Caio estava com seus 25 anos quando Joyce entrou na faculdade. A irmã caçula era completamente competente no que fazia e foi substituída por Pablo, que virou o braço direito de Caio no trato com os homens da organização e da máfia!
Caio confiava nele, apesar de poucos dias trabalhando juntos, porque Celina era extremamente cuidadosa com quem trabalhava nas duas organizações. Claro que a fidelidade dos homens se davam a fama de Celina, que a precedia. Ela não aturava traidores e farejava planos. O fato de ela ter salvado toda a família da máfia francesa e ganhado o direito de ser chefe da família na regência da máfia no Brasil, sozinha e desarmada, também ajudava bastante!
Caio demorou um pouco pra se acostumar com os costumes brasileiros, e mais ainda para adequar as leis da máfia no Brasil.
Sabia que tudo estava se modernizando, muitas regras arcaicas da máfia não eram mais utilizadas. Claro que isso se devia ao chefe do conselho que era muito jovem, tinha idéias mais despojadas e muito do que era considerado errado antigamente, passava a ser certo!
Todos tinham que agradecer as gêmeas do m*l, porque apesar de um jeito errado, conseguiram o direito de as mulheres assumirem cargos de chefia. Ninguém mais questionava isso. Outras regras tolas também foram exterminadas. Como a prova da virgindade para as noivas da máfia. Isso não era mais importante e o conselho não fazia, embora, claro, era um grande diferencial nas candidatas e elas mesmas se mantinham virgens para seus doms. E a queda dessa regra se devia ao chefe do conselho ter se casado com uma brasileira, que era muito mais acolhedora que os franceses.
Caio sabia das conquistas de sua gêmea e tinha grande orgulho dela, mas Celina era quem comandava tudo e dava idéias a irmã. Ele estava feliz no Brasil e não queria nunca mais voltar a França ou àquela vida de regras que não lhe fizeram bem.
Quando fazia uma auto avaliação, percebia que foi criado para o m*l, por gente louca que achava que mafioso tinha que ser c***l! Marcos mostrou esse outro lado para o conselho. Ele era c***l e impiedoso, um demônio, mas com quem merecia e no exercício da função. Fora isso, ele era família, dedicado, amoroso, cuidadoso. Não é a toa que Celina se apaixonou por ele, mesmo apaixonada por Luís.
E essa era uma das coisas que Caio estranhava no comportamento brasileiro! Aonde, na França, um chefe aceitaria dividir sua mulher tranquilamente?
Mas a vida particular de sua irmã e chefe não lhe dizia respeito. Eles viviam bem e isso que importava.
Ele bateu na porta do escritório de Celina e aguardou resposta. Quando ela mandou entrar, ele pediu licença:
— Mandou me chamar?
— Sim. Amanhã tenho algo pra resolver com Marcos e Luís juntos. Preciso que você faça a proteção de Bruno.
— Como eu te disse, o melhor jeito é levando ele pra casa do Pablo. Lá teremos Pablo, eu e alguns homens, tudo o mais discretamente possível.
— É exatamente o que quero. Foi com essa intenção que te cedemos Pablo, pra vocês proteger Bruno com o máximo de normalidade e ele ter crianças bem educadas pra fazer companhia. Você não achou que era pra você ficar de olho nas pernas da ruiva peituda né?
— Não sei do que você está falando!
— Vai dizer que você não reparou naquelas pernas bem torneadas da Beatriz, a irmã do Pablo?
— Não! Não reparei. Não entro na casa de parceiro pra desrespeitar não.
— Não é desrespeito nenhum olhar aquela exuberância ruiva que ele tem em casa.
— Continuo sem saber do que você está falando, Celina. Mesmo que eu tivesse reparado nessa pessoa que você está falando, de nada me serviria, não é mesmo? Não é como se eu fosse um homem normal que olha uma mulher com cobiça!
— É sério isso, Caio? Você não cobiça mulher nenhuma?
— Há quatro anos atrás, o médico me explicou que se o tiro não tivesse estraçalhado meu saco, eles removeriam, pois é nele que se concentra o desejo s****l masculino. Como não tenho mais pênis, seria torturante ficar e******o e não ter como aliviar.
— Então vai ter que dar ré no quibe...
— Celina, eu não sou maníaco s****l igual a você que precisa de dois homens pra te satisfazer. Aliás, acho melhor você cuidar da sua vida.
— Não é um maníaco? Se bem me lembro, está nessa situação justamente por ser maníaco!
— Tá certo, mereço sua cobrança. Nos Estados Unidos, fazem castração química em homens que fazem o que fiz. Você já é mais efetiva...
— Sinto muito, Caio! Sinto de verdade ter feito isso com você. Mas se você não pensa em sexo homo, vai passar o resto da vida sem sexo?
