>> Maria >>
A minha vida se resume em duas coisas. A primeira é tomar decisões que eu sei que estão erradas e mesmo assim não conseguir abandoná-las. A segunda é passar vergonha e eu sou realmente muito boa nisso.
Essa era a segunda vez que eu vinha para a casa que o Rato tem aqui no complexo. A casa do meu avô estava se tornando um pouco sufocante para mim já que tudo lá meio que me lembrava da minha época de namoro. Contudo, da primeira vez que eu vim para cá eu tive a sorte de me esbarrar com o meu irmão na entrada do morro e para o meu azar, eu acabei de descobrir que eu não tinha prestado tanta atenção no caminho quando eu deveria.
— Tá perdida? — A voz rouca e pouco conhecida fez todo o meu corpo estremecer. Esse cara já tinha me avisado duas vezes que não queria me ver aqui, e para o meu azar, todos os caminhos desse bendito morro parece que me levam a ele — Posso te achar se você quiser…
— Agradeço a sua gentileza, mas eu sei perfeitamente onde estou! — Eu disse me virando para ele e encarando o seu rosto como se estivesse prestes a começar um duelo. Ele colocou um sorriso debochado no rosto e pôs o cigarro que estava na boca entre seus dedos, afastando ele na boca e soltando a fumaça pela boca — Eu não preciso da sua ajuda!
— Beleza! — Ele falou com o sorriso debochado no rosto. Eu dei de ombros. Ignorando a presença do brutamontes e o sorriso i****a no seu rosto — Os cara na boca vai ficar amarradão em receber visita.
Eu parei com os meus passos no mesmo instante em que meus olhos se arregalaram. Sentir as minhas bochechas queimarem quando o som da sua risada atingiu os meus tímpanos. Eu engoli em seco, enquanto observava a quantidade de homens que fumavam ao redor de onde estava e me virei para ele com um sorriso simpático e forçado no rosto. Ele levantou uma das sobrancelhas como se esperasse alguma coisa.
— Talvez, só talvez, eu tenha me confundido um pouco. — Eu disse em um tom sério enquanto encarava o rosto dele com um pouco de timidez. Eu não poderia negar que ele era um preto lindo, se não fosse pelo fato dele ser um envolvido e se eu não estivesse perdidamente apaixonada pelo meu ex, eu poderia cogitar a possibilidade de investir nele.
— Eu tô ligado! Mas fica esperta, não quero ter que contar para o Rato que o corpo da irmã dele foi achado em uma vala — Ele disse como se não fosse nada demais, fazendo com que eu arregalasse os olhos e na mesma hora senti o meu corpo sendo preenchido pelo medo. O homem começou a andar, fazendo com que eu olhasse para os lados e corresse para o seu lado assim que recebi um sorriso torto de um dos fumantes.
— Mas você não vai me ajudar? — Perguntei enquanto arrumava a mochila em meus ombros e tentava acompanhar seus passos.
— Pensei que você não precisasse da minha ajuda… — Usou as minhas palavras contra mim, sem diminuir a velocidade dos passos. Eu não sabia ao certo se era melhor seguir ele, mas mesmo com a sua cara que dizia que ia me dar um tiro a qualquer momento ele parecia a pessoa mais simpática desse lugar, pelo menos até agora.
— Isso foi muito antes de eu perceber que estava errada. Por favor, me desculpe! — Eu falei, com um tom um pouco desesperado na voz e ele mordeu os lábios com um sorriso satisfeito no rosto — Pode me levar até a casa do meu irmão?
Ele olhou para mim pela sua visão periférica. Eu abri o meu sorriso mais simpático enquanto colocava as para trás e olhava a cabeça para o lado. Ele continuou me olhando para mim por um tempo e depois
— E o que eu ganho com isso? — Ele perguntou, parando de andar e colocando uma das suas mão no bolso. Ele se virou para mim e afastou o seu cigarro da boca com a mão livre enquanto soltava a fumaça.
