Cap. 3 - Indiferença

666 Palavras
Cecília saiu apressadamente da biblioteca, tentando evitar passar ainda mais vergonha. Tivera uma briga terrível com sua mãe, se é que podia chamar de briga. Estava fazendo um lindo bordado que daria de presente para sua avó, como sempre costumava fazer, e de repente a mãe chegara dizendo que estava fazendo tudo errado, fazendo-a começar do zero. Andrea tomara o bordado da mãe de sua filha e o desfizera, pelo menos metade dele. Ela não começara a chorar de repente e sem nenhum motivo, Cecília sentia a diferença entre ela e suas irmãs na pele. Suzane era evidentemente a preferida da mãe, a primogênita e idêntica a Andrea, tanto no jeito quanto na aparência. Lydia, a do meio era bem tratada, não tanto como Suzie, mas mil vezes melhor do que Cecília. Não conseguia entender o porquê de humilhada pela mulher que a colocara no mundo, certas vezes Andrea até mesmo a batia em lugares estratégicos - que não ficavam à mostra - e garantia que ela não contasse nada ao pai. Cecília estava farta de tanta indiferença e de tanta maldade vinda de quem deveria dar a ela todo o amor do mundo, então, mais uma vez foi até o lugar que sempre encontrava o que precisava. — Vovó. - Disse entrando na sala de chá. A avó morava a poucos quilômetros da propriedade e por isso passava grande parte de seu dia ali. Ela se levantou em um pulo, deixando de lado o pequeno livro que lia e agarrou os braços da neta. — O que houve meu amor? Anelise não sabia o porquê de tanta maldade ou melhor dizendo... Sabia. Mas não aceitava que a neta fosse tão maltratada e não entendia como o filho deixava tamanha atrocidade acontecer debaixo de seu teto. Cecilia estava com os olhos arroxeados, provavelmente estava chorando novamente. A menina ergueu as mãos, carregava um belo bordado recém terminado. — Eu estava fazendo isso para a senhora, mas mamãe o arruinou. Anelise aproximou-se da neta e abraçou, tomando de sua mão o bordado encharcado de lágrimas. — Querida, é o bordado mais lindo que já vi. E estou certa que ficará ainda mais belo quando conclui-lo, pois o fará, sim?! Cecília assentiu levemente. — Eu a amo vovó, se não fosse a senhora eu ... Eu nem sei o que seria de mim. - Disse derramando-se em seu ombro. — E não é tudo ... Sou uma tremenda tola. Eu fiz aquilo de novo ... Eh ... - Gaguejou. — Da mesa. — E foi vista? .- A avó perguntou apreensiva. Não sabia o que Andrea faria se a visse de uma forma tão fora do decoro. — Pelo Duque vovó, noivo de Suzie. - Arfou cansada e caminhou até o sofá. Cecília lançou o corpo cansado sobre ele. — O homem deve me achar uma louca, por Deus, embaixo da mesa. Eu só ... Eu só não queria ser vista e nem ouvida. — Não pense nisso. Terá tempo para se retratar com o rapaz. O que deve fazer é se mostrar equilibrada e cortês no jantar de apresentação. Se for um bom homem, não falará nada com ninguém. Ela assentiu lentamente enquanto se acomodava no ombro da avó novamente. — Porquê acha que mamãe me odeia tanto? Anelise engoliu em seco. Doía no interior de sua alma, doía ver sua neta preferida sendo tratada desse modo. Não era como se não amasse Suzie ou Lydia, mas Suzane era a cópia idêntica da mãe, e Lydia tentava com todas as forças seguir o mesmo caminho. Não amava Andrea, nunca gostara muito da nora, mas entendia e respeitava a escolha do filho. Ainda que não caísse de amores por ela, era a mãe de suas netas e por esse único motivo, preferia manter uma boa convivência. Andrea sempre fora uma mulher ambiciosa e maldosa que não se importava com ninguém além dela mesma. E Anelise sabia bem até aonde aquela mulher podia chegar para alcançar o que desejava.
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