O caminho até a propriedade não fora tão longo, para a grande felicidade de Blake e Marcos. Assim que adentraram a propriedade, os cavalheiros foram recepcionados pelo anfitrião, que encontrava-se parado na porta principal com um sorriso largo nos lábios.
— Senhor Sheffield, é um prazer enfim conhecê-lo. - Disse Blake apertando forte a mão de seu futuro sogro. — Esse é lorde Hughes, um grande amigo que veio me fazer companhia. - Falou entredentes, já que pensava o tempo todo que devia ter deixado o amigo em Londres.
— Riverdale, é uma imensa honra. - Edmund fez uma curta reverência ao pomposo homem a sua frente e logo em seguida voltou sua atenção para Hughes. — Seja muito bem-vindo lorde Hughes, espero que sintam-se em casa.
Marcos abriu um sorriso confortável.
— Por gentileza, apenas Marcos.
Edmundo retribuiu o sorriso amigável do simpático rapaz.
— Sendo assim, apenas Edmund.
Blake sorriu contente, fora a primeira vez que sentira que levar Marcos não havia sido tão terrível ideia afinal.
— Blake. - Disse por fim enquanto Edmund os convidava para a entrar.
— Pedi que preparassem um magnífico jantar. Estou certo de que devem estar famintos, as comidas de navio não tendem a ser tão boas.
Blake não se deu ao trabalho de negar, visto que seu estômago e os barulhos que fazia falavam por si só.
— Será um jantar muito agradável, estou certo. - Respondeu animado. Enfim conheceria sua noiva que fora tão bem falada por seu pai e poderia tirar suas próprias conclusões.
— Excelente. Até que fique pronto deixarei que se lavem e descansem um pouco, e no jantar conhecerá sua noiva. Chamarei um lacaio para que os acompanhe. Estamos com o número atual reduzido, pode ser que demore um pouco e ...
— De maneira alguma deve se preocupar conosco. Eu estava mesmo pensando em dar um passeio pelo jardim. - Marcos apressou-se em dizer quando notou o incômodo do anfitrião.
— Oh, não poderia ...
— Insistimos. - Disse Blake. — Desejo guardar a bagagem e me lavar, eu o encontro no jardim quando concluir. - Disse ao amigo.
E após explicações específicas de onde seria seu atual aposento, Blake seguiu como fora instruído. Marcos preferira ir direto para o jardim, estava enjoado devido a maresia e precisava tomar um pouco de ar antes de se lavar.
A resistência era grande e majestosa, mas nem de longe podia ser comparada ao palacete que Blake herdara do antigo Duque, afinal, Edmund era apenas um barão.
Blake caminhou mais alguns passos ... Até que parou.
Ele ouviu alguns baixos suspiros e fungadas, como se ... Como se alguém estivesse chorando.
Sabia que provavelmente não devia se meter, mas nunca fora do tipo muito racional. Ele caminhou em passos lentos até o local de onde vinha o barulho. Abriu uma imensa porta de madeira, que logo deu-se conta de se tratar da biblioteca e caminhou lentamente mais um pouco.
O som não podia estar saindo debaixo da mesa, podia?
Mais um choramingo ...
Ele se abaixou com cautela.
Um par de olhos verdes se voltaram para ele, estavam avermelhados devido ao choro, mas eram os olhos mais lindos que já vira. A garota estava abraçada a própria perna e o cabelo vermelho, tão vermelho quanto o fogo estava desgrenhado.
— Posso ajudá-la de alguma maneira?
Ela engatinhou feito uma criança para fora da mesa e ficou de pé em frente ao homem.
Cecília nunca havia visto um homem tão belo em toda sua vida. O cabelo loiro destacava-se em sintonia perfeita com seus olhos azuis, o queixo era másculo e sua mandíbula muito marcada, a pele alva feito a neve ... Um perfeito aristocrata.
— Sir. - Disse curvando-se perante a ele. Mas tudo o que Blake podia ver, era a menina mais linda que seus olhos já contemplaram. Menina, porquê não devia passar dos dezoito anos, mas a beleza da garota era exótica. O cabelo ruivo estava preso com diversos grampos em um coque muito grande, por Deus, devia ser ainda mais magnífica com ele solto.
Ele suspirou.
— O senhor está se sentindo bem? .- Ela perguntou dando a última fungada e estreitou-se para observá-lo mais de perto, o homem estava vermelho feito um tomate.
Ele arqueou a sobrancelha.
— Senhorita ... Creio que eu quem deveria pergunta-lá se encontra-se bem.
Cecília pigarreou e apontou para debaixo da mesa desconcertada.
— Oh ... Isso ... Bom, eu ... Eh ... Não importa. - Disse por fim. — Estou bem, e o senhor? De repente ganhou uma coloração muito avermelhada.
O rosto de Blake queimou e temeu ter ficado ainda mais vermelho.
— É somente o calor. Não deve se preocupar. Está segura de que tudo está bem?
Ela limitou-se a assentir, mas Blake não acreditou. Havia algo em seus olhos, além da magnitude da cor ... Havia uma espécie de tristeza.
— Sou Lady Sheffield. - Disse reunindo o restante de dignidade que a restara.
Blake prendeu a respiração e a encarou boquiaberto, poderia ela ser Suzane? Que os céus o ouvissem, que fosse ela a sua noiva ...
— Cecília. - Completou rubra quando percebeu a expressão do Duque.
Blake deixou os ombros caírem um pouco.
— Sou Blake, Duque de Riverdale.
— Oh noivo de Suzie. - Disse desconcertada.
— Quase noivo. - Ele completou. Porquê diabos havia dito aquilo? Não mudava nada. Ele praguejou mentalmente.
— Seja muito bem-vindo a nossa casa, vossa graça. Estou certa de que se afeiçoará a Suzie. - Cecília engoliu em seco. Nem mesmo o d***o poderia se afeiçoar a Suzane, com seus olhos e cabelos claros - aparência de um anjo - não parecia ser a megera que era. — Se me da licença, devo voltar aos meus afazeres.
Cecília fez uma curta mensura e se retirou deixando Blake encucado com a maior beleza que já havia contemplado e com as reações distintas que seu corpo demonstrara perante uma desconhecida.