— A minha gratidão? — Perguntei como se fosse o óbvio e o mesmo me olhou como se perguntasse se eu estava falando sério.
— Não sou guia turístico, ainda mais se for pra ganhar tão pouco — Disse em um tom de menosprezo e eu olhei para ele como se não acreditasse. Ele me olhou de cima a baixo como se estivesse procurando algo em específico e eu senti as minhas bochechas quererem corar.
— Você é sempre tão gentil? — Perguntei cruzando os braços, em um tom irônico e olhando para ele como se estivesse decepcionada.
— Depende, você é sempre tão chata? — Ele retrucou, fazendo com que eu abrisse um pouco a boca ao me sentir ofendida.
— Olha aqui… — Eu levantei o dedo e comecei a falar em tom de ameaça, mas fui interrompida por uma voz muito bem conhecida por mim.
— Maria? — Elisa perguntou parece surpresa e ao mesmo tempo curiosa. Eu olhei para ela com um sorriso e abaixei o dedo que ainda estava levantado — Por que não avisou que vinha? Eu teria feito almoço!
— Está entregue, Ratinha! — Ele disse, me fazendo olhar para ele por alguns segundos. Quando eu olhei ao meu redor, percebi que esse tempo todo eu o estava seguindo em direção a casa do Rato.
— Obri… — Eu ia agradecer, mas ele simplesmente virou as costas e saiu andando como se eu não tivesse a menor importância. Também não liguei muito para isso, ele continuava sendo um grosseiro para mim.
Quando eu me virei para a minha melhor amiga, ela estava com um sorriso bobo no rosto e ao seu lado, tinha uma morena com tranças vermelhas que me encarava de uma maneira estranha. Acabei descobrindo que o nome dela é Roberta, ela é irmã do homem que me estava aqui a poucos minutos atrás. Ao contrário do irmão, ela era aquele tipo de pessoa simpática que você conhece agora, mas tem uma conexão tão boa que parece que a conhece há séculos.
— Eu juro que tudo o que eu queria era um preto bem gostoso em cima de mim — Diz Roberta, se jogando no sofá e abrindo o pote de sorvete que a Elisa tinha entregando nas mãos dela assim que entramos.
— Para garota, você vai me levar para o m*l caminho — A repreendi rindo e joguei um travesseiro nela, que se desviou e por pouco não agarrou na Elisa. Que estava sentada no "braço", do sofá com uma colher cheia de sorvete na mão.
— Alá, falou aquele que tava se fazendo de perdida e quase subindo no meu irmão para pedir "ajuda". — Ela respondeu, fazendo com que eu ficasse envergonhada ao saber que ela tinha visto aquela cena
— Aí gente, para, não foi nada disso! — Disse envergonhada e as duas me olharam com cara de: Foi isso sim. — Eu estava realmente perdida e o seu irmão ter aparecido foi só uma coincidência.
— Mas ficou toda boba quando ele te chamou de gatinha. — Elisa disso com malícia e eu dei risada, colocando a almofadas no meu rosto impaciente com as duas mulheres que ficavam criando histórias ao meu lado.
Ele me chamou de ratinha… Isso é bem diferente de gatinha.
— Mas falando sério, se você não tiver pensando em só pegar e largar, nem vá. O B-boy não curte esse lance de ter fiel — Informou a Roberta como quem não queria nada, ela enfia a colher no pote cheio de sorvete no seu colo e pega uma boa quantia.
— Eu não tô pensando nem em pegar ninguém, mesmo ele sendo um gostoso — Respondi como se estivesse apontando para o óbvio. As duas me olharam com a sobrancelha erguida e a cara de quem duvidava. Apenas dei com os ombros. — Estou tentando mudar de vida, realmente gosto da palavra do Senhor, e namorar/pegar um traficante não está incluso nas coisas boas da vida de um cristão.
Isso não era bem uma mentira, eu ia pra igreja toda quinta.
