Capítulo 3 : Presente

983 Palavras
Século XXI, julho de 2024... Em um banco de areia que se forma no meio do rio Parnaíba, entre as cidades de Teresina e Timon no Maranhão, há o que muitos chamam de" prainha" ou Jricoroa, a praia de água doce, como muitos a chamam e como ela é conhecida, recebendo muitos turistas na época de águas baixas e propícia para o banho... Eduardo é um jovem empresário, que mora na cidade de Timon, mas que trabalha em Teresina onde tem seus negócios, ele mora em Timon por causa de sua noiva, Amanda Ibiapina, com quem ele está apalavrado em casamento, embora Amanda fosse uma boa moça, fiel e apaixonada, Eduardo parecia no fundo, não ter muita certeza do que sentia em relação a ela... Tudo estava prestes a mudar em sua vida naquela manhã... Ao fazer a travessia da ponte metálica, ou Ponte João Luiz Ferreira, que liga Timon a Teresina, Eduardo vê lá embaixo, caída na areia da" prainha" de jericoroa, uma mulher, o que lhe chama rapidamente a atenção. — O que aquela mulher faz ali? O que está acontecendo? Diz ele acelerando seu carro e saindo da ponde, manobrando até chegar na região de acesso para ajudar aquela mulher… Ele estaciona o carro e faz o resto do trajeto a pé, quase correndo, quando se aproxima, a cena o deixa impressionado, ela vestia roupas que arremetiam ao passado, não só a roupa, mas o cabelo... Eduardo pensa a princípio que ela estava fantasiada, aquela mulher ali caída, que Eduardo não fazia ideia de quem era, não era outra pessoa se não Marta, ao ser empurrada da sacada do hotel, em sua noite de núpcias, Marta foi transportada ao futuro, aparecendo ali, nos bancos de areia do rio Parnaíba, sem explicação aparente, ao menos por enquanto... Eduardo se aproxima dela e a inclina o tronco... — Ela está respirando... Moça! Por favor... Moça! Acorde! Está tudo bem? Pergunta ele. Marta então abre os olhos, e ao se lembrar da cena, de ser empurrada da sacada do hotel, ela se assusta e se agarra em Eduardo, lhe abraçando fortemente... — Não! Não! Por favor! Eu não quero morrer! Diz ela chorando e tomada de pavor... — Calma! Moça, calma! Você... Você não vai morrer! Você está bem! Alguém tentou te matar? Vamos avisar a polícia! Diz Eduardo... Marta olha para Eduardo e agora ela paralisa... — Gaspar? O que está fazendo aqui? Que roupas são estas Gaspar? O que aconteceu? Onde estamos? Você também morreu? Diz Marta. — Gaspar? Não... Moça, por acaso você usa drogas? Tem algum tipo de alucinação? Eu me chamo Eduardo! Não conheço nenhum Gaspar! Nenhum mesmo... Aliás, o único Gaspar que já ouvi falar na minha vida, é o meu Bisavô! E só sei disso devido ao nosso sobrenome... Castilho! Marta se levanta, meio tonta, ela quase cai, mas Eduardo a ajuda... — Gaspar Castilho! Mas que absurdo! Onde estamos e como me trouxe até aqui? Por acaso estais a me confundir é isso? Diz Marta. — Moça, olha só! Você sabe ler? Deve saber, afinal de contas, em pleno século XXI, uma moça bonita e educada, com um português tão rebuscado quanto o seu... — Gaspar, que brincadeira é esta? Sabes que Estevão e eu nos casamos! Estava eu em noite de núpcias com ele, quando… Meu Deus! Alguém me empurrou da sacada do hotel... Eu caí! Deveria estar morta, isso sim! Eu caí! Eu tenho certeza! Diz Marta. — Moça, você é muito bonita, tem um jeito tão delicado, mentir desse jeito! — Mentir? O mentiroso aqui é você Gaspar! Fica mentindo ter outro nome, ser outra pessoa... Dizendo ser bisneto de si mesmo! E que estamos no século XXI! Gaspar... Você já foi mais criativo, desde que Brígida o flagrou a visitar aquela moça na calada da noite... — Meu Deus, você além de se vestir de forma extravagante, ainda fala asneiras... Você precisa de tratamento! As drogas estão estragando seu juízo! Diz Eduardo. Nesse momento, Marta olha a sua volta, ela vê um avião voando no céu, fazendo o barulho que lhe é peculiar, depois olha para cima de onde estava no rio e vê a enorme estrutura da ponte metálica, carros passando, motos... Era muita informação para ela processar... Marta volta a desmaiar, Eduardo rapidamente a coloca nos braços a socorrendo… — Mas que saco! Esta garota vai ferrar com o meu dia, meus compromissos... Diz ele. Mas Eduardo olha para Marta, desacordada em seus braços, aquela expressão frágil e inocente em seu rosto, despertava nele um sentimento de proteção, Eduardo sentia a necessidade de lhe proteger, ter ela em seus braços, estranhamente fazia seu coração bater acelerado, era uma sensação que Amanda sua noiva não lhe despertava... — Ela... Ela é linda! Muito linda! Eu... Nunca... O quê estou fazendo? Que loucura... Eduardo, leva Marta nos braços até o seu carro e depois a leva até uma clínica de propriedade de um amigo seu, Dr Carlos Augusto... Assim, ele teria a certeza de que aquela mulher seria bem tratada, bem diagnosticada, ele não iria abandonar ela, iria ajudar aquela moça e descobrir quem era sua família, o que ela tinha... Estava determinado. — Alô? Segurem as pontas aí na empresa, aconteceu um imprevisto, eu... vou ter que ficar o dia fora, ok... Diz Eduardo. Logo em seguida, uma mensagem de Amanda, sua noiva no celular, uma mensagem de áudio... —" Amor... Estou indo para São Luís, volto em 1 semana... Vou ficar morrendo de saudades de você... principalmente depois daquela nossa noite de ontem... Quando eu chegar.... Vamos repetir... Diz Amanda." — Tudo bem, amor, beijo para você, também vou ficar com saudades... Boa viagem... Vou ficar no meu apartamento em Teresina viu, estes dias que você estará fora... Diz Eduardo. Ele olha para Marta, deitada no banco de trás... E liga o carro, a levando até o médico.
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