— Não me faz falta, Celina...
— Mas o psicólogo disse que você pode sentir prazer com toque, carinho, beijo, sem necessidade de um orgasmo...
— E você está sugerindo que eu cortejo alguma mulher para ser minha amiga? Ficar prendendo uma moça que poderia ter uma vida normal com qualquer homem que não for a p***a de um eunuco?
— Caio...
— Chega Celina, vamos acabar nos ofendendo.
— Você não pode viver sozinho o resto da vida, meu irmão. Tem que arranjar uma boa moça que te faça companhia...
— Tá bom, Celina! Vou arrumar uma mulher pra dar banho de língua. E quando ela sentir necessidade de uma rola*, você pode emprestar um dos seus. Tem dois mesmo, não vai te fazer falta emprestar de vez em quando!
— Você está pensando que meu relacionamento é bagunça?
— Claro que não. Na sua casa o chifre é organizado.
— Você não é obrigado a aceitar meu estilo de vida. Mas é obrigado a respeitar.
— Certo. Vou pra casa do Pablo ajeitar a segurança dobrada pra levar Bruno pra lá.
Caio saiu do escritório e montou em sua moto, se dirigindo pra casas de seu homem de confiança, extremamente irritado.
Claro que ele já tinha notado a exuberância da irmã de Pablo. Beatriz era uma ruivinha linda.
Ela não era essas mulheres toda trabalhadas e não estava no padrão de beleza. Ela tinha p****s e b***a demais, o que fazia ela parecer cheinha. Mas não era. A cintura era fina, a b***a grande e as pernas bem torneadas. O cabelo ruivo natural liso até a cintura, ela costumava usar trançado pro lado. Tinha algumas sardinhas nas maçãs do rosto, nada exagerado e uma boca rosa que pareça um coração.
Caio acelerou ainda mais a moto, pensando: "Que p***a, pra quem não reparou na moça, estou detalhando demais..."
Depois suavizou o rosto, pensando que o que mais o agradava em Beatriz, era seu jeito espontâneo. Ela não tinha muita consciência de que era gostosa pra c*****o* e que todo homem ficava de olho nela. Ela ria a toa, falava pelos cutuvelos. Ela estava cursando segundo ano da faculdade de economia, Pablo disse que o curso foi idéia do Luís. Ela não trabalhava, ajudava a cunhada Sophia com a casa e com as crianças. Ela era muito carinhosa com os sobrinhos e todo mundo achava melhor que ela ficasse em casa ajudando mesmo.
Caio encostou na casa de Pablo e buzinou, pensando que ele bem sabia que Pablo não deixava Beatriz trabalhar pra não ficar na mira de vagabundo.
Viu a diaba linda abrindo o portão da garagem, ele estacionou enquanto ela fechava o portão. Desceu da moto, tirando o capacete e perguntou:
— Cadê seu irmão?
— Enzo teve uma crise de vômito, eles levaram os meninos no médico. Mandou eu te receber e pedir pra você aguardar.
— Negativo. Não é certo você ficar sozinha com um homem em casa. Vou embora e volto depois que ele chegar.
— Não vai. Quero falar com você.
— Não tenho nada pra falar com uma mocinha estando sozinhos em casa, Beatriz! Não é bom pra sua reputação!
— Está com medinho de eu eu te atacar?
— Não tenho medo de nada!
— Hummm. Adoro um homem valente!
Beatriz foi falando e se aproximando, como se fosse beijar ele. E Caio por um segundo ficou olhando aquela boca em formato de coração e desejou que ela o beijasse mesmo. Mas se afastou, nervoso. O que estava fazendo dando esperanças pra aquela menina?
— Você deixe de ser atrevida, Beatriz!
— Porque, Caio? Somos adultos e eu percebo que você também está interessado em mim.
— Ilusão da sua cabeça, não quero nada com você. Eu não tenho interesse em mulheres! Abre o portão pra mim que eu vou embora agora.
— Claro que não. Você vai jogar uma bomba dessas na minha cabeça e fugir? Você é gay?
Caio deu um sorriso de lado enquanto colocava o capacete de volta, já tinha subido na moto. Melhor deixar ela pensando que ele era gay do que explicar a real situação.
— Não estou fugindo de nada, mesmo porque essa situação você quem causou. Você é muito atrevida, principalmente pra viver no crime como você. Cuidado que uma hora você encontra alguém que não seja tão paciente quanto eu.
Quando ela ameaçou responder, ele tocou no acelerador, fazendo o motor de sua bebê gritar. Ela percebeu que tinha perdido a batalha e abriu o portão, mas no rosto dela estava nítido que não desistiu da guerra…