O fim de semana havia chegado e Harry tomava café da manhã com o namorado naquela sexta-feira em torno das dez horas da manhã. Styles estava claramente distraído, mexia com uma colher pequena, quase brincando, o seu chá de limão com um pouco de leite, enquanto encarava seus ovos com bacon preparados pela cozinheira. Zayn lia o jornal tomando seu clássico café preto forte e sem açúcar — ele costumava dizer que era a única coisa que o acordava de manhã.
Os dois conversaram pouco durante a semana, e Harry sentia que Malik havia perdido um pouco da sensatez ao lidar com ele. Era estranho, pois quando estavam em Paris, a sintonia era tanta que eles realmente quase conseguiam ler a mente um do outro, mas aparentemente naquele mês, eles m*l tinham conversado sobre os planos do que fariam dali em diante. As brigas tinham finalmente cessado na casa dos Malik e, aparentemente, Zayn realmente parecia achar que tudo estava bem.
— Zayn. — Harry começou quebrando o silêncio entre os dois, que tomavam o café da manhã na varanda do quarto de Zayn, que agora era do casal.
— Sim, meu amor? — Malik respondeu mas não tirou os olhos do jornal que lia.
— Podemos ir à praia hoje? Pensei que talvez pudéssemos dar uma caminhada, gostaria de tirar algumas fotos. — Styles também tinha paixão por fotografia. Um de seus sonhos era realmente poder aprofundar essa arte, quem sabe estudar um pouco.
— Na verdade, eu já tinha planejado irmos ao jóquei clube, mamãe está dando um almoço para arrecadar fundos para o hospital infantil. — Zayn fechou o jornal e dobrou cuidadosamente colocando-o de lado na mesa. Ele segurou uma das mãos de Harry sobre a mesa percebendo só agora que o namorado não havia tocado na comida. — Por que não está comendo?
— E por que você não me disse nada? — Styles franziu o cenho claramente não gostando do fato do namorado tomar decisões pelos dois sem conversar com ele primeiro. Ele ignorou completamente a segunda pergunta porque não estava acreditando que Zayn estava perguntando aquilo, ele já deveria saber que Styles era vegetariano.
— Desculpe, meu amor, me desculpe. Eu realmente achei que não haveria problemas pra você. — Malik realmente sentiu-se culpado.
— Eu não gosto desse tipo de coisa. — Styles preparava-se para levantar-se da mesa, mas Malik o impediu, segurando sua mão mais forte.
— Harry, me desculpe, falo sério. Não precisamos ir se você não quiser. — Zayn deixou claro, sendo sincero. — Podemos ir à praia. Qualquer coisa que queira.
— Pra quê? — Harry só não subiu o tom de voz porque não era de sua natureza falar mais alto que as pessoas. — Pra depois a sua mãe dizer que não comparecemos por que eu não quis? — Ele concluiu fazendo Zayn suspirar frustrado. — Acho que já temos problemas o suficiente com a sua mãe m*l conseguindo olhar pra minha cara.
— Harry, por favor, pare de criar caso com isso. — Zayn soltou a mão do outro deixando-o levantar-se de onde estava. Malik vestia seu roupão branco, recostou-se na cadeira passando uma das mãos pelos olhos. — Se não quiser ir, faço questão de dizer a minha mãe que a decisão de não ir foi minha.
— E você acha que ela vai acreditar? — Styles sorriu irônico, também vestia um roupão branco, ambos tinham acabado de tomar banho juntos. — Zayn, não insulte a minha inteligência. — Styles rumou até o closet a fim de vestir-se.
— Harry… — Zayn suspirou no meio da frase, nem sabia como rebater aquilo. No fundo, não entendia porque naquela semana o namorado estava tão arredio e distante. Eles davam-se muito bem na cama, mas aparentemente fora dela, os problemas permaneciam. E, agora, Zayn não podia culpar seus pais mais por eles, ao menos não diretamente.