— Louvado seja Deus. - Roberta fez quase uma súplica de agradecimento, sacudindo o as mãos juntas em direção ao teto e eu dei risada.
— Traficante não, comerciante de drogas ilícitas! — Nós três tomamos um susto quando ouvimos a voz rouca e grossa na porta que obviamente esquecemos aberta. O irmão da Roberta se encontrava no batente com os braços cruzados e me encarava com um sorriso ladino.
— A quanto… tempo você tá aí? — Perguntei, sentindo todo o meu corpo querer entrar em combustão por causa da vergonha.
— O suficiente para saber que você me acha gostoso — Ele falou enquanto me encarava de maneira convencida, eu acabei me engasgando com a minha própria saliva enquanto passava o meio dos meus p****s para que a saliva pudesse descer com mais facilidade.
— Deixa a guria em paz Fernando! — Roberta ordenou enquanto ria pelo meu nervoso. O irmão franziu a testa e olhou agora ela com uma careta de quem tinha comido algo que não gostou.
Então o nome dele é Fernando…
— Na frente do zoto é B-boy! — Ele falou sério, fazendo a morena dar com os ombros e olhou para a Elisa com a sua expressão fechada. — Cadê o Rato?
— Saiu faz um tempo. — O mesmo deu com os ombros em resposta e ficou alguns segundos olhando para mim antes de passar pela porta. Um sorriso acabou se formando nos meus lábios quando ele olhou para trás antes de passar completamente pela porta . Quando eu sair dos meus devaneios, Roberta e Elisa me olhavam para mim de uma forma maliciosa.
Ficamos a tarde toda conversando. Havia muito tempo desde a última vez em que eu tinha tirado um tempo para mim. Para aproveitar a minha melhor amiga e para conhecer pessoas novas. A faculdade estava engolindo metade do meu tempo e Victor o outro.
Sinto tanta falta dele…
E como se ele estivesse lendo meus pensamentos, o meu celular tocou com uma notificação do Victor dizendo que queria me levar para um lugar depois da aula de amanhã. Não consegui conter o sorriso com as inúmeras possibilidades que passaram na minha mente
Me arrumei para a faculdade na casa da Elisa e do Rato. Meu irmão demorou anos para contar a Elisa o que sente por ela e quando conta, ainda têm que morar com ela. Sendo que ela não o rejeitou e parece gostar dele de verdade.
Parece que não dá pra ser a gêmea inteligente e que também dá certo no amor…
[...]
Eu encarava o teto na minha frente com dor. A minha v****a ainda latejava pelo m****o pequeno, porém grosso que o Victor tinha. Contudo, a verdadeira dor foi quando eu olhei para o lado e tudo o que encontrei foi um pedaço de papel. Dizendo que ele tinha coisas mais interessantes para fazer nessa manhã e que ela para que eu não esquecesse de tomar o remédio. Embaixo tinha a seguinte observação: Eu só paguei até às dez!
Eu estava me sentindo um objeto, um objeto que ele usa e joga fora quando bem entende e apesar de todos os dias dizer para mim mesma que isso não vai acontecer de novo, sempre acontecia, eu sempre caia na história que ele vai mudar e que dessa vez seria diferente.
E o pior é que eu mesma criava essa ilusão.
Quando as lágrimas frias deslizaram pelo meu rosto. Eu coloquei o antebraço por cima dos olhos, como se estivesse me escondendo do cara lá de cima por ter sido fraca outra vez e ter caído na tentação. Eu me era a maior i****a de todas.
Elisa não sabia que eu ainda ficava com o Victor, porque eu sabia que ela contaria para o Castiel e que ele bateria com a cabeça do Victor na parede sem pensar duas vezes. Eu não tenho exatamente nada contra traficantes, meu pai é, meu irmão é e meus padrinhos são. Mas tudo o que eu não queria na vida era ser uma Maria fuzil.
