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SETE VIDAS PARA TE ENCONTRAR

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reincarnation/transmigration
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viagem no tempo
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maldição
mistério
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Sinopse

Selene sempre sonhou com uma cidade em chamas, uma coroa ensanguentada e sete homens que juravam encontrá-la em qualquer vida.

Ela só não imaginava que eles existiam.

No presente, eles são homens poderosos, frios e inalcançáveis. No passado, foram seus guardiões, seus amores e a razão pela qual um império inteiro caiu.

Agora, as memórias estão despertando.

Um antigo traidor também voltou.

E Selene precisa descobrir quem ela foi antes que o passado termine de destruir sua nova vida.

Sete homens. Sete vidas. Uma maldição.

E um amor que nem o tempo conseguiu apagar.

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Capítulo1- O Sonho Que Nunca Terminava
O fogo sempre vinha primeiro. Não importava quantas vezes Selene tivesse aquele sonho. Não importava quantos anos passassem. Era sempre o fogo. Chamas gigantescas consumindo torres douradas. Fumaça escurecendo o céu. O cheiro de ferro, cinzas e sangue. Gritos. Centenas deles. Milhares. Era como se uma cidade inteira estivesse morrendo diante de seus olhos. Selene corria. Ou melhor... A mulher que ela era no sonho corria. Porque, mesmo depois de tantos anos tendo aquele mesmo pesadelo, ela nunca conseguia enxergar o próprio rosto. Apenas sabia que era ela. Sentia suas emoções. Seu medo. Seu desespero. Seu coração quebrando dentro do peito. Os corredores do palácio tremiam enquanto soldados armados avançavam em todas as direções. As paredes de mármore estavam manchadas de sangue. Corpos jaziam espalhados pelo chão. E o pior era que ela sabia. Sabia que tudo aquilo era culpa dela. Não entendia por quê. Mas sabia. No sonho, aquela certeza era absoluta. Uma mulher corria ao lado dela. Vestida com roupas nobres. O rosto coberto por lágrimas. - Precisamos ir! - Não! - respondeu uma voz que parecia sair da própria alma de Selene. Uma voz que era sua. Mas não era. - Eles ainda estão lá! - Não há mais tempo! Uma explosão abalou o corredor. As janelas se estilhaçaram. O chão tremeu. Então vieram os passos. Pesados. Rápidos. Furiosos. E, pela primeira vez naquela noite, ela sorriu. Porque conhecia aqueles passos. Ela sempre os conhecia. Sete figuras apareceram no fim do corredor. Sete homens. Sempre os mesmos. Sempre eles. O estranho era que Selene jamais conseguia enxergar seus rostos. Como se uma névoa invisível escondesse suas feições. Mas conseguia sentir suas presenças. Suas vozes. Suas emoções. E sabia, sem qualquer dúvida, que os amava. Os sete. De maneiras diferentes. Profundamente. Intensamente. Perigosamente. Um deles segurava uma espada coberta de sangue. Outro parecia ferido. Outro mancava. Outro tinha os punhos fechados como se estivesse pronto para destruir o mundo inteiro. Mas todos olhavam apenas para ela. Apenas para ela. - Encontramos você - disse um deles. A voz fez o coração de Selene apertar. Era uma voz familiar. Uma voz que ela conhecia há muito tempo. Muito antes de nascer. Muito antes de existir. - Vocês não deveriam estar aqui - respondeu ela. Outro homem sorriu. Ela não podia ver seu rosto. Mas conseguia sentir o sorriso. - E desde quando seguimos suas ordens? Uma lágrima escorreu pelo rosto da mulher. Pelo rosto dela. Porque, naquele instante, compreendeu algo terrível. Eles iam morrer. Todos eles. O sonho sempre terminava ali. Naquele momento. Naquela certeza. Naquela dor. - Não... - Selene. Ela congelou. A voz não fazia parte do sonho. Ela vinha de outro lugar. Distante. Real. - Selene! Os olhos dela se abriram. O teto branco de seu quarto surgiu diante de sua visão. Ela estava ofegante. O coração disparado. As mãos tremendo. Por alguns segundos permaneceu imóvel, tentando lembrar onde estava. Tentando convencer o próprio cérebro de que não estava em um palácio em chamas. Não estava em uma guerra. Não estava vendo pessoas morrerem. Era apenas seu apartamento. Seu quarto. Sua vida. Mais uma manhã comum. - Você está atrasada! A voz de sua melhor amiga ecoou pelo telefone. Selene fechou os olhos. Suspirou. Olhou para a