Durante o mês seguinte, Caio evitou qualquer tipo de contato com Beatriz. Tinha medo dela e as sensações que ela provocava nele. Como poderia desejar tanto estar perto de uma mulher se não podia sentir prazer s****l com ela?
Decidiu que quando tivesse um tempo, voltaria com as sessões ao psicólogo. Na época que saiu do hospital e Nancy começou a trabalhar o caráter dele, Celina exigiu que ele fizesse acompanhamento pra aceitar sua nova realidade, antes de ser inserido de fato na organização.
Caio aceitou porque sabia que esse era um cuidado da chefe. Não só de se aceitar homem mesmo sem pênis, como aceitar que estava naquela situação por culpa dele mesmo, e não querer planejar alguma vingança contra ela.
E Deus era sua testemunha que deixou de odia-la muito antes do acompanhamento, mas sabia que precisava fazer aquilo por ela. Se descobriu gostando das sessões. Não foi fácil aceitar que não teria mais sexo e nem o prazer de um orgasmo. A psicóloga tentou convencer ele de que muitos deficientes se casavam e tinham vidas completas. E alguns até tinham filhos.
Celina até tentou ver algum tratamento que pudesse pelo menos colher seu sêmen, mas sem sucesso. Os espermatozóides são produzidos no saco escrotal e ele não tinha mais nenhum canal que pudesse produzir pra ser coletado. Se ele quisesse namorar uma mulher, se casar e ter filhos, ela teria que ser inseminada por algum doador.
Ninguém nunca mais falou nisso e Caio se aceitou como era. Nunca teve sequer pensamento de sexo com homens e nem interesse. Então se conformou que não teria mais sexo em sua vida e não pensava muito nisso. Quando os rapazes iam pra casa das primas, ele sempre acompanhava pra disfarçar. Eles acabavam em esbórnia e Caio ia pra casa. Ninguém além de sua família sabia de sua condição e nunca era comentado.
E ele estava bem com isso. Até conhecer Beatriz, e descobrir que conseguia perfeitamente desejar beijar uma mulher. E pensava que seria prazeroso sugar os s***s dela, imaginava encher a mão com uma v***a cheia de pelinhos vermelhos. Pensava com curiosidade no que sentiria se visse Beatriz se derramando em um orgasmo provocado por sua língua.
Mas sempre ficava nervoso e frustrado, porque sabia que só iria até ali. E embora ele não precisasse de mais, ela precisaria! Jamais faria aquilo, deixar uma mulher louca sem poder completar o serviço. E Beatriz era linda, jovem, inteligente e gostosa! Fazia até um homem sem p***o* desejar passear aquele corpo todinho com as mãos e boca! Deveria se afastar e deixar ela livre pra encontrar um cara legal pra isso.
Tinha que voltar pras sessões logo e parar de pensar naquilo, ou acabaria louco! Mas como, se estava sobrecarregado?
Ele era responsável pelo treinamento e cuidado dos homens das duas organizações. Pablo o ajudava bastante, mas não era como Joyce, que era subchefe e tinha voz. Além disso, ainda estava encarregado da segurança dela que tinha que ser o mais discreta possível e pra isso usava os homens da organização de Luís, e com esses Pablo tinha mais voz! E como Bruno era muito apegado a Caio, a segurança dele também ficava a cargo de Caio, e ele fazia questão de fazer pessoalmente. Não só porque amava o sobrinho mais do que a um filho, como porque ele era o herdeiro do império no Brasil. E possivelmente na França também, se Helena não se decidisse a engravidar logo.
Estava contente que a carga de serviço o mantinha longe daquela ruiva, mesmo tendo que ir até a casa dela uma vez por semana para levar Bruno.
Mas aí o atentado contra Joyce colocou tudo a perder, pelo menos pra ele! Pablo o ajudou a salvar a irmã e por segurança, a levaram pra casa de Pablo, que estava preparada pra segurança extrema por causa de Bruno. Nos poucos dias que Joyce ficou lá, Beatriz cuidou dela como uma irmã e as duas ficaram muito amigas.
Caio sabia que não precisaria se preocupar com essa amizade porque Joyce era p***a* louca, mas não abriria a boca dela pra falar nada. Não só porque seria péssimo para o irmão, mas porque era treinada para esconder informações pessoais de qualquer m****o da família. Então, apesar de jovem e p***a louca, não saía tagarelando sobre sua vida ou de seus familiares para ninguém.
Mas na primeira visita que Beatriz fez depois que Joyce voltou pra casa, a merda* estava feita! Pablo foi chamado pra levar ela pra casa e Caio para o escritório de Celina.
— Você entende que falhamos na segurança de Joyce?
— Claro que entendo. Mas não foi culpa minha, eu fiz tudo direito, faço as checagens, matriculei dois homens no curso dela pra ficar de olho, bem próximos. Ela sabe se defender, não baixa a guarda, não sei o que aconteceu, de verdade!
