— E o que ele te contou?
A put*a que pariu, eu disse que não queria saber de nada.
— Ele me disse que dói um pouco na primeira vez, mas depois o ân*us se acostuma.
— Então o Marco é o ativo.
Eu sabia!
Bem, era evidente que Marco era quem estava no comando.
— Marco ainda não comeu o Luis.
— O quê? Perguntei surpresa, não esperava por isso. — Mas eles estão saindo desde janeiro e já estamos quase em abril.
— Bem, não é que o Luis não queira, mas parece que o Marco está evitando o assunto. Justamente na semana passada, o Luís convidou o Marco para ir à casa dele para trans*ar. E sabe o que o Marco fez?
— O que ele fez?
— Foi com todos os amigos dele e eles levaram umas cervejas e o videogame para jogar PES. Eles ficaram na sala de estar da casa do Luis o dia inteiro bebendo e jogando.
— Por que ele fez isso? Eu sabia que o Marco era um idio*ta, mas isso foi demais. Me sentia m*al por Luís, com certeza ele estava muito animado para aquele momento e o namorado idio*ta dele estragou tudo.
— Segundo o que o Luis me disse, seus amigos queriam conhecê-lo melhor. Por isso, foram à casa dele para saber mais sobre ele.
— Não me diga que ele disse isso? Mas que tremendo idiot*a. Espero que o Luís não tenha acreditado nele.
Tendo mil desculpas para dar, ele vai e diz uma bobagem dessas. Sério mesmo, o Marco é o melhor aluno da escola? Parece que para isso não há nada vivo.
— Luis está cego. Marco é seu crush desde antes de se declarar gay. Então ele está como numa nuvem de peido. Acredita em qualquer coisa que Marco diz.
— Mas da outra vez ele me disse que o Marco era estranho. Então, você deve estar muito consciente de que o misógino está te enganando.
— Está ciente de que o relacionamento dele com o Marco... eles não parece de namorados. Mas ele tem medo de repreender Marco, que não está levando a sério. Ele está com medo que ele o deixe.
— Mas, ele é um idi*ota, o Marco está enganando ele lindamente. Eu achava que não tinha como o Marco cair mais do que já caiu no meu conceito. Mas olhem, a cada dia ele me surpreendia mais.
— Isso eu disse a ele, mas ele diz que é questão de tempo. Ele está apaixonado.
— Pobre Luís, olha que se apaixonar por um idio*ta desses. A verdade é que eu me sentia m*al por ele, ele não merecia ser tratado assim.
Ter informações sobre a vida se*xual de Marco era algo que eu não esperava saber, mas agora saber que ele não tinha dado o c*u ou colocado sua flor no vaso de alguém. Me dava uma estranha sensação de tranquilidade. Embora, se me perguntassem "por que tranquilidade?", provavelmente seria porque a cada dia eu estava percebendo que Marco não vale o interesse. Se eu soubesse, essa razão era meio forçada. Mas a verdade era a única coisa que me vinha à mente.
Infelizmente, segunda-feira chegou e eu estava novamente na escola. Hoje quase não houve novidade, exceto pelo fato de que nosso coordenador nos informou que nossa antiga professora López acabou de se aposentar, então a partir de agora teríamos uma nova professora de psicologia.
— Muito bem, pessoal. Disse José, chamando nossa atenção ao entrar na sala com as típicas pastas de presença para os professores. —Deixem-me apresentar a vocês a nova professora de vocês. Informou, levantando a mão em direção à porta onde estava uma mulher bastante jovem, de estatura baixa, não devia passar de um metro e sessenta e cinco, gordinha, com cabelo castanho curto e olhos escuros. A mulher entrou na sala, parecia um pouco nervosa em sua caminhada. Isso não era um bom sinal, entrar nervosa na sala do terceiro ano sendo a nova professora só trará problemas para ela. — A professora Clara Del Castillo dará o curso de psicologia. Disse com uma ameaça escondida em suas palavras. José também havia notado que a professora parecia tímida. Então ele sabia que com certeza a comeríamos viva. — Professora, se alguém a desrespeitar, basta dar um boletim e avisar a direção. A mulher olhou para ele surpresa, mas assentiu.
José deixou os papéis em sua mesa e explicou algumas coisas administrativas. Depois, ele se retirou, nos lançando um olhar ameaçador antes de desaparecer de nossa vista.
