Isa
O sol atingiu meu rosto em uma explosão de calor no momento em que saímos do aeroporto, carregando nossas malas atrás de nós. Se Chicago não estivesse quente antes de partirmos, eu poderia ter caído em uma poça com a alegria que senti naquele momento.
O ar não ardia no meu rosto, eu não precisava sofrer com o frio sem uma jaqueta.
Havia apenas sol e céu azul quando inclinei minha cabeça para procurar nuvens. Nem uma única permaneceu no horionte, nada para me provocar com a promessa de um clima sombrio à espreita ao virar da esquina. A brisa era praticamente inexistente, mas cheirava a água salgada.
Eu nunca entendi o que as pessoas queriam dizer com aquele cheiro. Nunca tendo estado perto do oceano antes, eu não teria pensado que entenderia tão instintivamente. Mas não havia dúvida em minha mente que era o que era.
— Como cheira a oceano e pinheiros ao mesmo tempo? — Chloe perguntou. Percebi que ela estava certa quando respirei fundo outra lufada de ar da ilha.
— A beleza de Ibiza. — disse Hugo com um sorriso. — Quando sairmos do aeroporto, você sentirá o cheiro das flores de amêndoa também. É apenas... Ibiza. — disse ele, exalando um grande suspiro enquanto fechava os olhos e inclinava a cabeça para o sol acima. — É bom estar em casa.
— Eu não posso imaginar o que deu em você para vir para Chicago. Se é assim o tempo todo, então eu nunca quero ir embora. — eu brinquei, saindo do caminho quando uma grande multidão de viajantes saiu do aeroporto atrás de nós.
— Você sempre pode ficar. — Hugo disse com um encolher de ombros, mas seus olhos ficaram tristes quando ele inclinou o rosto para longe do meu. A lembrança de que o fim da viagem significava o fim de vê-lo todos os dias me atormentava.
— Onde estão seus pais? — Pedi para mudar a conversa.
— Oh, eles não estão vindo. — disse ele, esfregando a nuca do jeito que fazia sempre que eu dizia algo que o deixava desconfortável. — Eles são realmente tradicionais. As pessoas não têm permissão para visitar nossa casa, então o programa nos reservou alguns quartos de hotel na cidade de Ibiza para a semana.
— Eles o quê? — Eu franzi minha testa para ele, abrindo minha boca para dizer algo quando Joaquin interrompeu.
— Confie em mim, é melhor assim. Você não quer conhecê-los a menos que seja absolutamente necessário. — disse ele, dando um passo em direção a um dos dois SUVs pretos esperando no meio-fio. Eu o segui, apenas parando quando Hugo pegou meu braço e me puxou em direção ao segundo veículo.
— Nós não vamos juntos?
Ele balançou a cabeça, uma nota de tristeza em seu rosto enquanto me estudava. — Joaquin e Gabriel estão indo para casa.
— Ah. — Chloe disse. O sorriso sumiu de seu rosto enquanto ela os observava colocar as malas na parte de trás e se virar para nós. O momento foi constrangedor na melhor das hipóteses. Eu não diria que me aproximei de qualquer um dos irmãos de Hugo, pois eles mantinham distância de nós a maior parte do tempo, mas ainda assim o conhecimento de que eu poderia nunca mais vê-los era como uma pontada no meu coração.
Um prenúncio da dor que viria quando eu perdesse Hugo.
Gabriel deu um passo à frente, envolvendo seus braços em volta de mim e me puxando para um abraço enquanto as lágrimas ardiam em meus olhos. — Entre em algum problema enquanto você está aqui, sim? — ele perguntou, descansando o queixo no topo da minha cabeça.
— Sim. — eu disse com uma fungada, recuando para olhar para Joaquin.
Ele me surpreendeu quando suspirou, dando um passo à frente e me abraçando da mesma forma que seu irmão fez. Ele olhou para mim quando se afastou, enxugando uma lágrima do meu rosto. — Cabeça erguida, mi
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reina . Acabará antes que você perceba.
Ele deu um passo para trás, mantendo os olhos nos meus enquanto ele e Gabriel subiam na parte de trás do SUV sem outra palavra. Deu certo e eu olhei para Hugo para encontrá-lo me estudando atentamente.
— Aquele bastardo nem se despediu! — Chloe protestou quando Hugo entrou em movimento de repente. Ele pegou nossas malas, colocando-as no outro veículo enquanto eu observava Joaquin e Gabriel irem embora.
Até que eles desapareceram em nada além de uma memória.
No momento em que o serviço de carro nos deixou no hotel, eu estava prestes a desmoronar em uma poça na cama mais próxima.
Chloe teve outras ideias enquanto praticamente dançava até o hotel boutique com sua mala balançando atrás dela enquanto caminhava. Hugo se aproximou do atendente, falando espanhol com o homem atrás do balcão enquanto nos registrava.
— Señorita. — um homem atrás da mesa disse enquanto dava a volta. Ele estendeu a mão para trás, pegando duas folhas do tamanho de um cartão postal de sua mesa. Ele os estendeu para Chloe e para mim, eu peguei a cartolina grossa na minha mão. O convite champanhe brilhava na luz com tinta dourada que escorria tão luxuosamente que eu toquei nele com um dedo para ver se ainda estava molhado.