Styles sabia que Malik estava era pensando numa boa resposta. Ele vestiu uma camiseta simples preta e um jeans claro, talvez um número maior do que ele de fato vestia. Calçou chinelos de praia e, quando voltou á varanda, resolveu que não iria adiantar discutir com Zayn, ele era quem precisava se adaptar. Seu cabelo ainda estava molhado, mas arrumado.
— Tudo bem, podemos ir. — Styles disse, finalmente rendendo-se àquilo. Não que fosse fácil pra ele, mas brigar com Zayn iria apenas piorar as coisas.
— Me desculpe, Harry. — Zayn levantou-se e encarou o namorado com honestidade no olhar. — Eu prometo que não deixarei de falar com você quando algo surgir, eu vejo meu erro, não cometerei de novo. — Malik beijou o namorado com carinho.
— Tudo bem, não quero mais brigar. — Styles suspirou baixando a guarda. — Que horas sairemos?
— Em cerca de uma hora, vou avisar o Liam. — Zayn preparava-se para entrar no closet trocar de roupas. — Acho que dá tempo de você se vestir, vou mandar trazer o terno pra você.
— Como é? — Styles franziu o cenho, quase ofendido, esperando realmente que tivesse escutado errado. — As minhas próprias roupas não são boas o suficiente?
— Harry, o ambiente é outro, toda vez preciso explicar isso pra você. — Zayn estava se enfezando novamente e uma nova briga parecia se formar. — Não é a primeira vez que saímos com os amigos da minha mãe, você sabe que esses eventos são sofisticados, então não, você não pode aparecer de jeans e chinelo. Estou cansado de ter essa discussão com você.
— Tá bem, Zayn, tá bem. — A cabeça de Harry dava voltas com todo aquele discurso pomposo, desnecessário e, na opinião dele, perto do ridículo. — Que seja. — Mas Styles deixou o quarto sem ouvir a resposta de Zayn, que não foi verbal, mas uma batida forte na porta de um dos armários.
Styles desceu até o primeiro andar a fim de ir para o gramado da entrada da casa. Precisava fumar um cigarro, respirar um pouco de ar puro e sair de dentro daquela casa que achava desnecessariamente grande demais. No jardim de entrada da mansão, um gramado verde e muito bem cuidado pelo jardineiro, se estendia até o portão de entrada. Uma pequena fonte do lado direito e algumas pedras para enfeitar foram colocadas perto de alguns bancos brancos, no meio deles, uma mesa branca com um guarda sol rústico, porém muito bonito. Ao lado, a garagem dos carros estava aberta e Liam Payne observava discretamente Harry Styles marchar até as pedras e sentar-se em uma delas, acendendo um cigarro de um jeito um tanto charmoso logo em seguida.
Payne conhecia Zayn e sua personalidade o suficiente para imaginar que as coisas não pareciam ir bem entre ele e Harry. Pode ser que os anos afastados tiveram algum peso sobre o conhecimento de Liam em relação as possíveis mudanças, fruto do amadurecimento de Malik, e talvez ele não tivesse mais certeza se, de fato, o conhecia bem. Costumava ficar o mais longe possível das confusões daquela casa, especialmente quando envolviam Trisha e Yaser, pois a última coisa que Liam precisava era arrumar problemas pra ele e sua mãe.
Andou despretensiosamente na direção de Styles, pensando que poderia ajudar com algum conselho ou simplesmente ombro amigo. Sabia que Harry não tinha lá muitos amigos — na verdade, não tinha nenhum — e que tentar encontrá-los dentro do universo que era a vida de Zayn Malik, era praticamente impossível.
— Precisa de alguma coisa, senhor Styles? — Liam perguntou, ajeitando a postura assim que chegou perto de Harry, que virou o rosto para não soprar a fumaça de cigarro na direção do motorista.
— Na verdade, preciso sim, Liam. — Harry sorriu, mostrando os dentes bonitos e, involuntariamente Liam correspondeu.