Mas agora? Eu estava chorando por causa do canalha de um estudante de medicina metido a b***a e que era filho de um delegado. Me levantei devagar e respirei fundo quando vi o quarto de motel vazio. Fui até o banheiro onde escovei os dentes e tomei um banho rápido vestindo outra muda de roupa que estava na mochila, já que a que eu estava usando hoje na aula estava completando rasgada.
Fiz um coque no cabelo e me olhei no espelho, eu estava um caco e tudo o que eu precisava agora era da i****a da minha melhor amiga, então, sair daquele quarto onde a poucas horas tinha tido algumas horas de prazer, com o objetivo de chegar o mais rápido possível no morro onde minha amiga estava morando com o Castiel. Eu tinha que dormir lá já que tinha falo para meus pais que iria dormir com a Elisa e levei um chute na b***a do Victor.
— Calma aí boneca, qual teu nome? -— Pergunta um dos vapores. Me barrando assim que eu cheguei na entrada do morro e eu revirei os olhos.
— Tá falando sério? Eu tô aqui quase todos os dias! — Exclamei incrédula e o moreno alto, magro e um pouco desprovido de beleza deu com os ombros — Eu sou irmã do Rato. Pode perguntar pra ele.
— Rato saiu com a mina dele — Ele falou me fazendo bufar e olhar em volta. Minhas pernas estavam ainda bambas por causa do sexo que durou horas graças as drogas que o Victor tinha usado. Quem disse que filho de delegado não pode ser babaca?
— Então chama aquele moreno alto, forte e todo tatuado.- Eu não acredito que estava apelando para o irmão da morena, mas se eu precisasse de permissão para entrar, eu tinha certeza que se viesse do dono do morro ninguém iria falar merda. O meliante franziu a testa como se estivesse tentando lembrar de alguém com essas características. — Aquele que tem uma irmã morena com tranças vermelhas… Não lembro como vocês os chamam… O irmão da Roberta.
— Pode me chamar de B-boy — Eu tomei um susto quando o homem parou do lado do vapor com um sorriso convencido — Ou do dono da por.ra toda.
Seu olhar percorreu por todo o meu corpo, e eu senti meus pelos se arrepiarem quando ele umedeceu os lábios enquanto parava a sua atenção para o decote nos meus p****s. Eu levantei a camisa escondendo meus pequenos s***s e ele deu uma risada de leve. Babaca!
— Por favor, você pode mandar o seu homem me deixar passar? — Perguntei o encarando, quase o implorando, tudo o que eu queria era um canto para sentar e chorar.
— lá ele — Diz rindo me fazendo revirar os olhos da sua infantilidade, então deu duas batidinhas no ombro do meliante ao seu lado. — A mina tem liberdade pra ir e vir enquanto o Rato estiver na quebrada.
— Desculpa aí Dona. - Foi tudo o que o vapor disse, mas eu apenas assenti com a cabeça enquanto olhava para o seu chefe. Que me olhava fixamente como se procurasse algo incomum em mim, eu deixei para lá e subi pelo morro à procura de onde era a casa da Elisa e do meu irmão. A qual eu nunca conseguia lembrar.
Eu não havia comido nada desde cedo, porque achava que o Victor iria pelo menos me pagar um jantar antes de me levar para um motel, mas estava tão cega de amor que aceitei tudo o que ele me ofereceu numa boa. Respirei fundo quando finalmente cheguei a casa do meu irmão, mas estava trancada e eu sequer sabia se eles tinham algum lugar de emergência para guardarem uma segunda chave.
— Se você for boazinha, eu te deixo dormir na minha cama. — B-boy me faz tomar outro susto, qual o problema desse homem com anunciar a sua chegada?
— Eu não estou tão desesperada a ponto de dormir com você. — Disse o óbvio e ele apenas riu olhando para baixo e depois fixamente nos meus olhos.
— Eu disse na minha cama, não comigo. - Ele riu convencido fazendo as minhas bochechas queimarem de vergonha. — Mas se você quiser eu peço para o Rubão te levar até o seu pai.
