Samantha
Entro em casa aos prantos, Jacob me humilhou de uma forma que jamais pude imaginar ser algum dia em minha vida.
Minha mãe tenta falar comigo enquanto sigo para meu quarto, mas a deixei para trás com Antônio, entro no banheiro e tomo um banho regado a lágrimas, não posso acreditar que esteja passando por algo assim.
Saio enrolada na toalha e me deito na cama, respiro fundo enquanto penso no que farei, minha mãe bate à porta e Antônio também me chama, dou um suspiro profundo e me sento, então digo que podem entrar.
— Oh minha menina, como você está? Antônio me contou o episódio monstruoso que Jacob lhes proporcionou, mas não se preocupe que isso não vai ficar assim… — Ela diz triste e preocupada.
— Vai ficar tudo bem mãe! Não precisa fazer nada não. — Respondo com um nó na garganta, e vejo Antônio em pé nos observando. — Vou me vestir e descemos para tomar um café, só o bolo de cenoura com chocolate da senhora pode me fazer melhorar agora. — Levanto e ela me abraça e me dá um beijo na cabeça, acarinhando meu ombro com a mão.
Ambos saem e Antônio me lança um beijo antes de fechar a porta. Escolho uma bermuda jeans e uma camiseta justa de cor preta, coloco um chinelo de dedos, amarrei o cabelo num r**o de cavalo e fui de encontro a eles na cozinha.
— Está mais calma? –- Antônio pergunta, servindo uma xícara para mim.
— Sim, daqui a pouco nem me lembrarei disso. — Respondi me sentando de frente a ele e minha mãe me serviu um pedaço de bolo. — Obrigada mamãe, a senhora é a melhor só mundo.
Ficamos os três sentados e por escolha minha deixamos esse episódio r**m de lado e conversamos sobre os momentos alegres da noite passada.
Já me sentindo leve em relação a tudo, sorrio com minha mãe e Antônio, é muito bom ter braços calorosos para me acolher.
Ouvimos bater à porta, uma descarga de adrenalina corre no meu corpo e o silêncio toma conta da cozinha, todos fazemos ideia de quem seja mas no momento é tudo que eu não queria.
— Eu vou lá abrir, e se precisar eu coloco para correr daqui embaixo de vassouradas, não me importo que seja o filho do Patrão, ele magoou você minha filha. — Minha mãe diz realmente furiosa.
— Não precisa disso, Senhora Mary, pode deixar que eu mesmo acabo com a raça dele. — Antônio interrompe se levantando para ir até a porta.
— Não! Não vamos rebaixar a nível que ele chegou, mamãe abre a porta por favor e veja o que ele quer, se necessário eu coloco os pontos finais em tudo isso hoje mesmo. — Intervenho com a voz magoada, se necessário eu deixo a fazenda para sempre mesmo não sendo justas as ações de Jacob.
— Tudo bem minha pequena, você quem sabe. Vou até lá!
Mamãe sai eu e Antônio ficamos em silêncio um olhando para o outro até que ela retornou.
— Jacob quer falar com os dois, vão até lá ou eu o mando ir embora? — Ela pergunta com as mãos na cintura.
— Nós vamos! — Antônio responde depois de me olhar e eu assenti com um sorriso sem graça.
Saímos caminhando firme rumo a varanda, Jacob está sentado de costas para a casa, mas se levanta rápido e para em nossa frente, sua expressão está tão carregada quanto a nossa, meu sangue ferve e eu não seguro a raiva dentro de mim.
— Que brincadeira é essa Jacob? O que veio fazer aqui? Veio me humilhar novamente? Se for isso dá o fora da minha porta, agora! — Assim que digo, Antônio dá um passo à frente e encara Jacob de perto e muito irritado.
— Se disser mais uma palavra destratando a Sam eu não responderei por meus atos. — Antônio diz e volta para o meu lado.
— Então diz logo o que veio fazer aqui? — digo irritada.
— Eu sei que fui um troglodita, não sei onde estava com a cabeça… agi feito um animal, mas eu vim aqui pedir desculpas tanto a você Sam quanto a você Antônio. — As palavras de Jacob me surpreendem, poderia jurar que essa situação se estenderia por mais algum tempo.
— Se para Sam estiver tudo bem, as desculpas estão aceitas. — Antônio responde firme sem perder uma expressão sequer de Jacob.
Olho fixamente para Jacob que está com olhar abatido e com o orgulho visivelmente ferido, por mãos que eu o esteja odiando tem alguma coisa que mexe comigo quando estamos próximos.
— Tudo bem! Está desculpado desde que não volte a ocorrer. — Respondo e aperto a mão que ele estendeu para mim.
— Agora se nós damos licença eu e Sam estamos de saída, passar bem Jacob. — Antônio diz me pegando de surpresa, eu apenas o acompanho até a camionete, não olho para trás.
— Para onde vamos? Tá maluco? Não estou nem em trajes de sair por aí. — Questiono, mas a realidade é que estou aliviada por sair daquele clima tenso.
— Dar uma volta, dormir fora… amanhã te trago cedinho, em tempo de trabalhar. — Antônio avisa e dá partida, vejo de relance Jacob encarando com ira nos olhos.
— Doido! Eu não estou trazendo nada…
— Funcionou! — Antônio me interrompe com um sorriso irônico.
— Do que está falando? O que funcionou? — Pergunto sem entender.
— Jacob mordeu a isca, ele tá pilhado de ciúmes de você… aliás pode ir fundo que esse peão é todo seu! — Antônio diz com um sorriso largo.
— Ele pode ser da nojenta da Caroline, para eles eu sou só a empregada da fazenda. Vamos mudar de assunto! — Puxo o foco para outro tema, meu coração não está pronto para lidar com um assunto tão delicado como esse.
Antônio assenti e dirigi a camionete em direção à sua casa, e como já era de se imaginar sou extremamente bem recebida pelos pais dele.
— Minha menina, eu sai que Antônio não poderia estar em outro lugar se não com você, vamos entrar, tomar um café. — A mãe dele me abraça e me guiou para dentro, nos encontramos com o pai dele na varanda.
— Veja só, se não é minha nora querida, agora que a faculdade já acabou, podemos começar a pensar no casório…
— Papai já conversamos sobre isso, deixem Sam em paz — Antônio interrompe e me puxa para dentro.
Tomamos um café com a mãe dele e depois subimos para o quarto dele onde assistimos um filme, descendo apenas para o jantar.