos e você não consegue superar a morte da mulher que destruiu seu coração, que quase destruiu sua carreira, sua banda... — Sua voz está carregada de mágoa.
De súbito, entendi o que estava de errado. Ela assistiu ao show. Ouviu a música que escrevi para Angie.
— Não mandamos no coração — é tudo que consigo dizer.
Ela assente em concordância.
— Verdade, a prova disso é que eu te amo mesmo você amando uma defunta.
Foi automaticamente que minha mão acertou seu rosto. Dei um passo para trás, sem acreditar no que acabara de fazer. Os olhos de Luna, antes cheios de mágoa, agora estavam injetados de raiva. O que eu fiz?
— Covarde. Não aguenta a verdade, não é? Sabe que se ela de fato te amasse, não teria tirado a própria vida, mas teria lutado por você, para recuperar o seu...
— CALA A BOCA! — Grito, não suportando mais ouvi-la. — Não ouse dizer mais uma maldita palavra sobre Angelina. Eu não permito.
— Claro que não — ela leva a mão ao rosto, massageando.
— Sinto muito, não foi minha intenção. — Me aproximo, mas ela se desvencilha do meu abraço.
— Sempre pensei que meu amor fosse o suficiente para ajudá-lo a superar sua dor, mas eu estava enganada. Você não quer superar. Não quer esquecer. Adeus, Dare. Espero que um dia encontre alguém que faça você querer superar a v***a da Angelina.
Ela tenta passar por mim, mas a impeço.
— Se sair por esta porta não tem volta. — Aviso num tom de ameaça.
— Nunca pensei que teria — ela puxa minha mão do seu braço, indo para a porta. Ela para, por um minuto tenho esperanças de que meu porto seguro não me deixe, que continue me segurando para que eu não desmorone.
Estou pronto para ir até ela. Arrastá-la de volta para a cama e fazê-la esquecer toda essa discussão b***a. Antes que o faça, ela abre a porta indo embora, sem olhar para trás.