— Alguém aplicou sangue na cadeira dela sem que ela ou os seguranças percebessem. Quando se levantou, viu a necessidade de ir ao banheiro. Sozinha! Enquanto um dos homens pediam roupas pra ela se trocar. Foi nesse período que alguém a acertou. Mesmo que ela tenha lutado e tentado se defender, acabou fazendo todo aquele auê que você já sabe.
— De tudo isso eu sei! O que não sei é como isso foi acontecer e como chegaram em uma menina tão bem guardada!
— Vamos investigar isso. Quem fez, Joyce não conhecia e já estava dentro do banheiro, provavelmente escondida.
— E entrou como aluna por que checamos cada um que passa pelos portões, e os banheiros, salas de aula e laboratórios antes de Joyce entrar nas aulas.
— Eu sei que seu serviço é bem feito, Caio. Agora a questão é da inteligência e não mais sua. Vamos descobrir o que aconteceu pra romperem todas as barreiras que você colocou em volta dela, principalmente pra estarmos preparados para a próxima vez que tentarem. Pois quem fez, não vai ser burro de tentar novamente contra Joyce, então o próximo alvo...
— Seria Bruno! Mas quem garante que não vão tentar contra Joyce?
— Ninguém garante, por isso tomei uma decisão. Vou contratar uma moça para acompanhar Joyce na universidade. Lamento um dos seus homens ter sido derrubado nessa ação. Mas vamos substituir o que o escapou porque os disfarces foram revelados e Joyce não vai conseguir se sentir a vontade estudando, pensando que todos sabem que ela anda de segurança particular. E vamos substituir o outro com uma mulher, mais ou menos da idade dela, pra completar a segurança.
— Vou começar agora mesmo verificar as candidatas.
— Não. Já contratei a candidata perfeita. Ela tem treinamento bem básico, mas você e Pablo vão juntos treinar ela diariamente, e transformar em uma máquina melhor do que a Joyce.
— Mas Joyce volta pras aulas em 4 dias! Não vou conseguir treinar uma mulher nesse tempo. E desde quando você contrata pessoal? Desde que você foi nomeada regente há 4 anos e me aceitou em sua equipe, sou eu quem contrato, checo e treino cada operador. Desde o motorista da carga até quem está lado a lado com a família!
— Sim, você é meu homem pra isso. Mas eu ainda sou a chefe disso tudo, dos dois lados, e tenho direito de escolher alguém, você não acha?
— Acho. Me desculpe! Se você acredita que essa moça é o melhor para proteger sua família, só tenho que treina-la incansavelmente. Peça para ela me procurar amanhã às 4 para iniciarmos o treinamento.
— Nossa família, Caio. Para proteger nossa família. Somos irmãos e se Nancy ouve você falando assim, vai te bater em frente a moça! E o treinamento de Beatriz começa hoje. Ela abriu mão da aula de hoje para trabalhar com vocês dois conhecendo o perímetro da própria casa que está sob vigilância. Vocês vão treina-la sob ataque a madrugada inteira. Então, vá descansar porque tem que se apresentar em 4 horas pra passar a noite treinando e defendendo a moça até ela aprender a se defender sozinha.
— Beatriz? Não! Ela não serve pro serviço!
— Como não? Beatriz é perfeita...
— Não. Ela é uma criança, delicada. Fala com os sobrinhos dela como se fosse bebês. Sem contar que ela fala demais, não é discreta nem silenciosa como uma mão branca deve ser. Se vacilar, precisamos é proteger a menina e não colocar ela pra proteger nossa irmã.
— Você tem algum problema pessoal com Beatriz?
— Não. Porque?
— Porque ela é perfeita justamente por tudo o que você disse. Ela não se parece em nada com uma mão branca, nem guarda costas. Aquela exuberância de cabelos vermelhos e b***a e p****s demais chamam muita atenção, sem contar que a menina é faladeira e está bem no meio entre minha idade e a de Joyce. Somos todas crianças, Caio. E devemos andar com moças de nossa idade! Ninguém jamais vai suspeitar de que Beatriz é a guarda costas de Joyce justamente por ela ir na contra mão de alguém que nós contrataríamos. E se você não consegue ver isso, é porque tem algum problema com a moça.
— Problema nenhum. Mas como vai ser? Se as duas fazem faculdade no mesmo horário?
— Estou transferindo Joyce pra mesma instituição que Beatriz cursa, pois lá também tem medicina e na da Joyce não tem economia.
— Mas elas não vão ficar o tempo todo grudadas...
— Claro que não. Essa é a intenção ! E Caio, vai dormir e pára de fazer perguntas!
Caio saiu de lá irritado e foi pra sua casa, na mesma rua que a de Celina...