Estamos em casa,eu preparei o café e arrumei toda a casa antes de ir a escola. É meu último dia de aula e depois tenho uma consulta no médico,se eu estiver certa as coisas estão prestes a mudar.
O dia foi radiante hoje. Porque eu estou feliz? Bom,fiz dezessete anos ontem e estou um ano a frente de ir embora daqui. Não que eu já tenha um plano para sair,mas tenho o sonho de correr dessa cidade o mais rápido possível.
A aula foi cheia de despedidas e abraços apertados,lágrimas e promessas que nunca deram cumpridas pois sei que quando a maioria cruzar aquela porta se esqueceram de tudo que houve aqui.
Saio apressada para não perder a hora da consulta,pego um táxi e indico a localização do consultório. Assim que chego a recepcionista me leva até a sala.
- Bom dia Srta. Swindoll. - o médico era moreno e aparentava estar perto dos cinquenta,seus cabelos grisalhos não escondiam isso.
- Bom dia doutor. Então e os exames? - Eu tinha feito exames mês passado porém só agora tive tempo de me livrar do meu tio para vir olhar os resultados.
- Parabéns,a Srta. Será mamãe. - Meus olhos se encheram de lágrimas,minha mão desceu instintivamente até a minha barriga como em um agradecimento. Não que eu queira estar grávida daquele monstro mas o bebê não tinha culpa,eu não deixarei ele tomar o meu novo Plof de mim. Ninguém vai matar você,eu prometo.
Depois da consulta voltei para casa saltitante,entrei e fechei a porta atrás de mim mas o cenário que encontrei me fazia querer voltar aonde estivesse segura.
- Aonde estava? - Gritou ele da cozinha da casa. Tudo estava revirando e ele encontrou o recibo da consulta. Merda!
- Não é da sua conta! - Exclamei levantando o rosto em desafio. Ele veio em minha direção com um peso diferente sobre os pés. Seus passos pareciam ecoar mais forte.
- Como disse fedelha? - Sua mão veio em direção a mim e por reflexo protegi minha barriga. Merda dupla!
Seus olhos acompanharam minha mão e foi exatamente onde ele bateu. Sangue escorria das minhas pernas e lágrimas dos meus olhos,nesse momento minha raiva foi tão grande que eu corri para a cozinha. Sabia que ele viria atrás de mim,vasculhei as gavetas e achei uma faca de carne;não houve tempo para uma estratégia quando eu me virei ele estava atrás de mim e a faça acertou seu coração.
Meu corpo começou a tremer e eu cai no chão junto com seu corpo,chorei enquanto nosso sangue se mistura a no chão.
- Levante Ayla!. - Gritei para mim mesma me obrigando a ficar de pé. Corri até meu quarto e peguei algumas roupas,fui na cozinha e peguei o dinheiro que ele guardava no pote de arroz. Tomei um banho e me troquei,o sangue já havia estancado mas o meu medo de ter perdido o meu pequeno Plof só aumentava.
Peguei um táxi e pedi que ele me levasse a um ponto de ónibus,peguei o primeiro para New York sem olhar para trás.
- Por favor Plof,esteja vivo,por favor esteja vivo. - Eu sussurrava para mim mesma como um mantra para me manter sã.
- É uma menina. - Um mulher sentou ao meu lado sem que eu percebesse. Ela aparentava estar na casa dos sessenta anos e seus cabelos já eram brancos como nuvens. Seu corpo robusto e suas vestes simples.
- Não entendi. Como sabe que eu... - Não terminei a frase, a Senhora me olhou com carinho e segurou em minhas mãos como se já me conhecesse a muitos anos.
- É uma menina. Cuide bem dela. Ela é sua esperança para uma nova vida. - Dito essas palavras ela acariciou minha barriga e se levantou indo embora sem nada mais dizer.
...
Cheguei na grande cidade. Completamente perdida seria a forma certa de me descrever neste momento,eu rodava em torno e me sentia uma pequena formiga no meio de tudo isso.
Andei sem rumo prestando atenção suficiente para me perder em apenas dois minutos.
Do outro lado da rua havia uma lanchonete chamada The Gold,era muito movimentada então me senti mais segura lá dentro.
Várias pessoas entravam e faziam seus pedidos principalmente os trabalhadores da empresa a frente.
- Olá querida! Quer alguma coisa? - Uma senhora simpática me atendeu,ela tinha cabelos louros e olhos verdes,sua pele denúncia a que ela estava perto dos cinquenta anos.
Vasculhei minha bolsa a procura do dinheiro,mas quando eu o achei constatei que não havia o suficiente para comida. Precionei os lábios e pus a mão na barriga,realmente estávamos com fome.
- Desculpa eu,não estou atrasada. - Menti,a mulher segurou em meu braço e silenciosamente me levou até os fundos.
- O que faz aqui? - Me arrepio com sua pergunta. Não posso dizer tudo a ela.
- Meus país me colocaram para fora de casa porque estou grávida. Estou sem dinheiro e não sei nada sobre essa cidade. - Falei rápido de mais e nem eu acreditava nessa minha mentira.
- Pobre menina,venha,coma alguma coisa e quando o movimento abaixar nos conversamos. - Ela nem me conhecia e me daria comida? Que tipo de pessoas se fábrica aqui?
Sem jeito a segui e me sentei na mesma mesa. Ela me serviu da mesma forma que servia aos executivos mesmo eu não tendo como lhe pagar. Comi uma fatia de torta de frango e uma xícara de chá quente, logo as pessoas começaram a sair e o local ficou quase vazio. Quase.
- Me chamo Danica Weiss. Sei que você não me disse a verdade,e também sei que não me dirá. Mas você precisa de um lugar para você e seu bebê ficarem e também um local para trabalhar e eu estou precisando de mais uma funcionária. O que me diz? Podemos juntar nossas necessidades? - A encarei quase em espanto. De onde vim ninguém me trataria dessa forma,ela está confiando em mim mesmo sem me conhecer e não posso abrir mão dessa oportunidade.
- Claro que sim! Me chamo Ayla Swindoll. A senhora não vai se arrepender. - Aperto sua mão e ela sorri. Um olhar quase como uma mãe. Quase.
Ela pediu que eu a seguisse e saímos por dentro da enorme cidade,entramos em um tipo de hotel e ela me conduzido para um dos apartamentos. Era pequeno e aconchegante,composto de três cômodos e já mobiliado.
- Sei que não é grande coisa. Comprei isto para o meu filho antes dele morrer,tenho problemas em vender coisas entendi? Então quero que fique com ele. - Suas palavras não demonstravam luto,mas orgulho.
- Como ele se chamava? - Toquei em seu ombro,ela estava perdida em seus próprios pensamentos.
- Rubens. Ele era policial,morreu quando tentava salvar a vida de uma turista. - Seus olhos brilhavam e ela segurava um colar nas mãos com a foto de um homem,era muito bonito,olhos verdes, cabelos escuros e um sorriso brilhante.
- Sinto muito. - A abracei assim como uma mãe faria com sua filha. Ela tinha orgulho do feito de seu filho e não seria por menos.
- Fique a vontade querida. Qualquer coisa que precisar pode me ligar ou, vir até minha casa atrás da lanchonete,adorarei ter alguém para conversar. Seus horários de trabalho deram todas as manhãs as 10:00 horas, fechamos as 18:00 horas. - Ela me deu um beijo na testa e saiu me deixando sozinha naquele apartamento.
Essa será minha nova vida,tudo vai ser diferente Plof, ninguém fará m*l a você, ninguém.