Tinha alguma coisa errada. Não era o jeito dele andar, porque o Nathan sempre foi quieto, firme, meio largado nos passos como quem carrega peso demais nas costas. Não era o jeito que ele me olhava, ainda tinha aquele calor nos olhos dele, aquela coisa que queimava quando me via saindo do banho ou quando eu passava a mão no rosto dele devagar. Mas tinha alguma coisa. Era o tempo entre um olhar e outro. O intervalo. O vazio. Naquele dia, cheguei da padaria com os dedos cheios de farinha e o cabelo preso numa trança torta. Tinha separado um pão doce pra ele, do jeito que ele gostava, e entrei na casa já com um sorriso no rosto, pronta pra deitar no colo dele e reclamar da vida. Mas ele tava na sala, encostado no sofá, com o olhar perdido na parede. A TV tava ligada, mas ele nem piscava

