Capítulo 3 - Um Lugar

973 Palavras
- Não! - Gritei para o nada. Ele estava aqui,estava tentando me matar. Quando estarei livre disso? Olhei para a janela e percebi que os primeiros raios de sol estavam se formando do lado de fora,a única forma de olhar a hora era pelo relógio de parede na cozinha. Tomei um banho demorado aproveitando para analizar a minha barriga,sei que daqui a alguns dias ela estará crescendo,tinha mais de um mês quando sai de lá e aos poucos ela vai tomando sua forma. Olhei nos armários e achei comida enlatada,agradeci mentalmente. Me sentei no sofá e fiquei encarando a janela enquanto o sol nascia naquela imensa cidade. Olhei para o relógio e ainda era 06:00 horas da manhã,tenho muita coisa pra fazer. Peguei uma vassoura é um pano úmido,devagar e sem fazer esforço por causa do meu pequeno Plof comecei a arrumar aquela casa que estava coberta de poeira. Quando terminei de fazer tudo já eram 08:00 horas,fui ao banheiro e tomei outro banho,vesti uma calça jeans preta e uma blusa bege simples,arrumei meus longos cabelos negros e deu alguns tapas em meu rosto para ele ficar mais corado,com a correria esqueci minha maquiagem que não permitia que eu parecesse um zumbi. Terminei faltando trinta minutos,desci as escadas e caminhei até a lanchonete. Danica estava abrindo as portas. - Bom dia Dani. - Falei simpática,ela me abraçou com força e sorriu ao me ver. - Bom dia querida,venha vou te mostrar o que você vai fazer. - Entramos e ela me ensinou a mexer no caixa e a servir mesas,não demorei a aprender. Logo os clientes começaram a chegar. Atendi no caixa enquanto Danica servia as mesas,junto a nós havia Michel e Michelle,eles são irmãos e trabalham aqui a bastante tempo. Michel é alto e n***o,seus olhos são verdes e seu cabelo é preto como os meus, Michelle também é n***a e é um pouco mais baixa do que eu,seus cabelos são cacheados e seus olhos são castanhos. - Animada para a hora do almoço? - Perguntou Michel a sua irmã,ainda não fomos apresentados formalmente então eu fico fora das conversas. - Um pouco,mas adoraria que essa hora alguém me notasse. - Ele a olhou fazendo bico como se estivesse magoado por ela não ligar para sua presença. - Mas e você Ayla? - Pela primeira vez Michael dirigiu a palavra a mim,seus olhos agora brilharam denunciando que não era a primeira vez que ele me olhava,mas era a primeira que eu o encarava. - A.. eu.. eu... Estou ansiosa para o primeiro dia. - Falei incerta e recebi um lindo sorriso de Michel. - Vamos lá,já são 12:00 horas. - Avisou Danica,logo os clientes começaram a chegar. Eu fiquei no caixa por causa da minha atual situação,enquanto os outros corriam de um lado para o outro atendendo clientes das empresas próximas a lanchonete. [...] Finalmente chegamos ao final do expediente e nunca me senti tão cansada por estar sentada. Eu, Michel e Michelle agora somos amigos e compartilhamos vivências,se bem que eles tem muito mais do que eu. Rimos muito até entrarmos em um assunto delicado de mais para eu conseguir conter as lágrimas,a maternidade não estava me ajudando a guardar os meus segredos. - Então,e a sua família? - Perguntou Michelle,pensei muito antes de responder,eles são de confiança então respirei fundo já que Danica sabia que eu tinha mentido. - Meu pai morreu a três anos, e não tive mais notícias da minha mãe. - Confidenciei. Michel me abraçou de lado e eu agradeço com um sorriso,fazia muito tempo que eu queria um abraço assim,sincero e sem maldades. - Quem é o pai do bebê? - Mais uma vez Michelle me pegou,não segurei as lágrimas e os soluços vieram logo em seguida,Michel apertou seu abraço e eu não contive a vontade de deitar minha cabeça em seu ombro. - Quem foi o desgraçado? - A voz de Michel estava cheia de rancor e desprezo. Ele me abraçava como se fosse sua irmã. - Me... Meu tio. - As lágrimas não cessaram de cair. Soluçava como uma pequena criança. O silêncio se alastrava mas era confortável, finalmente eu tinha pessoas que se preocupavam comigo. - Vai ficar tudo bem agora querida, ninguém fará m*l a você,eu te prometo. - Com essas palavras me soltei do abraço apertado de Michel e corri para os braços de Danica como se ela fosse a minha mãe. E era assim que eu há via,como a minha mãe. - Somos seus irmãos Ayla,se você quiser claro. - Sorriu Michelle mostrando seus perfeitos dentes brancos,ela me abraçou e choramos juntas,pelo visto não sou a única sentimental aqui. Michel me levou ate o apartamento e se despediu com um beijo no topo da minha cabeça,ao entrar me deparei com a solidão,mas dessa vez era confortável pois eu sabia que mesmo estando sozinha eu não estava,havia uma família zelando por mim agora. Depois de preparar algo para comer parei na frente da cama de casal e a encarei em desafio. As imagens de tudo que ele fazia comigo fluia em minha mente,eu tinha medo de dormir na cama,tinha medo de acordar e ele estar ao meu lado. Ou quando ele bebia e esquecia de me desamarrar,caia embriagado e eu passava a noite toda em posições dolorosas. Tinha medo de vê-lo,tinha medo do dia em que o matei,tinha medo da adrenalina em meu sangue. Eu vi na cama,minhas mãos amarradas na cabeceira da cama,minhas pernas abertas amarradas cada uma de um lado para que eu não pudesse fecha-las. Ele caiu no chão desacordado de tanto álcool e eu passei a noite despida e amarrada, chorando e soluçando,me perguntando o porquê minha vida tinha que ser assim. Com essas lembranças eu desisti de dormir na cama,peguei o lençol e o travesseiro,e me aconcheguei no sofá. Era ali que eu me sentia segura.
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