— Pois não?
— Quero que pare de me chamar de “senhor Styles”. É a coisa mais bizarra que eu já ouvi em toda a minha vida. — Harry disse em meio a risos, fazendo Liam igualmente achar graça. Dava para perceber de longe que aquele homem não estava mesmo nenhum pouco a fim de ser tratado com aquela formalidade. — Meu nome é Harry e é assim que gosto de ser chamado. — Ele disse levantando-se da pedra e ficando de frente para Liam.
— Tudo bem então, Harry. — Liam desfez automaticamente um pouco da postura séria, mas ainda assim mantinha-se sem demonstrar qualquer tipo de i********e.
Harry tragou o cigarro com vontade percebendo que as cinzas estavam caindo no gramado, teve um relapso de imaginar Trisha vendo aquilo e fazendo seu escândalo rotineiro e sabendo que havia sido ele, pois ele era o único fumante daquela casa. Sentia-se m*l por isso, sabia da desaprovação velada das pessoas, e aquilo o estava influenciando, estava tentando parar.
— Como está a estadia na América? — Liam estava impecavelmente uniformizado com seu terno preto e camisa branca, apenas sem o quepe que havia ficado no carro. Tinha as mãos nos bolsos e tentava dar início a uma conversa casual, demonstrando mesmo que sabia que Styles talvez quisesse conversar.
— Bem, admito que não estou vivendo o tal “sonho americano” nesse calor que mais parece uma espécie de amostra grátis do inferno, mas estou me adaptando… Eu acho. — Ele soou inseguro, mas sorriu. Liam igualmente achou graça da comparação relativa ao clima da Califórnia.
— Imagino que deva ser bem diferente de Paris. — Liam tinha aquelas respostas prontas, parecia mais concentrado nas expressões de Harry, que cerrava os olhos a cada tragada no cigarro e parecia que sua pele estava começando a dar sinais de estar incomodada com aquela claridade toda.
— É, as pessoas também são. — Harry não referia-se a diferença clara e dramática entre europeus e americanos, mas sim ao fato de sentir que Zayn era uma pessoa diferente quando estava em casa também. Não que Liam soubesse daquilo, mas sentiu a ambiguidade naquela resposta. — Mas não, não sinto falta de Paris. Já esteve lá?
— Não, não ainda. — Liam respondeu com um ar sonhador. Quem sabe mesmo um dia o filho da empregada pudesse de fato ir para a Europa.
— Vejo que tem pretensões. Isso é bom. — Harry percebeu que agora tinha entre os dedos apenas um pequeno toco de cigarro e não sabia o que fazer com aquilo. — Tenho certeza que não quer se motorista para sempre.
— Não. — Payne ofereceu-se para jogar o cigarro do outro fora, mas Harry se negou. — Acabei de me matricular na Faculdade Comunitária de Los Angeles, vou cursar Administração. — Ficou orgulhoso de si mesmo dizendo aquilo, especialmente ao ver que Harry abriu um largo sorriso.
— Parabéns! Sua mãe deve estar orgulhosa. — Harry deu dois tapinhas no ombro de Liam. — Quem sabe você não livra os dois de trabalharem nessa casa.
— São bons patrões. Ao menos Yaser e Trisha, sempre me trataram como filho. — Liam disse, mas sabia que era pouco provável que Harry teria a mesma opinião sobre os sogros.
— Você e Zayn cresceram juntos? — Harry perguntou franzindo o cenho, volta e meia olhando para a ponta de cigarro que aos poucos se apagava. — Ele não me contou isso. — Liam suspirou como se não estivesse surpreso, Harry lembrava-se apenas do nome de Liam porque Zayn comentou algumas vezes sobre ele ser o motorista da casa.
