SAFIRA NARRANDO A luz branca atravessava a cortina e desenhava faixas tímidas no chão. Por um segundo pensei que a noite anterior fosse um sonho ou talvez um pesadelo .. então as lembranças vieram em pedaços: a porta pesada daquele quarto, o som metálico, o aperto, o peso dele. Meu corpo todo arrepiou e eu me sentei na cama, ajeitei o vestido que estava amassado e respirei fundo, com a boca seca. Ele estava lá, do outro lado do quarto, sentado na poltrona como se o mundo inteiro fosse apenas um detalhe ao redor dele. O charuto apagado ainda deixava um rastro de fumaça, e no rosto dele havia a mesma serenidade perigosa de sempre. Quando nossos olhos se encontraram, senti um nó no estômago que não era só medo era vergonha, confusão, uma mistura que me fazia querer chorar e querer gritar

