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Marido de Aluguel.

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Sinopse

​Marido de Aluguel — Nada Saiu Como Eu Planejava​Sinopse:​Ana Clara tinha tudo o que o dinheiro podia comprar: beleza, status, dinheiro e uma vida impecável como uma das socialites mais cobiçadas da cidade. No entanto, aos olhos da alta sociedade, faltava-lhe o acessório mais importante: um marido.​Quando surge o convite para um congresso de luxo reunindo suas antigas amigas de juventude, Ana Clara se vê encurralada. Ao chegar lá, depara-se com um cenário sufocante de exibições, alianças brilhantes e relatos de relacionamentos perfeitos. Pressionada pelo orgulho e para não se tornar o assunto das fofocas, ela toma uma decisão impulsiva: contratar um marido de aluguel.​Léo surge como a solução perfeita. Bonito, educado, dono de uma presença marcante e com maneiras impecáveis, ele concorda em interpretar o papel do esposo devoto por três dias. A regra entre eles era clara e rígida: sem sentimentos, sem complicações e uma despedida definitiva ao final do evento.​Porém, o teatro rapidamente foge do controle.​Por trás do contrato profissional, Léo guarda um charme devastador, um olhar que incendeia e um toque que faz os sentidos de Ana Clara falharem. A cada beijo encenado diante dos holofotes, a linha entre a farsa e a atração real se apaga. O que deveria ser apenas uma encenação transforma-se em uma tensão incontrolável, onde segredos ameaçam vir à tona e mentiras quase são descobertas.​À medida que o prazo de três dias chega ao fim, Ana Clara percebe que a maior farsa de todas era fingir que seu coração continuava intacto.​Quando o falso se torna perigosamente real, como desalugar o homem que se mudou para o seu coração?#MaridoDeAluguel #RomanceUrbano #AtraçãoIrresistível #Socialite #ComédiaRomântica

