Eduardo abriu os olhos devagar, sentindo o peso do corpo e a mente estranhamente clara. A sedação havia passado quase por completo. O quarto da clínica estava silencioso, iluminado apenas pela luz fria do corredor que entrava pela fresta da porta. Ele respirou fundo. Dessa vez, não havia confusão. Não havia vozes sobrepostas. Gaspar estava ali, mas não como um intruso — era como se ambos tivessem finalmente se assentado no mesmo lugar. Somos um só agora, pensou. Fechou os olhos por um instante e imagens vieram com nitidez perturbadora: a antiga casa, o rangido da escada de madeira, o cheiro de maresia misturado à cera das velas. Viu Brígida. Viu o ódio nos olhos dela. Viu Marta sendo empurrada, o grito, o impacto seco. Eduardo levou a mão ao rosto, sentindo um nó no estômago. — Não d
Baixe digitalizando o código QR para ler incontáveis histórias gratuitamente e livros atualizados diariamente