— Mais ou menos. — Liam desconversou. — A gente brincava juntos quando era criança, mas sabe a gente cresce, e cada um toma seu rumo. — Payne disse tranquilamente e Harry o admirou pela lealdade de não falar m*l de Zayn, mesmo ficando claro em seus olhos que uma grande mágoa havia ali. Styles não comentou e resolveu não aprofundar no assunto por respeito à privacidade do outro. Mas ele notou, notou com clareza que havia muita história ali.
De longe, Ophelia andava rapidamente ao encontro de ambos, com as passadas curtas — era uma mulher rechonchuda e baixinha — com um sorriso simpático e imediatamente dirigiu-se a Harry.
— Senhor Styles, seu terno passado está em cima da cama. Senhor Malik pediu que o senhor fosse se arrumar. — Ela disse um pouco ofegante pela pressa que teve para chegar até ali.
— Muito obrigada, Ophelia, e me chame de Harry. — Styles disse simpático, gostava muito daquela mulher, ela sempre lhe pareceu extremamente maternal e carinhosa para com ele.
— Tudo bem. — Ela disse e em seguida, assumiu uma postura um pouco insegura, ainda olhando para Styles, como se perguntasse se realmente deveria questionar o que tinha para falar. — Harry, posso lhe fazer uma pergunta? Não quero ser enxerida.
— Mas é claro que pode. — Harry achou graça do jeito da mulher, de certa forma achava engraçada a forma como ela parecia desculpar-se e pedir permissão para tudo. Harry particularmente achava que era reflexo mesmo dessa postura de serviçal que os Malik impunham de certa forma a seus empregados.
— Notei que o senhor não comeu seu café da manhã. Não estava bom? — Ela perguntou um pouco insegura e Harry sentiu uma ponta de culpa.
— Não havia nada de errado com a comida, é que sou vegetariano. — Ele explicou pacientemente. — Não disse nada pois achei que Zayn tivesse avisado.
— Ele não avisou! — Ela arregalou os olhos preocupada. — Desculpe, o pessoal da cozinha não sabia.
— Não há problema algum, Ophelia, nem pense em desculpar-se. Tenho certeza que Zayn não lembrou desse detalhe. Não é culpa de ninguém. — Harry tranquilizou-a e ela pareceu entender melhor. Liam, por sua vez, estava um pouco surpreso ao saber daquilo e, principalmente, na parte de ouvir Styles dizer que Zayn havia esquecido de mencionar aquele detalhe.
— Está certo, nos adaptaremos ao seu cardápio. — Ela disse agora sorridente e Harry não deixou de sentir-se um pouco m*l, parecia querer impor alguma coisa e aquilo ia contra tudo o que ele acreditava.
— Por favor, não se preocupem comigo, eu como qualquer fruta e gosto de beber chá ou água. Não há cardápios para mim, por favor, não gosto de dar trabalho. — Ele explicou praticamente desculpando-se.
— Imagine, não há problema algum. — Ela parecia mais contente agora, ao menos ele não havia odiado a comida, apenas não fazia parte de sua ética moral. Ela entendia. — Vou voltar ao trabalho, só vim dar o recado. Com licença.
Ophelia retirou-se gentilmente e voltou aos seus serviços da casa. Harry continuava segurando seu toco de cigarro apagado e Liam estudou sua expressão por alguns minutos antes de dizer alguma coisa.
— Bem, vou me vestir já que o “senhor Malik” deu a ordem. — Harry disse baixinho, numa ironia. — Até logo, Liam.
— Até. — Liam sorriu despedindo-se rapidamente e, mesmo que a conversa tivesse sido breve, pode perceber que aquele romance estava fadado ao fracasso. Definitivamente tinha seus dias contados.
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Trisha Malik era o centro do evento, quanto a isso não haviam dúvidas. Ela conversava com inúmeras pessoas na festa, distribuía sorrisos, várias celebridades estavam presentes, socialites e empresários ricos de várias partes dos Estados Unidos. O almoço seguiu tranquilo e até mesmo Harry desfez um pouco a cara amarrada ao ver a grande seleção de saladas, grãos e pratos vegetarianos diferenciados — aparentemente várias das celebridades presentes entraram na “moda” de comer saudável — e muitas vezes isso significava cortar carnes e gordura animal de suas dietas — portanto, muitos dos pratos continham exatamente as coisas que Styles mais apreciava em comida.