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Capítulo 1.
O som da louça fina de porcelana de Sèvres batendo contra a mesa de jatobá maciço ecoou pelo salão de jantar da cobertura em Ipanema como um golpe de martelo num tribunal. ​Dona Valentina não tomava chá; ela orquestrava a vida alheia enquanto a infusão de jasmim esfriava. ​Ana Clara segurava o envelope num tom creme-marfim entre os dedos frios. O papel, de gramatura pesada e relevo dourado, trazia o timbre do Global Healthcare Executive Summit — o congresso de medicina e gestão hospitalar mais exclusivo e esnobe do país, sediado no Txai Resort, em Itacaré. Apenas cem convites haviam sido emitidos para todo o território nacional. Ana Clara, após três anos à frente da reestruturação do setor de inovação diagnóstica do hospital da família, conquistara a vaga por mérito técnico impecável. ​Mas naquela mesa de café da manhã, mérito era apenas um detalhe decorativo, bem menos importante que o lustre de cristal Baccarat que pendia sobre a cabeça das duas. ​— Você leu a linha final da confirmação, Ana Clara? — perguntou Valentina, a voz suave como veludo e cortante como uma lâmina de bisturi. Ela ajeitou o colar de pérolas, sem perder a postura ereta que mantinha desde a juventude na alta sociedade carioca. ​— Li, mãe. É a confirmação do meu painel sobre inteligência artificial na medicina preventiva — respondeu Ana Clara, mantendo o tom firme, embora o estômago já se contorcesse. — Sou a palestrante mais jovem do bloco das Américas. ​— Não seja ingênua. Eu me refiro ao credenciamento social — cortou Valentina, pousando a xícara com uma precisão matemática. — "Reserva de suíte presidencial e credencial dupla para o executivo e seu cônjuge". O evento não é um simpósio de acadêmicos desgrenhados, minha filha. É a vitrine da elite médica e empresarial. E você me diz que vai sozinha? A única palestrante solteira, num ambiente onde a maturidade e a estabilidade familiar são o termômetro de confiança para grandes investidores? ​— Mãe, as pessoas estão indo lá para ouvir sobre automação de processos hospitalares e gestão de crise, não para ver minha aliança — Ana Clara tentou argumentar, ajustando os óculos e ajeitando a gola do blazer estruturado. ​Valentina soltou uma risada curta, seca, desprovida de qualquer humor. Ela se levantou, caminhando devagar até a janela do chão ao teto com vista para o mar de Ipanema. O sol das oito da manhã dourava o cômodo, mas o ar dentro da sala parecia congelar. ​— Você vive nesse seu mundo de planilhas e ilusões, Ana Clara. Acha que o mundo dos negócios se faz apenas com diplomas — Valentina virou-se devagar, os olhos cravados na filha com uma intensidade avassaladora. — Aos vinte e nove anos, você é a diretora sem marido. Sabia que a Helena me ligou ontem? A filha dela, a Beatriz, aquela que m*l passou na faculdade de direito, vai se casar em Búzios para quinhentos convidados. E a Camila? A filha da Camila casou no mês passado com um herdeiro da rede hoteleira! ​Ela deu dois passos na direção de Ana Clara, batendo a ponta do indicador na mesa a cada palavra pronunciada. ​— As filhas de todas as minhas amigas da faculdade casaram! Só você que não! Todas elas exibindo genros executivos, netos, estabilidade... E eu? Tenho que ouvir piadinhas veladas no chá da tarde do Iate Clube porque a minha única filha prefere passar os finais de semana trancada num laboratório! Eu me recusei a aceitar essa vergonha. Eu exijo que você apresente um homem à altura no congresso de Itacaré. Um casamento perfeito, uma imagem impecável. ​— Eu não vou inventar um noivado em três semanas só para alimentar o ego das suas amigas do carteado, mãe! Isso é ridículo! — Ana Clara levantou-se, a voz finalmente subindo um tom, o peito arfando de indignação. ​Valentina não piscou. A expressão no seu rosto mudou instantaneamente: a impaciência deu lugar a uma frieza estratégica, calculada ao longo de anos de controle financeiro e familiar. ​— Ridículo? Então vamos falar sobre o que é real, Ana Clara — Valentina caminhou até o aparador de mogno, pegou uma pasta de couro preta e a jogou sobre a mesa. A pasta abriu-se, revelando documentos timbre da holding familiar e do inventário do falecido pai de Ana Clara. — A cláusula de desempenho e maturidade patrimonial do fundo de truste do seu pai. Você achou que herdaria a gestão direta das ações do hospital assim que completasse trinta anos, não foi? ​Ana Clara parou, o ar prendendo na garganta. ​— O fundo exige governança, estabilidade e conformidade social estabelecida pelo conselho da família — prosseguiu Valentina, a voz baixando para um sussurro venenoso. — Se você chegar aos trinta anos sem uma estrutura familiar consolidada ou se envergonhar o nome da família nesse congresso com um escândalo de isolamento que comprometa a imagem da diretoria, o conselho acionará a cláusula de inaptidão social. ​— Você não faria isso... É o meu trabalho. É a minha vida. ​— Se você quiser ver um fio de dinheiro na sua conta, você vai ter que casar! Se não, esse dinheiro vai para o governo e para a câmara de arbitragem e você sabe disso! — sentenciou Valentina, com os olhos faiscando de uma autoridade inabalável. — O governo adora herdeiros incompetentes que deixam bens bloqueados em disputas judiciais indefinidas. Você vai perder a diretoria do hospital, vai perder suas ações e vai ver o projeto da sua vida ser vendido para o grupo concorrente a preço de banana. ​O silêncio que se seguiu no salão era denso, sufocante. Ana Clara olhava para a mãe, buscando qualquer sinal de blefe, mas encontrou apenas o aço frio de uma mulher que nunca havia perdido uma disputa na vida. ​— Você tem três semanas até a viagem para Itacaré — concluiu Valentina, ajeitando as mangas do seu cardigan de casca de noz e pegando novamente sua xícara de chá. — O motorista já está lá embaixo para te levar ao hospital. Quero o nome do seu noivo na lista do concierge até a próxima sexta-feira. E certifique-se de que ele saiba usar o talher correto para peixe. ​Ana Clara pegou a bolsa, o envelope creme do congresso e saiu do apartamento sem dizer mais uma palavra. O som dos seus saltos no piso de mármore do hall ecoava como a contagem regressiva para um desastre anunciado. Ela tinha vinte e um dias para arrumar um noivo perfeito, salvar a carreira da sua vida e impedir que a mãe destruísse seu futuro — ou estaria completamente arruinada.

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