Hugo estava consciente no hospital, apenas o pós-operatório o incomodava, mas uma medicação era administrada para que ele não sentisse tanta dor, no momento ele não podia receber visitas, nem mesmo do policial que havia sido designado para lhe fazer perguntas, contudo em seu interior, cada sensação de dor causada pelo ferimento das balar, era um desejo de vingança que crescia, pois Hugo sabia muito bem que havia sido Amanda quem o tentou assassinar.
— Desgraçada! Eu caí como um patinho na história dela, a vagabunda foi me visitar, por que eu reclamei da ausência dela, fingiu estar na minha, a safada transou comigo, como se me desejasse, mas ela... Ela buscou o tempo todo uma oportunidade de me ferrar! Isso sim! Desgraçada! Será que ela sabe? Ela descobriu o que eu fiz? Imagina Hugo
Alguns meses atrás, Hugo, percebendo a mudança de comportamento de Amanda em relação a presa que eles tinham mirado atacar, havia resolvido agir.
Hugo e Amanda, haviam visto Eduardo em um quiosque na praia de São Luiz, Hugo se entrosava em um grupo, fingindo ser do alto escalão, ele então fazia amizade, tomava uma cerveja junto da pessoa e dizia apresentar uma amiga, assim era todos os golpes, Amanda seduzia, transava, enlouquecia os homens, depois que conseguia informações como senhas de banco, cartão... Ou mesmo chantageava homens casados, arrancando somas enormes de dinheiro, ela sumia, era sempre assim. Até aquele dia.
Hugo se recorda de beber a mesa com Eduardo, não o suficiente para se embriagarem, mas o suficiente para deixar a conversa mais descontraída, falar de negócios, era assim que ele descobria se a pessoa era mesmo rica, o que possuia…
— E então, meu caro Eduardo, vai ficar quanto tempo aqui em São Luiz? Pergunta Hugo.
— Cara, não sei, de verdade eu não sei... 1 semana talvez… Eu cheguei ontem, vim conhecer a capital maranhense... Sabe, tanto se fala que o povo maranhense visita tanto o Piauí, eu resolvi ver os encantos do Maranhão...
— Meu caro, eu vou te mostrar os encantos do Maranhão, sabe, eu tenho uma amiga, moça direita, muito bonita, acho que vocês combinam, ela é, na verdade, irmã da minha namorada, mas é uma moça realmente linda, se chama Amanda, você realmente deveria conhecer ela...
— Imagina, cara, estamos nos conhecendo faz o quê? O tempo de tomar 3 geladas e você já quer me apresentar uma mulher? Não é nenhum agenciador de garota de programa não, não é? Pergunta Eduardo desconfiado.
Hugo se faz de ofendido, afirmando que não... Eduardo sorri...
— Estou brincando velho! Você me parece um cara legal…
— Você é uma figura Eduardo... Ih! Olha ela ali! Amanda! Vem cá Amanda! Diz Hugo chamando sua cúmplice, já tudo previamente combinado, depois de certo tempo, ela se aproxima.... Fingindo surpresa...
— Hugo! Tudo bem? Coincidência te ver aqui!
— Coincidência mesmo... Olha, este é o Eduardo, meu amigo, quero que o conheça...
Assim que os dois trocaram olhares, pela primeira vez, uma química bateu forte entre eles... Deixando Hugo de cara encucado, afinal Amanda nunca havia olhado para outro homem daquela forma... Não demorou muito e os dois começaram a sair, houve a primeira transa entre eles, e as férias de Eduardo, que seriam uma semana, se tonaram 15 dias...
— Amanda! O que está acontecendo? Você tem saído para t*****r com aquele cara todo dia! Esqueceu nosso plano? Nosso trabalho? Questiona Hugo, certo dia, quando ela chaga de madrugada em casa.
— Amor! Aquele homem não é rico! É milionário! Nós temos que colocar as mãos no dinheiro dele, por que nos conformar com 50, 60, 100 mil se podemos colocar as mãos em milhões?
E assim, nasceu o plano de Amanda de dar o golpe em Eduardo, mas cada vez mais ela foi se envolvendo com ele, se apaixonando, pela primeira vez, se apaixonado por alguém... Descobrindo um sentimento que nem por Hugo ela tinha.