— A sua irmã… Ela tá em casa? — Perguntei fazendo o mesmo olhar para mim, curioso, quando o mesmo assentiu com a cabeça eu quase gritei de tanto alívio. — Então, tudo bem! Mas se eles chegarem antes da meia noite eu volto pra cá.
— Eu duvido que você vai querer ficar aqui depois de ouvir a trilha sonora que eles fazem todas as noites. - Eu arregalei os olhos com a descoberta. Era mais que óbvio que estava acontecendo algo entre Elisa e Castiel.
Mas eu não gosto do fato dela ter descoberto uma paixão ou um t***o pelo meu irmão justo quando o Gabi entrou na vida dela. Não que ele seja um santo, mas é um cara muito legal e eu odiaria ver ele magoado.
Eu continuei caminhando pelo morro com o B-boy ao meu lado, ele não disse uma palavra desde então, mas a sua presença me deixava à vontade, mesmo sendo desconfortante a maneira curiosa como ele me olhava.
— Faz faculdade do que? — Ele perguntou me fazendo franzir a sobrancelha e olhar pra ele.
— Como sabe que eu faço faculdade? — Perguntei curiosa, sentindo toda a sensação de conforto indo embora e sendo substituída pelo receio, ele riu.
— Eu tenho a ficha de todos que entram e saem do meu morro. — Eu arregalei os olhos parando para olhar para o mesmo, que me olhou de cima a baixo ficando de frente para mim. — Tô perguntando só pra puxar papo mesmo
— Você sabe que isso é crime, não sabe? - Perguntei indignada pela falta de privacidade e ele mordeu os lábios, tentando prender a risada e começou a caminhar em minha direção com passos lentos, fazendo com que eu o acompanhasse com passos para trás até que a minha coluna batesse contra a parede e colocou um braço envolto a minha cabeça.
— Por que? Vai me prender? - A ironia na sua voz era nítida, mas eu não consegui fazer nada quando o rosto do homem de pele escura e olhos castanhos claro ficou a poucos centímetros de mim.
O corpo dele não era muito maior que o meu, que graças a Deus puxei a altura do meu pai, mas seus ombros largos e braços musculosos me faziam ter a impressão que ele poderia me destroçar no momento que ele quisesse.
— Maria? — A voz curiosa da Roberta me fez olhar para o lado e o B-boy se afastou de mim de forma tranquila e olhou para a irmã.
— Trouxe sua "amiga" para dormir contigo, Morena. — Falou para irmã que logo abriu um sorriso largo, mas minha atenção se voltou para o moreno que me olhou de um jeito maroto e sorriu. — Boa noite, princesa!
Eu não sabia ao certo se o achava lindo ou amedrontador, talvez os dois, mas sabia muito bem que iria ter que tomar cuidado com o que falava perto dele, até por que eu tenho o karma de sempre me apaixonar por homens que parecem fadados a me machucar. Tudo o que eu não quero, é me apaixonar por alguém que vai contra a vida que eu estou tentando levar.
Ela me levou para dentro de casa e logo um pequeno par de olhos castanhos pousaram em mim, era um menino de aparentemente quatro anos, era moreno, com os cachinhos do cabelo quase batendo no queixo, seu rosto me fazia lembrar do B-boy, mas olhei para a Roberta para que ela confirmasse.
— Esse é meu sobrinho, Júnior. — Diz me fazendo olhar surpresa mais uma vez.
— É do B-boy? -— Perguntei fazendo a mesma rir.
— O Fernando é meu único irmão, Então… — Ele disse como se fosse o óbvio e vai para algum lugar, eu fui até o tapete e me sentei perto da criança que me olhava curiosa.
— Oi príncipe, meu nome é Maria. Tudo bem? — Perguntei com um sorriso, eu amava crianças, não era atoa que eu estava fazendo pedagogia. Primeiro eu pensei em Pediatria, mas odiaria ver esses pequenos seres humanos sentindo algum tipo de dor.
