O silêncio dentro daquele galpão parecia um campo minado. Cada passo ecoava como se fosse explodir alguma coisa dentro de mim. Eu tinha a mão de Isadora presa na minha, mas, pela primeira vez, não era por proteção. Eu precisava daquilo para não desabar. E então apareceu. O rosto que eu jurei que nunca mais veria. O rosto que eu carreguei nos pesadelos e que acreditava ter sido enterrado para sempre. — Não... — saiu da minha boca como um sopro de ar envenenado. — Não pode ser... Isadora arregalou os olhos. Por um segundo, achei que ela não reconheceria, mas logo levou a mão à boca, como se tivesse acabado de engolir veneno. — Lara? — a voz dela vacilou. — Mas... você... você estava... A mulher diante de nós sorriu. Aquele mesmo sorriso venenoso, que eu conhecia tão bem. O mesmo sorris