Hugo na cama do Hospital, recorda que Amanda havia mudado, por isso ele havia cobrado dela aquela visita, entes de ela ir o visitar, haviam discutido, o motivo? Amanda havia desconfiado que Hugo havia visitado Eduardo em Teresina, e isso era verdade, tomado de ciúmes ele foi até Eduardo e tentou o envenenar, quase o matando.
— A v***a descobriu que fui eu... Descobriu que eu fui o causador daquela tentativa de o envenenar... Desgraçada! Ela não perde por esperar, porque eu vou me vingar! Eu vou me vingar... Diz Hugo.
Nesse momento, Carlos chega na casa de Eduardo, a chácara e o encontra desmaiado, caído...
— Eduardo! Eduardo! Cara! O que aconteceu aqui? A pulsação dele está fraca! Ele precisa de uma ambulância agora! Sozinho, não poderei fazer muita coisa... Diz Carlos deitando o amigo no sofá e verificando seus sinais vitais enquanto chamava a ambulância de sua clínica.
A mente de Eduardo parecia haver colapsado, aquela dualidade de informações era demais para sua mente, enquanto era socorrido por seu amigo, Eduardo parecia vagar por dentro de si mesmo, em seu sub consciente, ele parecia caminhar por meio de um caminho em que apenas podia ver a trilha formando a estrada, mas não se via nada ao seu redor, apenas um grande vazio... Até que de repente ele chega em uma praia, o mar, o vento batendo no rosto... Tudo era real, muito real... Eduardo sabia que estava inconsciente, ma não conseguia despertar, ele tinha noção disso...
— Mas... O que está acontecendo? Eu... Eu fiquei louco? É isso? Só pode ser isso... Aquela mulher! Marta, ela deve ter me dado alguma coisa, só pode ser isso... Diz ele.
Ao longe, Eduardo vê a figura de um homem caminhando em sua direção, ele então tem a ideia de se aproximar daquela figura, não distinguia o que era ou não real... Mas quanto mais se aproximava do tal homem, ele ia percebendo semelhanças, semelhanças com ele mesmo, os dois eram idênticos! Eles param um em frente ao outro, Eduardo se questiona.
— O que significa isso? Você... Você sou eu? É isso? Pergunta Eduardo.
— Finalmente... Finalmente, eu encontrei uma forma de ficar frente a frente com você. Eu sou você, só que no passado, assim como você... Sou eu no presente, somos duas consciências, unidos na mesma mente, no mesmo corpo... Eu sou Gaspar... Gaspar Castilho, Eu sou você no passado... e acabei despertando aqui no presente, o motivo eu não sei... Mas eu preciso que você me escute, somos um só! Eduardo, não deve ficar com a Amanda, não é ela, a mulher feita para você... A mulher que você deve amar e proteger, que deve cuidar... Ela é Marta! Você e eu... Precisamos ser um só! Assim, você ficará a par de tudo, por dentro de tudo... Diz a figura de Gaspar.
Nesse instante, Eduardo acorda na Clínica de Carlos, levantando da cama rapidamente, ofegante... Contido por Carlos...
— Marta! Marta... Precisa de mim! Ela precisa de mim! Diz Eduardo.
— Calma! Calma meu amigo... Diz Carlos.
— Carlos, eu... Eu sei de tudo! Eu lembro de tudo agora! Não posso ficar aqui! Diz Eduardo.
— Calma, meu amigo! Olhe, eu chamei Amanda, sua noiva, para cuidar de você! Ela deve já estar chegando.... Diz Carlos.
Nesse exato momento, Amanda abre a porta do quarto, havia acabado de chegar...
— Edu! Meu amor! Eu cheguei! Cheguei para cuidar de você! Eu sabia! Sabia que não estava bem, ao me dizer tudo aquilo... Me colocando para fora de casa assim! Mas eu vou cuidar de você! Meu amor...
Eduardo empurra Amanda, afastando ela dele...
— Fique longe de mim! Foi você! Você! Eu me lembro de tudo! Você me matou na minha vida passada! Você empurrou ela! Você empurrou a Marta daquela Janela! Eu já lembrei do seu rosto! Você, assim como eu, reencarnou? Ou como Marta foi trazida do passado? Responda! Brígida! Diz Eduardo surtado.