tela. Lívia. Claro. Quem mais seria? - Eu odeio você. - Você diz isso todos os dias. - Porque você liga todos os dias. - Porque você se atrasa todos os dias. Selene sentou-se na cama. - Ainda são sete horas. - São sete e quarenta e três. Ela arregalou os olhos. - O quê?! - Exatamente. Selene desligou na cara da amiga. Depois correu para o banheiro. Quarenta minutos depois, ela atravessava os portões do Museu Nacional de História Antiga praticamente correndo. Seu crachá balançava no pescoço. O cabelo castanho escuro estava preso de qualquer jeito. E o café que havia comprado no caminho ameaçava escapar do copo a cada passo. - Novo recorde? A voz divertida fez Selene parar. Lívia estava parada na recepção. Braços cruzados. Sorriso debochado. - Oito minutos. - Já cheguei quarenta minutos atrasada antes. - E conseguiu superar a si mesma. - Obrigada pelo apoio. - Estou aqui para isso. Selene revirou os olhos. As duas seguiram pelo corredor principal. O museu ainda não estava aberto ao público. Funcionários caminhavam de um lado para outro organizando exposições. Caixas chegavam. Peças eram catalogadas. Documentos circulavam. Era o ambiente perfeito para Selene. Ela adorava aquilo. Adorava história. Adorava artefatos antigos. Adorava a sensação de tocar objetos que haviam sobrevivido séculos. Coisas que existiam muito antes dela. Muito antes de qualquer pessoa viva. Talvez por isso tivesse escolhido trabalhar na restauração arqueológica. Havia algo mágico em devolver vida ao passado. Mesmo que o passado estivesse morto. - Ah, antes que eu esqueça - disse Lívia. - Hm? - Chegou uma peça nova. Selene arqueou uma sobrancelha. - E por que está falando assim? - Porque você vai enlouquecer quando vir. - O que é? - Não faço ideia. - Excelente descrição. - Nem os arqueólogos sabem. Selene diminuiu o passo. - Como assim? - Foi encontrada numa escavação ilegal interrompida pela polícia. Agora ela estava interessada. Muito interessada. - E? - E aparentemente ninguém conseguiu identificar a origem. Selene sorriu. - Agora você conseguiu minha atenção. A sala de restauração ficava nos fundos do museu. Apenas funcionários autorizados podiam entrar. Lá dentro, diversas peças aguardavam análise. Vasos. Joias. Fragmentos de esculturas. Pergaminhos. Objetos de todas as épocas. Mas naquele dia havia algo diferente. Uma única caixa ocupava o centro da sala. Grande. Escura. Fechada. Selene aproximou-se. Sentiu um arrepio percorrer sua nuca. Estranho. Muito estranho. - Está vendo? - murmurou Lívia. - O quê? - Você fez essa cara. - Que cara? - A cara de quem encontrou um novo vício. Selene ignorou. Aproximou-se da caixa. Retirou as luvas. Abriu cuidadosamente a tampa. E congelou. Lá dentro havia apenas um objeto. Um colar. Nada mais. Mas era diferente de qualquer coisa que ela já tinha visto. A corrente parecia feita de um metal desconhecido. Nem ouro. Nem prata. Nem bronze. No centro havia uma pedra escura. Quase n***a. Mas que refletia luzes violetas quando observada de determinados ângulos. Era lindo. Hipnotizante. Antigo. Muito antigo. E completamente impossível. - Uau... Lívia aproximou-se. - Estranho, não é? Selene não respondeu. Porque algo dentro dela havia mudado. Uma sensação. Uma pressão. Uma lembrança. Como se estivesse olhando para algo que já conhecia. Algo que deveria ser impossível conhecer. Sem perceber, estendeu a mão. Os dedos tocaram a pedra. E o mundo desapareceu. O chão sumiu. A sala sumiu. O museu sumiu. Tudo ficou branco. Então veio a voz. Uma voz feminina. Suave. Antiga. Cheia de tristeza. - Finalmente. Selene tentou falar. Tentou se mover. Não conseguiu. A luz branca desapareceu. E ela viu. Uma mulher. Linda. Majestosa. Vestida com roupas que pareciam pertencer a outro mundo. Uma coroa dourada repousava sobre seus cabelos escuros. Os olhos eram violetas. Exatamente como a pedra. Exatamente iguais aos olhos que Selene via nos próprios sonhos. A mulher ergueu lentamente a cabeça. E então aconteceu. Ela olhou diretamente para Selene. Não através dela. Não para o lado. Diretamente para ela. Como se pudesse vê-la. Como se soubesse que estava ali. Como se estivesse esperando. Os lábios da mulher se moveram. Uma única palavra. Uma única palavra que fez o sangue de Selene congelar. - Encontrei você. E então tudo ficou escuro.

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