A Voz da Sombra

945 Palavras

Os dias que se seguiram ao encontro com o delegado Arlindo foram uma mistura de ansiedade e paranoia. Eu circulava com malas de dinheiro escondidas em cofres e apartamentos que ninguém sabia que existiam, enquanto Arlindo fazia os “movimentos” para convencer juízes e promotores. Era como caminhar num campo minado: um passo em falso, e tudo viraria ruína. Isadora me ajudava do jeito que podia. Às vezes, só de vê-la sentada na poltrona, folheando distraidamente um livro, eu sentia como se houvesse algum refúgio em meio ao caos. Mas até ela percebia que meu olhar estava sempre distante, pesado. Numa dessas noites insones, enquanto observava a cidade do alto da varanda, o celular vibrou. Número desconhecido. Atendi. — Alô? Silêncio por alguns segundos. Depois, uma voz distorcida, grave, im

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