Malik, por sua vez, estava igualmente dando atenção a muitos convidados, tudo a pedido de sua mãe, é claro. Muitos queriam saber sobre sua estadia em Paris e seu novo emprego. Ele era charmoso e não tinha problemas em lidar com aquela classe de pessoas um tanto quanto fúteis. Ele vestia um terno azul marinho perfeitamente cortado e alinhado ao seu corpo, não usava gravata e a camisa estava aberta no colarinho. Harry, por sua vez, usava um terno cinza claro e uma camisa azul, a gravata era preta e fina, que combinava perfeitamente com sua silhueta alta e esguia.
Harry ficou quase toda a noite no encalço de Zayn, ele o apresentou para muitas pessoas, não conseguia manter uma conversa longa e interessante com ninguém, afinal, se tinha coisa que ele não se interessava eram ações, política ou economia. Especialmente sobre a de um país que nem era o dele. Por várias vezes, afastou das rodas de conversa com a desculpa de pegar uma bebida ou fingir conversar com outra pessoa. Sua última opção aquela noite era sair para fora do grande salão de festas e ir fumar um cigarro. Assim que avisou Zayn onde estaria, saiu para uma das varandas e fumou tranquilamente seu cigarro, sem pressa, estava planejando ficar por lá mais tempo do que o fim do tabaco. Tinha uma taça de champanhe vazia em mãos e, por um segundo, sentiu o cheiro de um perfume masculino se aproximando.
— Gente rica é entediante, não é? — Mesmo sem girar o corpo, Harry reconheceu a voz de Louis Tomlinson colocando-se ao seu lado no parapeito da varanda bem decorada.
— Provavelmente eles devem pensar o mesmo de um pintor desempregado. — Styles comentou apenas para ver se tinha a chance de ver o sorriso do médico se abrir. Deu sorte, ele achou graça no comentário.
— Pois saiba que eles estão muito errados. — Louis respondeu ficando um pouco mais sério olhando nos olhos de Harry, que retribuiu o sorriso sem graça, não o encarou de volta por muito tempo, baixou os olhos vendo a própria taça vazia em mãos. — Você é um sujeito muito interessante.
Styles não queria acreditar, mas aquilo lhe soou como uma bela de uma cantada. Negou o pensamento, se achou um tanto prepotente ao pensar que o doutor Tomlinson pudesse realmente ter a audácia de cantar o namorado de seu melhor amigo. Ele provavelmente estava apenas sendo charmoso e simpático, embora Styles continuasse achando seu olhar extremamente invasivo.
— Estou aqui há horas e só o vejo agora. — Harry disse ainda mantendo o bom humor. — Onde você estava para me salvar de toda essa chatice? — Ele riu fazendo Louis igualmente rir. O médico desencostou-se do parapeito e foi então que Harry o viu tão bem vestido que ficou até difícil não reparar. Louis vestia uma calça social preta e sapatos da mesma cor. A camisa vermelho-escuro estava por dentro da calça, ele estava extremamente elegante.
— Cheguei agora, estava de plantão, mas não poderia faltar. — O médico respondeu tranquilo, evitando bocejar, embora seu cansaço fosse um tanto visível. — Ainda preciso discursar em agradecimento, Trisha deu esse evento para ajudar o hospital onde trabalho. Sou cardiologista da ala infantil.
Harry riu ao ouvir aquilo, era algo que transcendia sua compreensão. Louis também riu, mas sem entender exatamente o motivo. Styles virou-se a fim de olhar melhor pra ele e sentiu, pela primeira vez naquela noite, as bochechas queimarem pela bebida que havia tomado e um calor lhe percorrer o corpo. Tirou o casaco do terno e afrouxou a gravata antes de falar.