— Oi! — Disse com um sorriso simpático — Você é a nova namorada do papai?
Perguntou fazendo minhas bochechas queimarem, podia não parecer, mas eu era uma tímida sem conserto. Roberta saiu do que parecia ser uma cozinha bebendo um copo de água e rindo, depois explicou para o sobrinho que nem todas as mulheres eram namorada do pai, o que confirmou o meu raciocínio sobre o B-boy ser um tremendo galinha.
— Então você vai ser minha amiga? As mulheres do meu pai quase nem falam comigo. — Ele pergunta com um sorriso, que fez o meu coração se apertar.
— Claro. Me ensina a jogar? — Perguntei apontando para o jogo em sua mão e ele acenou que sim com a cabeça enquanto Roberta revirava os olhos e se jogava no sofá, claramente entendeu que perdeu a amiga para o mais novo.
Eu fiquei um bom tempo conversando com o Júnior, que deixou escapar que seu sonho era ir pra escola e fazer amizade com outras crianças de sua idade, eu poderia dizer que entendia o motivo do B-boy prender o filho, mas sou amiga da filha do dono do morro ao lado e ela cresceu mais solta pelo morro do que um passarinho pelo mundo. Talvez seja por causa do seu rato de estimação…
Fiquei horas conversando com o menino, que era um amor de pessoa, claramente puxou a tia por que o pai já se mostrava ser um galinha de primeira categoria. Logo ele dormiu em um dos sofá e Roberta estava dormindo no outro, me levantei indo até onde eu achava que era a cozinha, e que por sorte era e peguei um pedaço de bolo gelado na geladeira e um copo de suco me sentando na banqueta do balcão.
Comecei a comer enquanto mexia no celular, sentir meu coração se apertar, e algumas lágrimas quererem escorrer quando vi no i********: do Victor o mesmo postar uma foto com a Ingrid, uma foto se beijando...
Eles oficializaram...
— Deu pra assaltar a geladeira? — Levei a mão no peito quase de imediato e levantei meu olhar para o mesmo que estava com os braços cruzados próximo a mim. Ele franziu a testa quando olhou para meu rosto, mas pareceu entender tudo quando olhou para o celular. — Tomou chifre?
— Não… — Disse rindo de leve da sua pergunta nada sensível e enxuguei algumas lágrimas que caíram de ousadas.
— Então sem o.k. — Deu com os ombros e eu arregalei os olhos quando o outro pegou o bolo todo e uma colher, começando a comer, sem nem tirar ele da boleira.
— Pode não contar ao Rato? — Perguntei para o mesmo que parou de comer e olhou para mim confuso
— Do teu chifre? — Perguntou curioso e eu revirei os olhos.
— Eu já disse que não levei chifre! — Falei quase me irritado e ele deu com os ombros, que homem irritante.
— Sua vida não é da minha conta, não. Tô te abrigando porque é irmã do meu parceiro. Dos teus corres, cuida tu. — Ele voltou a atenção para o seu bolo, eu voltei para o meu. Logo o celular do mesmo apitou e como ele já tinha conseguido terminar o bolo todo, pegou o aparelho e digitou alguma coisa — Dorme no quarto azul lá em cima, mas se quiser me agradecer pode bater na porta ao lado.
— Obrigada! - Disse sendo grata de verdade pela hospitalidade, enquanto ignorava o seu convite duvidoso, tudo o que eu não precisava hoje era voltar para casa e aturar as perguntas da minha mãe.
Por isso preferi arriscar a minha vida na mão de um desconhecido, na minha cabeça era muito melhor ser morta do que ser pega na mentira. B-boy apenas riu e foi para a sala pegando o filho, jogando a criança no ombro como se ele fosse um saco de batatas, quanta delicadeza.
Logo eu limpei o que tinha sujado e também a boleira onde o monstro comeu aquele bolo. Me dirigir até o quarto e me permitir sentir a dor de ser usada outra vez.