CAPÍTULO 148 CAMILA NARRANDO: Tem gente que nasce com sorte. Eu nasci com silêncio. Silêncio de não ter o nome da mãe na certidão. Silêncio de não saber quem era o pai. Silêncio das noites geladas em abrigos onde a gente aprendia cedo demais que o mundo não dava colo. Cresci pulando de lar em lar, de história em história, sempre com aquele rótulo invisível colado na testa, sem família, sem passado, sem ninguém. Mas eu tinha a mim. E, de algum jeito, isso foi suficiente. Aos 18, quando o sistema me largou no mundo com uma sacola de roupas velhas e uma promessa de que “ia dar certo”, eu entendi que ninguém ia segurar minha mão. Então, virei a própria força. Trabalhei de tudo. Caixa de mercado, atendente de padaria, vendedora ambulante… mas foi no palco da boate que encontrei o único l