— Vejamos. — Harry começou e Louis passou a prestar atenção como se uma longa explicação viesse. — Você é rico, bonito, extremamente inteligente, charmoso… — Styles estava divagando tanto que nem percebeu que o médico se aproximou um pouco mais dele. — Gosta de praia, tem uma casa perto de uma… E é cardiologista infantil! — Styles concluiu rindo, fazendo o médico igualmente rir. Não que ele concordasse com tudo aquilo, mas estava feliz em saber que aquela era a opinião de Styles sobre ele. — Quer dizer, como é possível que você esteja solteiro?
Louis olhou naqueles olhos verdes e não tinha mais como esconder que estava interessado naquele homem. Ao mesmo tempo que via aquilo como algo que sabia que nunca se concretizaria, pois Zayn era seu melhor amigo e ele jamais faria aquilo com ele, aquecia seu coração estar perto de Harry e toda aquela jovialidade e despreocupação com a vida. Tinha certeza que ele teria aparecido de chinelos ali se fosse sua real escolha. Deu dois passos na direção de Styles que, encurralado entre Louis e o parapeito da varanda, não tinha para onde ir. Sentiu o cheiro do perfume do médico ainda mais perto dele. Estavam a menor de um palmo de distância.
— Estou solteiro porque, aparentemente, uma certa pessoa já está comprometida. — Tomlinson não pensou direito antes de falar, mas disse. O descaramento foi absurdo.
Styles engoliu a seco e m*l conseguia acreditar no que tinha acabado de escutar. Um medo lhe correu pelas veias, uma insegurança, algo que o repreendia e o fez perceber que, desde que conhecera Louis, algo estava errado em seus sentimentos. Não conseguiu responder nada, apenas aquela insegurança, aquela culpa de ter certeza agora do que Louis quis dizer somado ao fato de que ele com certeza correspondia aquilo.
Não, aquilo estava errado, ele não poderia fazer aquilo com Zayn, de maneira nenhuma. Sentiu-se genuinamente m*l por estar ali, frente a frente com aquele homem que não parecia estar brincando. Seus olhos estavam grudados nos dele como se realmente esperasse uma resposta ou uma reação, mas tudo que Styles fez foi pigarrear e ajeitar a postura. Não tinha mais olhos sonhadores para Louis e sentiu-se extremamente responsável por dar espaço para que Tomlinson se insinuasse daquele jeito.
Onde estava com a cabeça, afinal? Ele tinha mudado de país para ficar com Zayn e, um mês depois que o homem o coloca para dentro da própria casa, ele vai começar a flertar com seu amigo? Não, era inaceitável para Harry seu próprio comportamento. Ele se afastou do médico que estava, até aquele momento, tentando interpretar seu silêncio.
— Bem, preciso… Eu vou… Procurar o Zayn. — Styles disse percebendo que a expressão de Louis mudou completamente ao perceber que ele tinha passado do limite ali.
— Claro. — O médico m*l pode responder e Harry já batia em retirada, voltando para a festa.
Tomlinson passou uma das mãos pelo rosto e aceitou a culpa que também lhe caía nos ombros. Como ele pode dizer aquilo? Foi absolutamente inapropriado! Ficou alguns minutos respirando o ar fresco do lugar e voltou a assumir sua postura social, tentar concentrar-se em seu discurso de agradecimento pelas doações e em falar com pessoas. A parte boa é que ele provavelmente não teria que ver Styles mais aquela noite, já estava começando a se sentir fisicamente m*l por aquilo. Passou do limite e sabia que estava errado.
O problema era que, só pelo fato de estar se sentindo daquele jeito, já mostrava o quanto tudo aquilo significava. Geralmente aquelas coisas não o incomodavam tanto, pois ele raramente falava sério, mas certamente esse tal de Harry Styles apareceu com o único propósito de bagunçar sua vida.