Quem vem?

888 Palavras

A chuva começara fina, quase imperceptível, quando Eduardo deixou a clínica. Carlos havia cedido apenas depois de horas de discussão, impondo condições, advertências médicas e uma promessa frágil de que Eduardo retornaria se sentisse qualquer instabilidade. Mas ambos sabiam: aquilo era uma mentira necessária. Eduardo entrou no carro com as mãos firmes no volante. Não havia tremor. Não havia dúvida. Gaspar estava ali, não como uma voz, mas como uma memória viva. Como experiência. Como culpa. — Não vamos repetir o erro — pensou. O endereço que Jorge havia deixado registrado na delegacia não era difícil de encontrar. Uma rua tranquila, casas simples, árvores antigas. Um lugar que parecia seguro demais para quem carregava uma história quebrada pelo tempo. Eduardo estacionou a uma quadra d

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