NARRADO POR: MAITÊ Respirei fundo, sentindo o ar condicionado do quarto bater nas minhas costas nuas, mas o que me gelava de verdade era a adrenalina. Eu não tinha tempo para as crises existenciais de paternidade do Daniel agora. Aquela tentativa de redenção dele era um rastro de fumaça num incêndio que já tinha consumido a casa inteira. Abri as portas do meu closet de mármore e vidro, e meus olhos brilharam com o reflexo da produção que eu já tinha mentalizado: hoje eu não ia pra pista pra ser notada, eu ia pra ser reverenciada e temida. Escolhi a dedo: uma saia mini de sarja preta, tão curta que era um atentado ao pudor da Barra da Tijuca, e um cropped preto de tiras finas que se amarravam no meu pescoço e desciam pelas minhas costas, deixando tudo à mostra. Era a armadura perfeita par