Parecia pecado líquido, enquanto meus dedos deslizavam sobre a superfície brilhante.
— Nosso hotel irmão está dando uma festa exclusiva hoje à noite. Tenho certeza de que os convidados adorariam vê-las lá. — disse ele. Eu virei meus olhos para ele, encontrando seu olhar castanho enquanto eu tentava entregar o convite de volta para ele.
— Eu nem saberia o que vestir para algo assim. — Eu ri.
— É à beira da piscina! — Chloe disse, empurrando seu convite na minha cara como se eu não pudesse ler as palavras sozinha.
Encontre-me ao luar.
Era normal um convite parecer tão pessoal?
— Um biquíni e algum tipo de cobertura é o código de vestimenta típico. — concordou o homem.
— Eu não possuo um...
— Eu trouxe um para você. Obrigada! — Chloe gritou quando Hugo deu um passo à frente e aceitou outro convite do homem que fez uma careta para ele. Ele não disse nada, pois foi simplesmente decidido que ele iria a qualquer festa junto conosco. Que eles pareciam mais inclinados a convidar mulheres não era um bom presságio, mas não havia como diminuir a alta de Chloe.
— Já ouvi falar desse hotel. — Ela gritou enquanto Hugo nos levava para os elevadores ao lado do saguão. — É o hotel em Ibiza. Não posso acreditar que recebemos convites.
— Eu só quero tirar uma soneca. — eu protestei. Não que eu não quisesse aproveitar meu tempo em Ibiza. Eu absolutamente não queria nada mais do que sair da minha zona de conforto e experimentar como a vida poderia ser se eu me permitisse aproveitá-la.
Apenas não certo naquele segundo e não pulando no fundo do poço com uma festa na piscina ao luar.
— Você tem muito tempo. — disse Hugo com uma risada enquanto ele passou um braço em volta dos meus ombros e me deu um olhar estranho. — No estilo típico de Ibiza, a festa não começa antes da meianoite.
— Eu geralmente estou na cama até então. — eu rebati, encolhendo os ombros. — O que há com você? O que há com os rostos? — Eu perguntei, cutucando-o na lateral com um dedo agressivo.
— Ele provavelmente está se perguntando como podemos convencêla a perder seu v-card esta noite. — Chloe disse enquanto as portas do elevador nos fechavam no espaço apertado.
— Eu realmente não estou. — Hugo gemeu. — Por favor, não me faça pensar na vida s****l dela.
— Eu não tenho vida s****l. — eu disse, revirando os olhos enquanto o rosto de Chloe enchia minha visão.
— Isso muda esta noite. — disse ela. — Estamos na p***a de Ibiza, Isa. Indo para uma festa cheia de homens ricos que provavelmente sabem f***r. Não seja virgem quando for para a faculdade. Por favor. — ela implorou.
Mordi o lábio, me perguntando o que havia de tão errado em ser virgem. Observando minhas amigas terem seus corações percorridos por toda a escola, garoto após garoto, tive que pensar que era a sortuda. Não era como se eu estivesse esperando porque acreditava que meu único e verdadeiro amor viria para me arrebatar.
Simplesmente não tinha acontecido.
Era difícil me interessar por garotos do ensino médio quando eu sonhava com mãos fantasmas se estendendo da escuridão para me envolver em um abraço sufocante. Era difícil querer que um garoto segurasse minha mão no cinema quando acordei suando depois de sonhar com mãos na minha garganta.
Como um homem poderia se comparar a um fantasma que não existia?
— Tudo bem. — eu gemi quando saímos do elevador e fizemos nosso caminho pelo corredor. Eu não desistiria de qualquer homem. Ele não podia me tocar do jeito que eu queria, não se eu quisesse lembrar quem eu deveria ser, mas também não queria que alguém fizesse amor comigo.
Minha vida era uma justaposição de realidade e desejo, de usar um para derrotar o outro diariamente. Sombras fantasmas estavam por toda parte, me chamando para a escuridão. Puxando-me das profundezas das memórias melhor deixadas no meu passado.
Enquanto Chloe abria a porta do nosso quarto, entrei no espaço e deixei minha mala em uma das camas. — Estoy enfermo. — eu brinquei, provavelmente destruindo a pronúncia e desviando o olhar de Hugo enquanto ele sorria para mim.
— Você não está doente. — ele riu. — Nós não vamos deixar você ficar no quarto do hotel esta noite, entiende?
— Claro — eu suspirei, recusando-me a olhar para ele. Eu gostaria de saber mais do que apenas o espanhol básico que ele me ensinou, teria adorado nada mais do que amaldiçoá-lo em sua própria língua.
Hugo se despediu, indo para o quarto ao lado do nosso dormir um pouco antes da festa. Eu sabia que não valia a pena lutar. Olhei pela janela, olhando para o centro da cidade de Ibiza à distância enquanto meu rosto queimava com o calor do sol.
Então me virei e fui tirar meu cochilo, esperando que isso me rejuvenescesse o suficiente para que o lado escuro do desejo parasse de me chamar.