Capítulo 19 BEATRIZ NARRANDO Acordei com a luz do dia filtrando pelas frestas da cortina. O quarto tava silencioso, mas quente. A coberta embolada no pé da cama, o travesseiro úmido de tanto choro… e ali, do meu lado, a Patrícia. Dormindo encolhida, com uma das mãos ainda entrelaçada na minha, como se nem dormindo ela quisesse soltar. Senti um nó apertar de novo na garganta. Mas dessa vez… não era dor. Era gratidão. Ela ficou comigo. Não largou minha mão em nenhum momento. Nem quando eu chorei até não ter mais força, nem quando falei absurdos, nem quando me olhei com tanto ódio que nem eu mesma me reconhecia. Me virei devagar, tentando não acordá-la, e sentei na beira da cama. O corpo ainda tava cansado, a alma ainda machucada. Mas, por algum motivo, o peso parecia um pouco menos suf

