O barulho metálico da porta da cela abriu uma brecha no silêncio opressor que me acompanhava há horas. Levantei a cabeça devagar, sentindo o frio das paredes de concreto me envolver como se quisesse me esmagar. A visita de meu pai era algo que eu esperava e, ao mesmo tempo, temia. Lorenzo Morelli não era um homem comum. Cada passo dele, cada olhar, cada gesto tinha o peso da autoridade e da experiência de quem já lidou com o impossível. Quando ele entrou, a presença dele preencheu imediatamente o espaço. Alto, elegante mesmo em meio à simplicidade da cela, ele parecia ter saído de um mundo paralelo — o mundo onde nada era impossível, onde tudo tinha um preço, e onde a vida, de alguma forma, sempre estava sob controle. — Enzo. — Ele disse apenas isso, com a voz firme, mas carregada de pre

