Eduardo despertou lentamente, como quem retorna de um mergulho profundo demais. O teto branco da clínica surgiu diante de seus olhos, borrado por alguns segundos. O cheiro de álcool e medicamentos confirmava onde estava. Mas sua mente… sua mente estava clara como nunca. Gaspar não era mais uma presença distante. Não havia vozes sobrepostas, nem lapsos. Era como se duas vidas tivessem finalmente se encaixado em uma única linha de memória contínua. Ele lembrava do passado com a mesma nitidez com que lembrava do presente. E lembrava, acima de tudo, de Marta. Virou o rosto com dificuldade. O braço ainda estava pesado por causa do sedativo, mas o corpo respondia. Observou o quarto em silêncio, ouvindo apenas o bip ritmado do monitor cardíaco. — Ela está sozinha… — murmurou. A porta se abri