A professora parou depois de assinar diversos papéis e olhou para nós um por um até que seu olhar se concentrou nos do fundo. Não sei se os outros teriam notado, mas eu sentia que ela estava olhando especificamente para o Marco e ele também parecia estar olhando para ela.
— Bom dia. Como viram, a partir de hoje sou a professora de psicologia de vocês. Chamo-me Clara del castillo. Fiz meus estudos secundários no San Bautista e meus estudos universitários em Harvard.
Mas que po*rra é essa?
A San Bautista era o colégio mais caro de Buenos Aires naquele lugar só iam as crianças ricas e Harvard, pensei que só nos filmes se podia ver gente daquele lugar. O que fazia uma mulher que deveria estar ouvindo os problemas de Donald Trump, aqui na nossa humilde escola? Estará fazendo caridade?
Note que não só eu estava em choque, mas também meus outros colegas.
— O que você está fazendo aqui? Perguntou Aldana, que estava sentada ao meu lado, sem qualquer consideração. Embora vários parecessem querer perguntar a mesma coisa, já que todos assentiram olhando para ela.
— Queria ensinar. Respondeu um pouco hesitante.
— Na Argentina? Indagou Aldana incisivamente. Dava para ver que minha amiga não gostava nada da professora. Suponho que era por sua afinidade com o Marxismo, aquela ideia de que todo o m*al do mundo é culpa do capitalismo, e aqui tínhamos uma filha disso.
— É meu país natal. Respondeu, olhando-a curiosamente. Obviamente noto que o tom de Aldana não era o de uma boa aluna respeitosa com sua professora.
— Numa escola pública? Retrucou minha amiga m*alcriada.
— Pública ou privada, acho que é a mesma coisa, afinal vocês são o futuro da nossa nação. Respondeu com um sorriso, no qual já não se encontrava aquela mulher tímida que entrou na sala. Realmente parecia outra. — Minha querida aluna, ser rico não te torna má e ser pobre também não te torna boa. São apenas nossas ações que nos definem. Então, por favor, evite julgar minhas ações com base no dinheiro que tenho. Dê essa oportunidade a si mesmo, porque se não o seu mundo de preconceitos vai encurralá-la e você não vai conseguir sair dele. E isso te impedirá de conhecer muitas pessoas que poderiam tornar a sua existência muito melhor. Então, peço que primeiro me conheça antes de se fechar completamente para mim por coisas que não me definem como pessoa.
Aldana queria responder, mas eu belisquei a perna dela para que parasse. Porque a professora realmente a tinha colocado fora de combate.
A professora Clara começou a nos contar o que veríamos com ela naquele ano. Realmente, a professora tímida tinha desaparecido completamente. Agora ela falava em tom firme e várias vezes nos fez rir com suas anedotas sobre Harvard. Mas algo me deixou surpresa, Marco a olhava. Na maioria das vezes, Marco tem seu estilo de contato zero, até mesmo com as professoras. Por isso, quando elas costumam falar, ele se recosta na carteira sem prestar atenção. Mas agora ele estava olhando para ela e notei que ela também costumava olhar para ele de vez em quando. Um sentimento de desconforto começou a me percorrer. Não sabia porquê, mas esta situação estava me irritando.
Depois de uma hora, a professora deu a aula por encerrada e começamos a guardar nossas coisas para ir para casa. Eu estava colocando minhas coisas na mochila quando a voz da professora me interrompeu.
— Villalba, estou te esperando no escritório do DOE. Disse com um sorriso.
— Está bem. Termino e vou. Respondeu Marco, retribuindo o sorriso.
Todas as garotas o olhavam como se ele tivesse ganhado outro olho. O gay misógino da nossa sala acabava de falar com uma mulher sem o seu tom zangado e até lhe tinha dado um sorriso. Essa mulher conseguiu em uma hora de aula o que nós não tínhamos conseguido em quatro anos de escola. Embora algo me dissesse que Marco e aquela mulher se conheciam de algum lugar.
Já fora da escola, eu caminhava ao lado da Mica, pois tínhamos combinado que eu a acompanharia para comprar "Peça-me o que quiser". Dava-lhe vergonha comprar sozinha. Acho que comprar romances erótic*os era mais vergonhoso do que ir comprar camisinhas. Mas como boa amiga que era, acompanhei ela para que ela não passasse vergonha sozinha.